Category Archives: Ásia

Francisco Vaz Patto, Embaixador de Portugal na Tailândia

Francisco Vaz Patto

Portugal pode chegar à ASEAN através da Tailândia.

«É importante mostrar o que é português na Tailândia», defende o embaixador de Portugal em Banguecoque, Francisco Vaz Patto. «Portugal vai muito para lá dos vinhos e dos pastéis de nata. É preciso que os tailandeses conheçam os nossos produtos e serviços, a nossa tecnologia de ponta e as empresas portuguesas com dimensão mundial», explica a’O CLARIM o representante diplomático de Portugal, numa conversa em que abordou também outros assuntos, como os planos para as celebrações dos 500 anos do primeiro Tratado de Comércio e Aliança entre Portugal e o Reino do Sião e as diversas trocas culturais entre os dois países.

Fundação ASEAN e a China

Aproximação ao Gigante

Aproximação ao Gigante

A vontade da Fundação ASEAN de cooperar com a China remonta aquando da entrada deste país na Organização Mundial do Comércio, em 2001, tendo-se deslocado então a Macau o director-executivo dessa organização, o filipino Ruben Umulay, a fim de participar numa conferência sobre medicina tradicional chinesa. Foram, na altura, identificadas três áreas de cooperação ao nível do desenvolvimento dos recursos humanos. A primeira, precisamente na área da medicina tradicional chinesa; a segunda, na agricultura; e a terceira, no domínio das diferentes vertentes culturais.

A experiência de leccionar no Japão

oaquim Magalhães de Castro/LUMEWORLD

Da espontaneidade e da educação

Depois do CR7, Wenceslau de Moraes é seguramente o português mais conhecido no Japão, porém, ao contrário do futebolista, só o é no meio académico e estudantil. Moraes tem um pequeno museu em Tokushima, onde morreu. Lá está o túmulo e um pequeno templo com a fotografia do escritor no altar. Em tempos falei com Jorge Cavalheiro, professor de Português com vasta experiência em terras do Sol Nascente, e disse-me que nas suas aulas sempre tivera a preocupação de falar dele e de nomes ilustres como Fernão Mendes Pinto, Luís de Almeida e outros jesuítas menos conhecidos. «Tudo o que é português eles preservam», garantia.

Curso de Verão de Português na Universidade de Kasetsart

Tailandeses atraídos pela língua de Camões

Tailandeses atraídos pela língua de Camões.

Quinze alunos tailandeses concluíram o curso de iniciação ao Português na Universidade de Kasetsart, em Banguecoque, com o desejo de continuarem a aprofundar os conhecimentos sobre a língua de Camões. A’O CLARIM, Katipote Sinsoongsud falou sobre o doutoramento que vai fazer na Universidade de Coimbra, Prima Wilaiwong acerca da experiência de estudante que teve em Portugal e o coronel Chaiporn Dechjaroen sobre a missão que vai desempenhar no Brasil.

O poder da Acupunctura e da Fitoterapia Chinesa

Terapia das agulhas e das plantas

Terapia das agulhas e das plantas

No início da década de 1970, na sequência da histórica visita do Presidente Nixon à China, a comitiva que o acompanhava teve a oportunidade de contactar de perto com a medicina tradicional e verificar, para espanto de muitos, as suas potencialidades no combate à doença, quer através da acupunctura quer da fitoterapia. Um episódio marcante terá sido a observação de várias cirurgias cuja única anestesia utilizada se resumia a algumas agulhas minuciosamente colocadas em determinados pontos do corpo e estimuladas por pequenos aparelhos geradores de fraca corrente eléctrica. Desde então, a medicina tradicional chinesa tem vindo a popularizar-se, sendo hoje aceite e utilizada por milhões de pessoas em todo o mundo.

Celebrações Pascais na Ilha de Adonara

Os confrades e o tesouro de Vure

Os confrades e o tesouro de Vure.

Na ilha indonésia das Flores as celebrações pascais têm o seu ponto alto em Larantuca, matéria, de resto, já aqui por nós abordada. Porém, na ilha de Adonara, mesmo em frente, outro reduto católico assinala essa importante efeméride. São os luso-descendentes de Vure.

Pequenas embarcações fazem a ligação com Adonara, transportando cada uma delas, em média, de seis a dez motorizadas amarradas umas às outras na coberta, junto com os passageiros.

Relações Históricas entre Macau e as Filipinas

RELAÇÕES HISTÓRICAS ENTRE MACAU E AS FILIPINAS

Um estranho mútuo desconhecimento

Bernardita Reys Churchill, presidente da Sociedade de História Nacional das Filipinas e da Associação de Estudos Filipinos, por assim dizer a autoridade máxima no que se refere à história do arquipélago, mencionou em tempos (numa conferência a que assisti) o facto de nunca ter sido prestada muita atenção, por parte dos historiadores filipinos, ao período marcado pela chegada dos primeiros europeus, realçando que para além da viagem do conhecido Fernão de Magalhães, o evento mais recordado é o bloqueio a Cebu levado a cabo pelo capitão português Gonçalo Pereira Marramaque no contexto da rivalidade luso-espanhola pela hegemonia do comércio na região em meados do século XVI.

Diplomacia Económica e Investigação

As difíceis barreiras a transpôr

As difíceis barreiras a transpôr.

