Category Archives: Ásia

Médio Oriente e Mais Além

O mundo do quero, posso e mando

O mundo do quero, posso e mando.

Se há coisa que profundamente me repugna é a guerra e tudo o que a ela anda associado. «Atacaremos quando muito bem quisermos», disse um dia Bush filho e parece estar prestes a dizê-lo Trump, o magnata, pressionado pelos arquitectos de enfrentamentos e adictos acumuladores de colossais fortunas à custa da desgraça alheia. Juntam-se agora aos ianques os sauditas, fiéis cães de fila, que desde 2015, cansados de contar petrodólares, têm-se mantido ocupados a destruir vidas humanas e património material no vizinho Iémen. E isto perante um escandaloso e ensurdecedor silêncio por parte da comunidade internacional.

Irão, trinta anos depois

IRÃO, TRINTA ANOS DEPOIS

Um país num aeroporto.

Nos corredores de acesso ao portão “Q” do aeroporto mais centro comercial do planeta desde logo as topo, às iranianas, apressadas nas compras de última hora e com o cabelo solto que só voltará a conhecer véu horas mais tarde, já em pleno voo XL, o mais longo trajecto da destemida Air Asia praticamente dona do Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur. Desta feita, o pássaro grande permite que eu estenda as pernas e ocupe três assentos sob o olhar complacente das discretas hospedeiras de bordo, altas de estatura e de nariz aquilino, recatadas no traje e ainda e teimosamente de cabelo solto. O véu só cobrirá parte da cabeça, das ditas e de muitas das suas compatriotas passageiras, minutos antes de aterrarmos no aeroporto Imam Khomeini, em Teerão, após umas turbulentas oito horas e meia de voo, passava já da uma da manhã, hora local.

Missa Dominical em Banguecoque é exemplo para o Mundo

MISSA DOMINICAL EM BANGUECOQUE

Espiritualidade, respeito e valores.

São 9 horas e 55 da manhã. O táxi pára à porta da Sé de Banguecoque, a Catedral da Assunção. No exterior juntam-se os acólitos, sob a orientação de uma “mestre de cerimónias”. Por se tratar de uma mulher passa-nos pela cabeça a possibilidade de nos termos enganado: “Será que viemos ao sítio certo? É esta uma igreja católica? Ou será anglicana?”. A resposta surge logo depois com a chegada do padre, natural da Austrália, ao átrio.

Escolhemos um assento, o mais próximo possível do altar, deslumbrados com a decoração do templo.

Fortaleza de Diu, Índia

Como uma nau no golfo de Cambaia

Como uma nau no golfo de Cambaia

Verdadeiro símbolo de resistência, a fortaleza de Diu viu a primeira pedra ser colocada, em 1535, pelas mãos do próprio governador, naquele que é hoje o baluarte de São Tomé. Era uma fortaleza projectada para durar… Ao longo dos séculos XVII e XVIII as obras foram permanentes, tendo sido então restaurado todo o sistema defensivo. A ilha de Diu, que curiosamente não foi tomada pela força – o sultão local autorizou Nuno da Cunha a construir ali uma fortificação – seria dos locais mais assediados da Índia Portuguesa, tendo sempre resistido aos mais ferozes cercos, fossem eles de turcos, gujarates, mogores, ingleses ou até franceses.

Língua Portuguesa na Ásia – II

Embaixadores, intérpretes e missionários

Embaixadores, intérpretes e missionários

Nomeado para o cargo pelo capitão Fernão de Albuquerque, Afonso Vicente, “casado e leal à coroa”, seria o primeiro embaixador luso a estabelecer residência na corte do Achém. Ali viveu até 1602, como nos dá conta o piloto John Davies. Informa ainda este inglês, em 1599, que Vicente ostentava “o título de Dom” e tinha como principal tarefa evitar que os holandeses se estabelecessem naquelas apetecíveis paragens. Aliás, o português seria acusado pelos homens da VOC de ter sido o incitador da surtida aos navios da armada de Cornelis van Houtman, na sequência da qual viria a sucumbir esse almirante.

