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Rota dos 500 Anos

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Haiti, um exemplo de solidariedade

A partir de agora, para nós, vai ser tudo território novo. Vamos entrar noutra zona das Caraíbas, com novas regras e estilos de navegação. Quando lerem este artigo já deveremos estar nas Bahamas, onde dizem que a água é cristalina e os ventos e correntes têm personalidade própria.

O arquipélago das Bahamas, país independente constituído por milhares de ilhas que se estendem desde a Hispanhola e Cuba até à costa da Flórida, nos Estados Unidos, é conhecido pelas suas praias paradisíacas. Para lá chegar é necessário vencer alguns obstáculos, como a passagem entre o Haiti e Cuba, e todos os recifes que bordejam as ilhas do arquipélago. Segundo nos alertaram, os recifes exigem navegação diurna. Logo, todas as rotas têm de ser bem pensadas e calculadas para se chegar com luz do dia ao destino e conseguir distinguir os acessos que por vezes estão mal iluminados e sinalizados. Navegação à vista será assim uma constante nos próximos dias.

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Natal e Culto Mariano são estrelas em Curaçao

Natal e Culto Mariano são estrelas em Curaçao

À semelhança de muitos outros locais, também em Curaçao as tradições de Natal foram-se adaptando à realidade dos nossos tempos e aos costumes. Exemplo disso é a missa da Noite de Natal e a Missa do Galo. Esta última era tradicionalmente à meia-noite mas passou a ser às 22 horas e 30 para que as pessoas possam ir para casa celebrar com os familiares. Tal foi-nos explicado por uma senhora portuguesa que passa os dias a colaborar na igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Com um sorriso na cara que não deixava esconder a felicidade de poder falar da sua igreja e da sua comunidade, na impossibilidade de encontrarmos o pároco, Filomena Fernandes – vive na ilha desde muito pequena – apenas recusou tirar fotografias porque – segundo argumentou – a entrevista não era sobre a sua pessoa mas acerca de toda a comunidade e das suas tradições de Natal.

Por vezes com a voz embargada, Filomena conduziu-nos numa conversa de mais de uma hora, tendo falado do que se faz no Natal na “ilha do curação”, como os residentes portugueses lhe gostam de chamar.

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Aruba tem ares de Macau

Ainda andamos por terras holandesas mas noutra ilha. Chegámos a Aruba há uma semana, depois de um incidente na saída de Curaçao, como vos contámos na crónica anterior. Depois de uns dias a descansar e a tentar conhecer algumas partes da ilha, ao mesmo tempo que íamos procurando os materiais necessários para a manutenção do motor e de outras partes do veleiro, estamos agora a planear a saída rumo ao Norte. Neste momento há duas opções de escala, sendo que ainda não decidimos o que fazer. Na realidade, o mais certo é optarmos entre o Haiti e a Jamaica (ou até pararmos nos dois países), quando estivermos a apenas algumas milhas dos seus portos. Ambas as nações devem ficar no enfiamento da nossa rota em direcção à Flórida, nos Estados Unidos.

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À Vela até Aruba

(Já que o motor continua a dar problemas)

Com mais de um mês de estadia em Curaçao e depois de expirado o meu visto de turista, deixámos a ilha sem que os responsáveis da imigração tenham levantado qualquer objecção.

Os últimos dias passados na ilha dos portugueses foram de despedida e de algumas lágrimas, afinal é um local que nunca mais iremos esquecer. Foi aqui que a nossa vida mudou com a descoberta do cancro da NaE.

No dia em que decidimos sair o mecânico que procedeu à rectificação do motor esteve a bordo. Verificou tudo durante uma pequena viagem na zona dos ancoradouros. Como estava tudo bem tivemos luz verde para prosseguir a viagem. Acontece que como se demorou mais tempo do que o planeado – quando acabámos de preparar o veleiro era já noite – não quisemos arriscar sair da lagoa, uma vez que o canal é pouco profundo. Saímos então no dia seguinte à hora de almoço, sem quaisquer problemas, até que já no mar o motor voltou a fazer das suas… e aqueceu!

