Category Archives: Rota dos 500 Anos

Em Portugal

Rota dos 500 Anos – Em Portugal

A tripulação do Dee viajou para a Europa num voo da “low-cost” TUI, com destino a Amesterdão, na Holanda. Dali viemos de carro porque não queríamos que o Noel fosse submetido a outra viagem de avião. Para além de serem traumatizantes para os animais as viagens em locais confinados e sob uma atmosfera pressurizada, não seria fácil encontrar uma companhia aérea que transportasse um buldogue francês para Portugal a partir da Holanda. Decidimos então arranjar um carro e conduzir em direcção a terras lusas.

Próximo destino… Portugal

Rota dos 500 Anos-Próximo destino... Portugal

Como referi na semana passada, a nossa volta ao mundo para assinalar os 500 anos da chegada dos portugueses a terras chinesas e promover a cultura portuguesa tem de ser interrompida por tempo indeterminado. Uma certeza fica: esta pausa será temporária e logo que a situação estiver normalizada a viagem será retomada no ponto em que é interrompida.

Curaçao será o local onde a nossa casa nestes quase três anos de mar ficará a aguardar o nosso regresso de Portugal.

Máquina de lavar, margueritas, chegadas e partidas

Rota dos 500 Anos-Máquina de lavar, margueritas, chegadas e partidas

A nossa estada na ilha de Curaçao está a chegar ao fim, mas ao contrário do que estava planeado não iremos continuar rumo à Colômbia ou Panamá. A “rota” irá passar por outras paragens que nada têm a ver com a ideia inicial da viagem. Tal será explicado na próxima crónica.

Agora, após este interregno de quase um mês, é altura de fazer um rescaldo do muito que se passou por estas bandas.

O regresso do Perkins

Rota dos 500 Anos-O regresso do Perkins

Finalmente temos o motor a funcionar novamente. A bomba de injecção foi retirada, a custo, e completamente reparada por um especialista colombiano que trabalha em Curaçao. Aproveitámos a ida ao mecânico para também fazer a manutenção dos injectores dos quatro cilindros do motor. Passados quatro dias vieram reinstalar tudo no barco e testar o seu funcionamento. Como previsto, a bomba e os injectores ficaram a funcionar bem. No dia seguinte apenas notámos uma pequena fuga de fumo num dos injectores, mas pensamos que tal se deve ao facto de não ter sido bem apertado. O mecânico foi de imediato informado e ficou de voltar ao barco para verificar e reparar o problema.

Comunidade portuguesa pouco organizada

Rota dos 500 Anos-Comunidade portuguesa pouco organizada

O encontro com a comunidade portuguesa de Curaçao parece estar cada vez mais longe, devido a problemas burocráticos relacionados com as licenças e as autorizações necessárias para se realizar um evento público na ilha. Embora ainda reste quase um mês para se encontrar uma solução, temos notado que da parte da comunidade há pouca dinâmica, apesar das pessoas contactadas terem mostrado interesse. No entanto, como um todo a comunidade não funciona.

Café da manhã na Telecuraçao

Os últimos dias foram passados a contactar com a comunidade portuguesa radicada em Curaçao, para ver se será possível organizar um encontro cultural enquanto a nossa embarcação estiver por cá. A ideia já tinha sido avançada quando conhecemos o cônsul honorário Carlos de Sousa, logo no início da nossa estada nas Antilhas Holandesas, mas ficou suspensa porque o representante diplomático ia entrar de férias.

A Maria vai à escola

Rota dos 500 Anos-A Maria vai à escola

Para nossa surpresa o passaporte da Maria chegou mais depressa do que o esperado. Em Caracas tinham-nos dito que o documento iria demorar entre duas a três semanas, mas acabou por chegar a Curaçao, enviado de Lisboa, depois de pouco mais de uma semana. Eficiência que agradavelmente queremos frisar e enaltecer. É bom ver que depois de termos sido atendidos com extrema eficácia pelo cônsul honorário, que tudo fez para nos resolver o problema, e de termos sido profissionalmente atendidos em Caracas, apesar de tudo e de todos dizerem que não era aconselhável ir à Venezuela, finalizámos o processo com a entrega do documento antes do prazo previsto.

Venezuela relâmpago

Rota dos 500 Anos-Venezuela relâmpago

A ida à Venezuela decorreu sem quaisquer problemas e todo o processo de renovação do passaporte da Maria foi concluído sem qualquer delonga. Foi com prazer que vi um Consulado a funcionar na perfeição. Em muito me fez recordar o de Macau, que também presta um serviço de primordial importância a todos os portugueses aí residentes. O Consulado de Portugal em Caracas atende, de acordo com informações dadas pela sua chanceler, cerca de duzentas pessoas por dia. Na sua maioria para renovar ou emitir documentos ou, simplesmente, para tratar de trâmites legais.

Tempo de praia

Rota dos 500 Anos-Tempo de praia

 

A vela principal já está metida no mastro e na retranca, depois de ter sido remendada e reforçada em algumas zonas. Levou-se quase uma semana de trabalho, mas valeu a pena. Poupámos umas centenas de dólares que podem ser usados para resolver outros assuntos.