Língua Portuguesa na Ásia – I

O prestígio de outrora

O prestígio de outrora.

Ao longo de vários séculos foi o crioulo português de Batávia (actual Jacarta) simultaneamente língua franca e língua de prestígio utilizada por mestiços e indígenas como forma de afirmação social. Testemunha isso mesmo o registo deixado pelo corsário suíço Elie Ripon, que começou a sua aventura asiática em Java, em 1618, tendo regressado à Europa em finais de 1627. Entrementes, combateu em terra e no mar contra portugueses, espanhóis, ingleses, piratas e indígenas. Referindo-se a um ataque a Batávia, em 1619, profere: “Não víamos ninguém, apenas ouvíamos as vozes dos portugueses que gritavam ‘Jesus! Virgem Maria!’”.

Chineses no Thaipusam de Penang

Devoção a Murugan antes do Cão

Devoção a Murugan antes do Cão.

Nas cidades malaias de Georgetown (ilha de Penang) e Kuala Lumpur o Ano Novo Lunar é antecedido por um acontecimento religioso capaz de atrair mais gente às ruas do que a tradicional solenidade chinesa. Refiro-me ao festival hindu de Thaipusam, que tem nas caves de Batu, uns quilómetros a norte da capital da Malásia, a sua mais visível expressão, embora as ruas arborizadas de Penang acolham ancha multidão, e com a distintiva particularidade: entre os devotos vemos não só os costumeiros indianos tâmiles, chetis e quejandos, mas também imensos chineses, que incorporam o culto hindu no seu já de si sincrético taoísmo. Acrescem ao magote, na qualidade de mirones, estrangeiros (catrefada de fotógrafos aos empurrões) e o ocasional nativo muçulmano, por norma, avesso a qualquer tipo de manifestação pagã.

O Jardel da Silva de Ulan Bator

JARDEL DA SILVA

Futebolista e missionário.

Chama-se Jardel. E é da Silva. Como o outro. Que no Sporting contradançou, apesar das novelas. Mas este Jardel da Silva, natural de Curitiba, Estado do Paraná, futebolista também, optou pela longínqua Mongólia para viver. Ou melhor, para «cumprir a missão que me está destinada», nas suas próprias palavras. É que além de futebolista, Jardel é missionário. Evangelista. Da Igreja Evangélica do Cristianismo Decidido do Rogate.

«Hei cara! Nem imagina como me sinto feliz por poder falar Português com você».

Conferência sobre as relações entre Portugal e o Vietname

Homenagem ao padre e ao mártir

Homenagem ao padre e ao mártir.

A convite da senhora Thuy Tien de Oliveira, presidente da NamPor, Associação de Amizade Portugal-Vietname, participei numa Conferência Internacional sobre as Relações entre o Vietname e Portugal, que teve lugar na Universidade de Ciências de Hue, a 15 de Dezembro de 2017. A conferência surgiu na sequência de um seminário organizado com o mesmo intuito na Sociedade de Geografia de Lisboa em Fevereiro desse mesmo ano e que contou com a presença de alguns oradores do mencionado estabelecimento de ensino vietnamita.

Museu do Baan Kudi Chin em Banguecoque

Presença portuguesa visitada... por franceses

Presença portuguesa visitada… por franceses

A família Da Cruz, uma das dezassete de luso-descendentes que ainda hoje habita no conhecido Bairro de Santa Cruz, em Banguecoque (zona de Thonburi, na margem esquerda do rio Chaopraya, onde o rei Taksin se instalou quando deixou Ayuthaya), deu-nos a conhecer todo o espólio que está na família há gerações e que deu origem ao Museu do Baan Kudi Chin.

As raízes familiares não são conhecidas em profundidade, mas segundo Navinee Pongthai, a responsável e mentora de todo o projecto, esta é uma pesquisa contínua e que espera dar frutos em breve.

