Category Archives: Apontamento

O Pedido de Exílio da Jovem Saudita

O PEDIDO DE EXÍLIO DA JOVEM SAUDITA

Um acto ousado e corajoso.

Chama-se Rahaf Mohammed al-Qunun, é saudita e tem dezoito anos. Agora encontra-se segura, no Canadá, desfrutando do estatuto de exilada, depois de ter estado sob a alçada do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, em Banguecoque, aguardando uma decisão para o seu pedido de asilo, inicialmente feito à Austrália, surgindo como alternativa o Canadá. Contudo, uns dias antes esta jovem permaneceu 24 horas num quarto de hotel do aeroporto de Banguecoque, escoltada pelas autoridades tailandesas que aparentavam estar a actuar de acordo com directrizes emanadas da Arábia Saudita que queriam ver Rahaf deportada para o Kuwait, de onde inicialmente viera. Mas a provação de Rahaf começou muito antes de embarcar nessa cidade com destino à Austrália, e com escala, para mudança de voo, na capital tailandesa.

Património Histórico e o Trânsito em Macau

Respirar é preciso

Respirar é preciso

Começo com uma pergunta oportuna: será que Macau continua a merecer a distinção de Património da Humanidade, depois do tudo que foi destruído e do que, em termos de recuperação urgente, continua a ser protelado? Que a cidade tem peças de grande valor patrimonial, não há dúvida. Prova disso são os monumentos e os sítios já classificados. Só que um monumento isolado perde as referências do seu contexto e, como todos sabemos, não existem edifícios isolados, tal como em sociedade não existe um só indivíduo. É importante que Macau mostre uma verdadeira atitude de preservação do património. Começando, por exemplo, por resolver de um vez por todas o imbróglio que é a antiga fábrica de panchões de Iec Long, recuperando esse espaço vital, transformando a zona envolvente em parque público, submetendo depois o projecto à aprovação da UNESCO. Seria até justo, pois na candidatura apresentada não constou qualquer monumento da Taipa ou de Coloane. Quiçá não seria, no futuro, esse o precedente para outras aprovações. «Seja como for, o património tem sempre valor, independentemente de ser ou não classificado pela UNESCO. Em relação à fábrica de panchões, que era uma indústria muito importante para Macau, muitas famílias dela dependiam para a sua sobrevivência, há ali um valor acrescentado», dizia-me em tempos o arquitecto Francisco Vizeu Pinheiro, que fez do Iec Long um dos seus cavalos de batalha.

Post Scriptum

Post Scriptum

1. Na minha última crónica de 2018, dedicada à época natalícia, imaginei que escrevia uma carta ao Menino Jesus, onde lhe pedia prendas, como fazia quando era criança.

Não pedia nela nem um novo smartphone, nem novos sapatos Nike, nem uma playstation, nem um pequeno drone, mas lembrando-me constantemente da minha idade, pedi prendas próprias dela.

E Jesus respondeu-me, dando-me o mais precioso dos presentes: este novo ano, para continuar a escrever-Lhe, em jeito agora de post scriptum.

Quer dizer: é como se eu continuasse a redigir a minha carta ao Menino Jesus, mas agora não como petição. Antes como reflexão geral sobre o ano que começa.

E o Menino Jesus entrará em cena quando quiser, porque Ele nunca pede licença para aparecer. Essa rebeldia veio-Lhe certamente de quando desobedeceu aos pais e ficou no Templo entre os doutores, completamente ignorantes aliás de Quem estava perante eles.

Carta de um Adulto ao Menino Jesus

Carta de um adulto ao Menino Jesus

Ou algumas reflexões perante o presépio.

Não me lembro há quantos anos não Te escrevo uma carta pelo Natal, Menino Jesus! Desde que deixei de ser criança, certamente, e de começar a duvidar do uso da chaminé para outros fins que não os mais óbvios.