1. É já um lugar comum dizer-se que as relações culturais abrem oportunidades para os negócios. Em Manila, por exemplo, num dos melhores centros comerciais, abriu em tempos uma loja da Vista Alegre na sequência da organização de uma semana cultural portuguesa – lovável iniciativa da embaixada lusa – que ficou marcada pela música, a gastronomia e o teatro. Aí se ouviu num mesmo palco, uma banda da Guiné, outra do Tugu (Jacarta) e uma terceira do Brasil, e o público filipino, muito naturalmente, aderiu, pois, como o restante público asiático, gosta do que é diferente e de imediato compreende a mensagem.

Centro de Estudos Portugueses para o Sudeste Asiático (CEPESA)

CEPESA

Em busca dos traços indentitários lusófonos.

O CEPESA – Centro de Estudos Portugueses para o Sudeste Asiático é uma unidade de investigação do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, inaugurada a 13 de Março de 2000 na altura em que o ministro da Ciência era ainda Mariano Gago. Pretendia-se coordenar as actividades dispersas de investigadores com experiência para a região do Sudeste Asiático e para as áreas adjacentes, especialmente Macau e o Sul da China, e tentar desenvolver um projecto institucional de investigação no domínio das Ciências Sociais.

Invasão do Iraque – Treze anos depois (2)

A cirurgia e os tiros que sobram

A cirurgia e os tiros que sobram.

Não acredito muito em cirurgias. E muito menos em cirurgias limpas. Cirurgia mete sempre muito sangue. Na guerra, então, as probabilidades de uma operação bem sucedida são reduzidíssimas.

Começaram por ser esparsos, precisos, os bombardeamentos a Bagdade, há treze anos, dando assim origem à uma guerra que está na origem ao ambiente de terror em que o mundo vive hoje. Os bombardeamentos visavam os palácios e os “bunkers” onde supostamente estaria o ditador e pandilha, só que falhou redondamente a dita tentativa de “decapitação do regime”.

Invasão do Iraque – Treze anos depois

GUERRA, ESSA ESPECIFICIDADE DO SER HUMANO

A guerra foi, é e será sempre o mais ridículo, insensato, cruel e estúpido de todos os actos. Actividade específica ao ser humano, é daquelas coisas que, pela negativa, nos distingue dos restantes animais. O animal-animal mata mas não faz guerra.

Não tortura, não toma prisioneiros. O animal-animal, aliás, despreza profundamente a guerra.

Uma guerra contra a cultura e a história

Os saques dos museus no Iraque

Os saques dos museus no Iraque

No rescaldo de mais um horrendo atentado em Bagdade, daqueles que não merecem grande atenção na redes sociais, onde a “solidariedade” se manifesta consoante a nacionalidade da vítima, lembremos aqui o saque dos museus e da Biblioteca Nacional do Iraque, e a subsequente destruição de toda uma valiosa herança cultural, um crime histórico do qual é principal responsável a Administração Bush.

Medicinas Orientais

MEDICINAS ORIENTAIS

O foco no indivíduo

Numa época em que tanto se fala de preservação da saúde e cada vez mais se buscam modos de vida e de cura alternativos, ousemos uma pequena incursão pelos meandros dessa sabedoria ancestral.

A dita medicina oriental, ou medicina tradicional chinesa, teve a sua origem na China antiga há mais de dois mil anos. E centra-se, essencialmente, em dois vectores: a medicina das plantas e a acupuntura.

Dia Internacional Anti-Nuclear

Urakami e o apelo à paz

Urakami e o apelo à paz.

Celebra-se hoje o Dia Internacional Anti-Nuclear e nunca é por demais lembrar esse sempre ameaçador e previsível pesadelo para a Humanidade, que nos derradeiros dias da Segunda Grande Guerra deu a provar do seu veneno. Barack Obama, na sua recente deslocação ao Japão, visitou Hiroshima, mas esqueceu Nagasáqui, cidade fundada por mercadores e missionários portugueses em 1571 e cuja característica topográfica – com bairros construídos ao longo das colinas, estilo plasmado das lusas urbes – acabaria por mitigar os efeitos apocalípticos da “Fatman”, a segunda bomba atómica da História da Humanidade. Daí que o número de vítimas tenha sido bem inferior à da hecatombe cometida em Hiroshima, apesar da carga mortífera ter sido maior.

Pregadores contra estalinistas

Realidades quirguizes

Realidades quirguizes.

Junto a um pequeno cineteatro do centro de Bishkek, capital do Quirguistão, congregara-se uma pequena multidão domingueira. Convencido de que haveria alguma “matinée” artístico-cultural, ao jeito do socialismo de outrora, segui-a até ao interior da sala de espectáculos. No palco afinavam-se guitarras e testava-se a dureza das peles do bombo da bateria. Uma rapariga com um colorido crachá na lapela no casaco e olhar atento indicou-me uma cadeira. Perguntei-lhe: «– Concert?» Disse que não com a cabeça e depois, com um breve movimento de lábios, quase num murmúrio, esclareceu-me: «– Church». Tarde demais. Ia assistir, quisesse ou não, a um serviço religioso da Igreja de Cristo, congregação que, apenas em dois anos, reunira já à sua volta mais de seiscentos fiéis, só em Bishkek.