Visita ao Bairro de Santa Conceição em Banguecoque

Nossa Senhora das Mercês e o bisneto do embaixador

Nossa Senhora das Mercês e o bisneto do embaixador

Quando se fala da comunidade luso-descendente na Tailândia vem de imediato à ideia a nossa presença secular na antiga capital do Sião, a cidade de Ayuthaya, onde chegámos no ido ano de 1511, de acordo com registos históricos. Mas quando se fala da nossa presença na actual capital do Reino da Tailândia, Banguecoque, muitos pensam que os portugueses se instalaram na área que hoje se conhece como Santa Cruz. No entanto, tal não é verdade pois o primeiro bairro português nasceu precisamente do lado oposto do rio Chaopraya, do lado onde iria nascer a cidade de Banguecoque. Santa Cruz fica em Thonburi, onde o primeiro – e único – rei (Taksin) de Thonburi se instalou quando saiu de Ayuthaya.

500 Anos do Tratado entre a Tailândia e Portugal serão assinalados em 2018

Bairro Português em Ayuthaya de cara lavada

Bairro Português em Ayuthaya de cara lavada.

A antiga capital da Tailândia, Ayuthaya (Ayudhaya), está hoje, uma vez mais, sob a luz dos holofotes da curiosidade mundial, com o aproximar dos 500 anos do primeiro Tratado de Comércio e Amizade entre o então Reino do Sião (no reinado de Ramathibodi II) e Portugal, um país ocidental. Os termos do acordo de amizade e cooperação mútua foram negociados entre Junho e Dezembro de 1518, estando a ser preparada uma celebração condigna de tal feito histórico.

Ramathibodi II há vários anos (desde pelo menos 1511) que contava com a colaboração de mercenários, comerciantes e religiosos portugueses, na sua maioria provenientes de Malaca em busca de mais fontes de receita e de gentios para converter ao Catolicismo.

Quando a Imprensa de Macau se Internacionaliza

Alexandre Valignano, o primeiro divulgador

Alexandre Valignano, o primeiro divulgador.

O padre Alexandre Valignano (1538-1606), organizador das missões portuguesas na China e no Japão, foi também um dos grandes promotores da cultura ocidental no Oriente, devendo-se a ele a introdução, primeiro em Macau e posteriormente no Japão, da primeira imprensa europeia do Extremo Oriente.

Originário de uma família nobre de Chieti, norte de Itália, Valignano viu a luz do dia a 31 de Dezembro de 1539, e dezanove anos mais tarde era já doutor de Direito Civil na Universidade de Pádua.

Francisco Vaz Patto, Embaixador de Portugal na Tailândia

Francisco Vaz Patto

Portugal pode chegar à ASEAN através da Tailândia.

«É importante mostrar o que é português na Tailândia», defende o embaixador de Portugal em Banguecoque, Francisco Vaz Patto. «Portugal vai muito para lá dos vinhos e dos pastéis de nata. É preciso que os tailandeses conheçam os nossos produtos e serviços, a nossa tecnologia de ponta e as empresas portuguesas com dimensão mundial», explica a’O CLARIM o representante diplomático de Portugal, numa conversa em que abordou também outros assuntos, como os planos para as celebrações dos 500 anos do primeiro Tratado de Comércio e Aliança entre Portugal e o Reino do Sião e as diversas trocas culturais entre os dois países.

Fundação ASEAN e a China

Aproximação ao Gigante

Aproximação ao Gigante

A vontade da Fundação ASEAN de cooperar com a China remonta aquando da entrada deste país na Organização Mundial do Comércio, em 2001, tendo-se deslocado então a Macau o director-executivo dessa organização, o filipino Ruben Umulay, a fim de participar numa conferência sobre medicina tradicional chinesa. Foram, na altura, identificadas três áreas de cooperação ao nível do desenvolvimento dos recursos humanos. A primeira, precisamente na área da medicina tradicional chinesa; a segunda, na agricultura; e a terceira, no domínio das diferentes vertentes culturais.