Category Archives: Apontamento

Conversão de São Paulo (25 de Janeiro)

CONVERSÃO DE SÃO PAULO (25 DE JANEIRO)

Apóstolo sem fronteiras

A cidade de Tarso, situada no Sudeste da Turquia, conhecido entreposto comercial onde o Oriente e o Ocidente se encontravam para as suas trocas comerciais, viu nascer um rapaz franzino que desde pequeno se habituou a ver passar, para Damasco e Jericó, mercadores carregados de bálsamos e de especiarias.

Nele se terá ateado o desejo de conhecer aqueles caminhos, de ir por aí além em busca de outros horizontes, mas o seu caminho estava pensado para ser portador de uma outra mercadoria: ir por todo o mundo anunciar a Boa Nova do Amor de Deus-Pai por cada ser humano, escravo ou livre.

O Nosso Tempo

Como os construtores de catedrais

Como os construtores de catedrais

Com a imagem que o título desta crónica sugere, concluiu o Santo Padre, há dias, a magnífica “lição de sapiência” em que se traduziu a sua tradicional mensagem de Ano Novo, dirigida ao corpo diplomático acreditado na Santa Sé.

A ideia-síntese que tal imagem encerra é a de que, como os obreiros dos magníficos templos cristãos medievais, espalhados pela Europa, que sabiam não poder muitas vezes sobreviver (tão curta a vida para tão grande obra), para testemunhar a própria conclusão: também os seres humanos e as comunidades onde se inserem são chamados a trabalhar para um bem comum que os transcende e se projecta no futuro.

O Nosso Tempo

Os quatro Reis Magos

Os quatro Reis Magos.

Não, não me enganei, nem li mal a narrativa bíblica da Natividade. Eram três Reis Magos visíveis. Um era invisível. Não se vê no presépio. E não oferece nada comparável com ouro, incenso e mirra. Tem estado oculto e é cada um de nós, com as nossas ofertas de sempre: de dúvidas, angústias, tropeções, quedas, mesmo descrença. E por vezes, pequenos sucessos de abnegação e generosidade. Foi aliás o rei mago invisível, esta pobre humanidade que nos é comum, que selou o destino do Menino e o levou à Cruz. Assim acreditamos nós ,os cristãos.

Pura e Simplesmente Natal

PURA E SIMPLESMENTE NATAL

O Evangelho ressalta: «O Verbo que se fez carne e habitou entre nós».

A Encarnação do «Verbo» foi a maior revelação de Deus. Na face de Cristo brilha em plenitude a glória do Pai. (Jo., 1, 1-18).

É um Hino cristológico, pelo qual a comunidade cristã expressava a sua fé em Cristo enquanto Palavra viva de Deus, a sua origem divina, a sua influência no mundo e na história, possibilitando aos homens que o acolhem e escutam tornarem-se “filhos de Deus”.

Muito de nós é família

Muito de nós é família

Os meus filhos são únicos. São mesmo únicos e, apesar do esforço para que as regras e os valores sejam iguais para todos, não é verdade que eu sou a mesma mãe para todos e que a nossa educação é igual para todos. Educar é ajudar a crescer e, para crescer, cada filho precisa de coisas distintas, com ritmos diferentes, em doses específicas. Talvez, por isso, importe ir parando para olhar para cada um deles com toda a atenção.

Todos são completamente diferentes em temperamento, modo de fazer, nível de confiança e apetências (pelo menos, naqueles que já é possível apreciar este tipo de questões), mas todos têm algo que me transporta para mim própria, que me transporta para o meu marido ou para algum familiar mais próximo.

O Nosso Tempo

Conversas comigo mesmo

Conversas comigo mesmo

Quem gosta de converter em texto escrito as suas reflexões sobre a vida, sobre os acontecimentos, sobre as pessoas, sobre o modo enfim como cada um questiona os caminhos do mundo e assim interpela o seu próprio tempo – quem gosta de fazer isso cai muitas vezes na tentação de simplificar. Isto é, de tentar abrir as portas do entendimento com uma única chave: a da economia, a da política, a da filosofia, a da literatura, a das artes em geral, etc. etc.

Para os respectivos fiéis ou praticantes, cada uma destas vias tem valor quase absoluto.

Capa 17-11-17

Capa 17-11-17

O Nosso Tempo

Quem pode contar as estrelas?

Quem pode contar as estrelas?