Achei sempre, aliás, que as chaminés eram lugares impróprios para fazeres por elas descer o Teu mensageiro habitual, o Pai Natal, figura algo volumosa para evitar sujar, na descida, a sua fatiota escarlate. Ainda por cima carregado com o proverbial saco das prendas!

E um Pai Natal com o trajo conspurcado com a fuligem da descida não tem a dignidade de um Pai Natal como se vê nas fotografias!

Ou estou a trocar tudo e o Pai Natal viaja de trenó e és Tu, Menino Deus, com a leveza própria dos anjos, que desces por milagre no sapatinho ou na meia das crianças ansiosas pelo despertar do Grande Dia?

O último livro que li

“Deus acredita no Homem”

“Deus acredita no Homem”

“Deus acredita no Homem” é um livro editado pela Éfeso, da autoria de Justo Mullor, que pretende estimular a vivência cristã pessoal, como premissa de uma transformação social profunda, longe de esquemas tradicionais em vias de caducidade.

Este conjunto de reflexões sobre a fé conduz-nos a uma iluminada compreensão do presente que, apesar das inevitáveis incertezas, é ainda um tempo de esperança.

O Nosso Tempo

As muitas faces do mal

As muitas faces do mal

A Guerra para acabar com todas as guerras. Foi há cem anos (11 de Novembro de 1918). E isso deve fazer-nos pensar… num mundo como o de hoje, em que não poucos crêem na inevitabilidade, a prazo, duma nova guerra.

O que se vai comemorar, pois? A PAZ, por certo. O fim de um tremendo pesadelo.

A Primeira Guerra Mundial tirou a vida de mais de nove milhões de soldados; 21 milhões a mais ficaram feridos; mortes civis causadas indirectamente pela guerra numeradas perto de dez milhões.

O Nosso Tempo

Leituras do tempo presente

Leituras do tempo presente

Quem visita Fátima, e o santuário ali dedicado à Mãe de Jesus, fá-lo com quatro (pelo menos…) atitudes de espírito bem diferentes.

A primeira é a do turista que ali vai, com a mera curiosidade do viajante, tentando vislumbrar algo de novo, de estranho, de bizarro mesmo, a acrescentar ao seu diário de recordações de férias.

A segunda é a do ateu que tem uma posição firme contra a Fé e que, por consequência, ali se desloca para confirmar a inconsequência (a infantilidade mesmo) de ritos que nada acrescentam ao seu universo de certezas absolutas. (Há no ateísmo militante um não sei quê de religião, ou de anti-religião, se se quiser, com seus dogmas de fé, seus mártires e santos laicos, de que talvez muitos dos próprios ateus não se dão conta).

O Nosso Tempo

Um Agosto (quase) como os outros...

Um Agosto (quase) como os outros…

Não é esta uma crónica das férias que já terminaram, mas quase. É seguramente o produto de várias reflexões feitas num Agosto (quase) como os outros.

Porque lá se foi esse mês que todos os anos invariavelmente é, para muitos, uma espécie de tempo mítico de todas as libertações. Da “escravatura” do quotidiano, com seus horários rígidos, as suas rotinas enfadonhas, as suas preocupações de cumprir, de competir, de vencer.

O Nosso Tempo

Imigrantes e refugiados ou a parábola do (bom?) samaritano

Imigrantes e refugiados ou a parábola do (bom?) samaritano.

As linhas que se vão seguir não pretendem ser respostas definitivas ao complexíssimo problema dos refugiados na Europa. E nem sequer respostas são, antes o pôr em causa todas as peças do puzzle, para compreender melhor essa magna questão. Compreender, desde logo… eu!

O grande debate sobre a questão dos refugiados e dos imigrantes económicos, hoje, na Europa, se coloca os líderes políticos nacionais perante difíceis questões por resolver, suscita também, nos cristãos europeus, inevitáveis problemas de consciência.

O Nosso Tempo

A Igreja num tempo que sangra

A Igreja num tempo que sangra.

Que civilização afinal nos deixaram? Ouço já a voz dos nossos filhos e netos, juízes que serão do modo como estamos a desrespeitar de forma insultuosa o futuro – o seu presente.