Depois da vela, como programado, concentrei-me no motor, mais propriamente na bomba que puxa o gasóleo do tanque para o motor. Entre a bomba e o tanque (este apenas fica acessível se se desmontar metade do barco) não existe qualquer filtro, pelo que toda a sujidade que se encontra acumulada na parte inferior do tanque passa pela bomba. Quando a abri havia mais borra e detritos do que combustível.

Quem se faz ao mar…

Rota dos 500 Anos-Quem se faz ao mar...

Como tínhamos prometido, o sábado de manhã foi passado com o senhor madeirense que produz e vende legumes e frutas aqui perto do local onde nos encontramos ancorados.

Aproveitámos e convidámos a família portuguesa do catamaran El Caracol, que chegou alguns dias depois de nós, também vindos de Bonaire, a nos acompanhar. Para quem não se recorda, é uma família que viveu em Macau durante alguns anos, sendo a senhora filha de uma conhecida arquitecta residente de longa data no território.

Curaçao do coração

Rota dos 500 Anos-Curaçao do coração

Como planeado, deixámos Bonaire à noite, cerca das quatro da manhã, para rumar a Curaçao. Chegámos ao ancoradouro de Spanish Waters, na ilha de Curaçao, pelas onze da manhã do mesmo dia. Foram sete horas de vela com muito vento, visto que toda esta área é fustigada, dia sim, dia sim, pelos ventos alísios. A aproximação a Curaçao, assim como a Bonaire, é sempre recomendável que seja feita com boa visibilidade, pois a ilha e as zonas mais baixas só são visíveis a pouco mais de quatro ou cinco milhas. A costa é tão confusa e o mar tão alteroso que passámos a entrada para a lagoa sem nos termos apercebido.

Chineses que falam Espanhol… nas Antilhas Holandesas

Rota dos 500 Anos-Chineses que falam Espanhol... nas Antilhas Holandesas

A viagem de Guadalupe para Curaçao durou mais do que o previsto. Saímos no dia 26 de Maio, ao meio-dia, e chegámos no dia 31, já perto da meia-noite. Não foi muito mais do que tínhamos em mente. No segundo e no terceiro dia de viagem houve pouco vento, na terceira noite apanhámos vento muito forte, que nos rompeu um dos risos da vela principal, sendo que no dia seguinte o vento soprou sempre perto dos 30 nós. A surpresa de vento forte durante a noite causou algum pânico no seio da tripulação, mas depois de tudo estabilizado a viagem até se tornou mais confortável do que até aí. A falta de vento nos dias anteriores causou um balançar muito incómodo e desconfortável.

Largada antecipada

Rota dos 500 Anos-Largada antecipada

Com a chegada de uma frente tropical e com a possibilidade da formação de uma tempestade, após o desenvolvimento de uma frente fria na zona do continente africano, decidimos avançar para Curaçao mais cedo do que o planeado. O facto de ainda não ter começado a época oficial de tempestades (começa a 1 de Junho e termina no final de Outubro, sendo que este texto está a ser escrito a 26 de Maio) faz recear que possa ser mais forte do que o normal. Para evitar surpresas decidimos rumar às Antilhas Holandesas uns dias mais cedo, para assim estarmos fora da zona normalmente afectada por estas alterações meteorológicas.

Sem passaporte, rumo às Antilhas Holandesas

Rota dos 500 Anos-Sem passaporte, rumo às Antilhas Holandesas

Depois de quase cinco dias em águas cristalinas junto da ilhota de Gosier, voltámos às águas turvas do porto de Pointe-à-Pitre para preparar a partida dos nossos amigos de Vila Nova de Gaia. Foram dias de muita praia, mar e conversa animada, que deu para meter em dia a coscuvilhice que vem já dos tempos de universidade e se vai mantendo passados quase vinte anos.

Carlos, Brigitte e Núria voltaram a Portugal com uma tez mais escura e a pele a cair. Cansados, mas tristes de voltarem para o frio, e para o dia-a-dia de casa-trabalho-casa. A pequena Núria vai voltar para a pré-escola, depois de ter passado os dias a brincar, de manhã à noite, com a Maria.

Sangue, suor e amizade

Rota dos 500 Anos-Sangue, suor e amizade

O rumo traçado em St. Martin foi praticamente seguido à risca, sendo que o motor foi usado quase na totalidade da viagem para Guadalupe. Por muito que tentasse recorrer às velas os ventos, que deveriam ter rodado de Sudeste para Este, recusaram-se a cooperar, pelo que não foi possível passar sem o motor.

Saímos da baía de Marigot num Domingo e chegámos a Point-à-Pitre (Guadalupe) numa quarta-feira ao meio-dia – foram cerca de 200 milhas náuticas, em que 80 por cento do percurso foi cumprido com o motor ligado. As velas apenas foram içadas no lado oeste da ilha de Montserrat, contra todas as recomendações que aconselham a não passar por essa zona, devido às cinzas e gazes do vulcão que se encontra activo.