Uns vivem só o presente, acreditando na estrita realidade do coração que pulsa, enquanto pulsa. A morte? É o sono de que não se desperta, a noite sem dia seguinte. Outros apostam na Ciência e acreditam que um dia poderemos contar as estrelas. Todas.

Depois há os falsos profetas. Jesus alertou os seus contemporâneos, e as gerações futuras, para o perigo dos falsos profetas.

O Nosso Tempo

Crónica do juiz distraído

Crónica do juiz distraído

Correu há tempos, nas redes sociais em Portugal, apelando à adesão de subscritores (e foram milhares os que responderam…), uma petição pública para que fosse sujeito a reprovação disciplinar o juiz que, em processo clamoroso de violência doméstica, interposto por mulher agredida pelo marido e pelo amante – em estranho conluio – resolveu perorar, na sentença, sobre o adultério. E criticar a adúltera, em vez de fustigar a agressão e de punir os agressores.

Isto é, o Meritíssimo enganou-se de perspectiva e julgou-se Deus…

Criação e Evolução

A magia da mão

A magia da mão.

A mão parece a extremidade vulgar dos membros superiores, mas o Homem já é um animal erecto e não precisa das mãos para andar, por isso pode agarrar em tudo sem se prender a nada do que ela se apropria. Quer dizer, a mão é o símbolo mais impressionante da inteligência, o Homem deita a mão a tudo e tudo cai sob o domínio do Homem. É pela mão que o Homem é o artífice do mundo. A mão é a obreira do pensamento e a presença prática do seu espírito no mundo.

Ao poder agarrar tudo, a mão do Homem supõe o cérebro e liga-se a ele.

Festa de São Francisco de Assis – 4 de Outubro

FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS – 4 DE OUTUBRO

Louvado sejas meu Senhor, pelo dom de S. Francisco à Igreja e ao mundo!

Paz e Bem a todos quantos nos lerem!

Estimados leitores, dentro de pouco tempo, vamos celebrar o santo mais parecido com Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado. Nele, em S. Francisco de Assis, foram impressas as 5 chagas, tais como as de Jesus, nas mãos, nos pés e no lado.

O Nosso Tempo

Da “inutilidade” de Deus

Da “inutilidade” de Deus

Foi o encontro o menos preparado e a conversa a mais imprevista, a deste Verão, com pessoa conhecida com quem, pelas voltas que a vida dá, não falava há muitos anos já.

Homem seco, não muito alto, Armando Silva abeira-se dos oitenta anos com dignidade, o porte erguido de uma árvore que, no pedaço de chão que lhe coube, soube espraiar as raízes no melhor húmus. Ou não tratasse ele a terra por tu, ele que durante a infância e a adolescência, com as suas mãos e o seu suor, a desbravou.

Reflexão

Acredita em Deus?

Acredita em Deus?

Esta pergunta simples e inofensiva é feita com muita frequência mas, ao contrário do que se possa pensar, a resposta é sempre muito vaga e complexa, porque na verdade não sabemos qual a ideia que cada pessoa tem na sua mente do que julga ser Deus e no qual acredita ou não.

Podemos comparar esta questão com uma outra: Se perguntarmos se consideram boa a Democracia é provável que a maioria nos responda que sim. Porém, o conceito de Democracia não é o mesmo para um chinês, um alemão ou um americano.

O Nosso Tempo

Os países são as pessoas

Os países são as pessoas

Pensar os países como entidades abstractas pode ser tentador, para quem é observador interessado da vida internacional.

Para utilizar a imagem tradicional do jogo de xadrez, nas relações entre Estados, os Governos fariam as vezes de peões, bispos, torres, cavalos, rainha… e rei. Caricaturando a referida imagem, tais peças não teriam alma. Seriam, figurativamente, como nos jogos à venda em qualquer loja da especialidade, de madeira ou de pedra polida, de marfim ou metal, mas não teriam “alma”, não possuiriam “vida”.

O Nosso Tempo

Fátima, elites e simplicidade

Fátima, elites e simplicidade

O Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima tem constituído pretexto a que múltiplos testemunhos sejam prestados sobre aqueles “acontecimentos extraordinários” da Cova da Iria, por parte de personalidades que, por via de regra, não se exprimem, ou só raramente, sobre a dimensão religiosa do nosso tempo. Dimensão que os perturba, mas que preferem ignorar, desmerecendo-a, em vez de a encarar de frente. E aqui há que distinguir a “elite” e… os outros.