E nunca o futuro esteve tão ameaçado, por causas conjugadas que não nos cansamos de inventariar, mas para as quais não parecem existir respostas globais concertadas. Pela nossa voracidade colectiva, no abuso dos recursos naturais. Pela acumulação desvairada dos meios de destruição massiva, toda a gente invocando razões de segurança nacional, num mundo cada vez mais inseguro.

Beato Álvaro Del Portillo

Álvaro del Portillo

Uma vida que marca.

No dia 12 de Maio a Igreja festeja o beato Álvaro del Portillo. São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, dedicou estas palavras àquele que viria a ser o seu sucessor: “Saxum (rocha), como vejo claro o teu caminho – longo – que tens para percorrer! Claro e cheio como um campo recamado de espigas, bendita fecundidade de apóstolo…”, assim foi o beato Álvaro del Portillo.

Nasceu em Madrid no dia 11 de Março de 1914. Os seus biógrafos apresentam-no como alguém que soube levar as virtudes humanas a um grau elevadíssimo, salientam como traços do seu carácter a fortaleza, a fidelidade, a determinação, uma imensa capacidade de trabalho, a coragem que chega ao heroísmo, a par da alegria, serenidade, simpatia e bom humor.

O Nosso Tempo

O suicídio dos deuses – II

O suicídio dos deuses – II

Para além da fome e da sede, para além das inquietações do dia a dia, para além da estabilidade familiar, do futuro dos filhos, das perspectivas de carreira, do montante dos impostos, do custo de vida, da renda da casa, cada um de nós preocupa-se com outra coisa. E isso nos distingue dos seres vegetais.

Para além ainda do boletim clínico, das facturas da água e da luz e dos demais detalhes do quotidiano, cada um de nós busca ainda algo de muito diferente que não vem nessa lista.

“Senhor Bispo, o Pároco fugiu”

“SENHOR BISPO, O PÁROCO FUGIU”

O último livro que li…

“A literatura não muda o mundo, quem muda o mundo são as pessoas, mas a literatura muda as pessoas”.

Benjamim era um pároco de “carácter apaixonado” e “ultra-radical”, mas verteu “lágrimas amargas” pois sentiu-se a anos-luz de realizar o seu sonho – ser um padre santo no meio das suas ovelhas.

Deslizes verbais e não só, caprichos e provocações oriundas de “católicos sociológicos” muito ao estilo dos anos setenta, em clima de pseudo liberdade pós-Concílio Vaticano II, em que os “sinais exteriores de sacerdócio” provocavam uma paragem cardíaca, eram uma constante no quotidiano deste (des)aventurado cura.

O Nosso Tempo

O suicídio dos deuses – I

O suicídio dos deuses – I

Leio com tristeza a notícia abaixo, o que me leva a reflectir mais uma vez sobre o valor da vida, sobre os limites e enganos da Ciência e sobre os falsos postulados de uma filosofia pretensiosa, porque aniquiladora da humanidade intrínseca, essencial, que nos distingue:

“Um cientista nascido na Grã-Bretanha morreu aos 104 anos de idade depois de ter viajado para a Suíça, para terminar a sua vida numa clínica de suicídio assistido.

O Nosso Tempo

Histórias do poder e da morte

Histórias do poder e da morte

Este tema não tem nada de original, nem sequer o título. Mas as grandes lições da vida têm de ser repetidas, a espaços regulares, para podermos ir assimilando as profundas verdades que encerram. E a relação inextricável entre o poder e a morte é tema tão importante de reflexão que o resultado desta pode mudar tudo.

Sou pois, na escrita desta crónica, “filósofo” e aprendiz de filosofia, ao mesmo tempo, porque só a mim mesmo ouso dar lições do que quer que seja.

O falecimento de personalidades famosas que, como a esposa de um antigo Presidente americano que, como casal, dominou, durante décadas, a vida política e social do seu país, justifica esta reflexão.