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José Henrique, o pescador

Algo que havia sido combinado em 2016, finalmente – dias após a entrada em 2019 –, acabou por acontecer. Quem nos acompanha nesta viagem certamente lembra-se de várias vezes termos referido que há uma grande comunidade de portugueses e luso-descendentes em Curaçao. E que, tanto quanto sabemos, apenas uma das famílias se dedica à pesca como modo de sustento.

Sendo na sua maioria portugueses vindos da Madeira, que nos anos trinta vieram trabalhar para a refinaria que a Shell aqui construiu, as lides do mar não lhes são estranhas. Com naturalidade, nas horas vagas do árduo trabalho da refinaria era o mar que os chamava. Chegaram a ser – pelo que nos foi contado – seis os barcos espalhados por diversos locais da ilha. Hoje, somente a família Henrique se dedica à pesca, sendo proprietária de dois barcos tradicionais.

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Não uma, mas duas passagens de ano

Há opções forçadas que por vezes nos surpreendem, apesar de não serem a nossa primeira escolha. Neste tipo de vida – dependente dos caprichos dos elementos naturais – muito frequentemente tal acontece.

A nossa estada em Curaçao já deveria ter terminado, mas devido a ventos fortes e condições pouco confortáveis para rumarmos a Norte, foi prolongada por mais uns dias. Pelos planos actuais deve estender-se até 8 ou 9 de Janeiro.

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Um Natal Solidário.

Estamos a poucos dias do Natal. É pois o momento de escrever uma daquelas crónicas típicas desta época do ano. Melancólica, saudosista e a cheirar a rabanadas! No entanto, os nossos Natais pouco disto têm tido nos últimos anos.

Desde que deixámos Macau que nunca mais vivemos o que se pode chamar de “típica quadra natalícia”, com bacalhau, bolo-rei, rabanadas, Vinho do Porto, presépio e árvore de Natal. Em 2016 e 2017, por acaso, até vivemos o espírito natalício, mas devido a várias adversidades nos últimos anos, com as quais não contávamos, a nossa disposição tem sido muito pouca para apreciar o que quer que seja. Houve sempre preocupações que se sobrepuseram ao Natal, embora acreditemos que também a generosidade e o bom ambiente que se vive no Natal possa ter contribuído – mais não seja pelo facto da família ter estado toda junta – para uma mais rápida recuperação. Como sabemos, o bem-estar psicológico, no caso de doenças do foro oncológico, é tão importante como o tratamento médico.

Este ano, e porque estamos de volta ao nosso veleiro, voltamos a ficar sem bacalhau, presépio e tudo o resto… A ver se conseguimos fazer bolo-rei e rabanadas. Já Vinho do Porto e árvore de Natal, estão garantidos!

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Zwarte Piet, uma tradição de Natal

Zwarte Piet, uma tradição de Natal

A quadra natalícia aproxima-se a passo de corrida. Em Macau, pelo que é dado a ver nas redes sociais e na Comunicação Social, a iluminação está como sempre: muito elaborada e como manda a tradição. Confesso que sinto falta dos presépios das esquadras de polícia. Um dos meus passatempos nesta época do ano era ver e apreciar a criatividade dos homens responsáveis pela segurança pública de Macau.

Aqui nas Caraíbas o Natal é quente, mas nem por isso deixa de ser vivido com maior intensidade. E devo dizer que recentemente fiquei a conhecer mais um aspecto curioso ligado à tradição do Pai Natal e desta quadra em si.

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Natal é em Suffisant

Uma semana se passou no ancoradouro de Spanish Waters, aqui em Curaçao, sem que muito tenha sido feito no que respeita a preparativos para as próximas etapas.

O veleiro, que aparentava estar em boas condições, revelou problemas no motor, que de uma forma ou de outra eram já esperados, pois o mesmo aconteceu em 2016. Tal obrigou-nos a fazer o percurso entre a capital de Curaçao, Willemstad, e a lagoa de Spanish Waters – são cerca de dez milhas – sempre à vela contra o vento.

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Já “cheira” a Natal

Já “cheira” a Natal

Pouco mais de duas semanas depois da minha chegada às Caraíbas, precisamente à ilha de Curaçao, o veleiro está com o casco pintado, um dos estais reparado – torceu por incompetência da Curaçao Marine, que não assumiu a responsabilidade – velas nos respectivos locais, retranca, mastro, enrolador de proa, motor testado e quase todos os sistemas a funcionar.

Cheguei a 8 de Novembro e no dia 13 já o Dee estava na água. A 19 mudei para o ancoradouro onde estou até à chegada do resto da tripulação, em meados de Dezembro.

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Primeiro dia do resto das nossas vidas

Primeiro dia do resto das nossas vidas

O dia que tanto ansiámos desde Setembro de 2016 chegou a 7 de Novembro! Já estou nas Caraíbas, mais exactamente na ilha de Curaçao, onde a 19 de Setembro de 2016 deixámos o nosso veleiro-casa Dee.

No mês de Agosto desse mesmo ano recebemos a pior notícia das nossas vidas: foi diagnosticado um cancro da mama à NaE e tivemos de passar para último plano a viagem de barco à volta do mundo. Desde o início decidimos que a saúde vem sempre primeiro, pelo que quando descobrimos a doença nem pensámos duas vezes. Havia que a enfrentar e encontrar uma solução para o problema.

Em Portugal

Rota dos 500 Anos – Em Portugal

A tripulação do Dee viajou para a Europa num voo da “low-cost” TUI, com destino a Amesterdão, na Holanda. Dali viemos de carro porque não queríamos que o Noel fosse submetido a outra viagem de avião. Para além de serem traumatizantes para os animais as viagens em locais confinados e sob uma atmosfera pressurizada, não seria fácil encontrar uma companhia aérea que transportasse um buldogue francês para Portugal a partir da Holanda. Decidimos então arranjar um carro e conduzir em direcção a terras lusas.

Próximo destino… Portugal

Rota dos 500 Anos-Próximo destino... Portugal

Como referi na semana passada, a nossa volta ao mundo para assinalar os 500 anos da chegada dos portugueses a terras chinesas e promover a cultura portuguesa tem de ser interrompida por tempo indeterminado. Uma certeza fica: esta pausa será temporária e logo que a situação estiver normalizada a viagem será retomada no ponto em que é interrompida.

Curaçao será o local onde a nossa casa nestes quase três anos de mar ficará a aguardar o nosso regresso de Portugal.

Máquina de lavar, margueritas, chegadas e partidas

Rota dos 500 Anos-Máquina de lavar, margueritas, chegadas e partidas

A nossa estada na ilha de Curaçao está a chegar ao fim, mas ao contrário do que estava planeado não iremos continuar rumo à Colômbia ou Panamá. A “rota” irá passar por outras paragens que nada têm a ver com a ideia inicial da viagem. Tal será explicado na próxima crónica.

Agora, após este interregno de quase um mês, é altura de fazer um rescaldo do muito que se passou por estas bandas.

O regresso do Perkins

Rota dos 500 Anos-O regresso do Perkins

Finalmente temos o motor a funcionar novamente. A bomba de injecção foi retirada, a custo, e completamente reparada por um especialista colombiano que trabalha em Curaçao. Aproveitámos a ida ao mecânico para também fazer a manutenção dos injectores dos quatro cilindros do motor. Passados quatro dias vieram reinstalar tudo no barco e testar o seu funcionamento. Como previsto, a bomba e os injectores ficaram a funcionar bem. No dia seguinte apenas notámos uma pequena fuga de fumo num dos injectores, mas pensamos que tal se deve ao facto de não ter sido bem apertado. O mecânico foi de imediato informado e ficou de voltar ao barco para verificar e reparar o problema.