Category Archives: Apontamento

O Nosso Tempo

Um Agosto (quase) como os outros...

Um Agosto (quase) como os outros…

Não é esta uma crónica das férias que já terminaram, mas quase. É seguramente o produto de várias reflexões feitas num Agosto (quase) como os outros.

Porque lá se foi esse mês que todos os anos invariavelmente é, para muitos, uma espécie de tempo mítico de todas as libertações. Da “escravatura” do quotidiano, com seus horários rígidos, as suas rotinas enfadonhas, as suas preocupações de cumprir, de competir, de vencer.

O Nosso Tempo

Imigrantes e refugiados ou a parábola do (bom?) samaritano

Imigrantes e refugiados ou a parábola do (bom?) samaritano.

As linhas que se vão seguir não pretendem ser respostas definitivas ao complexíssimo problema dos refugiados na Europa. E nem sequer respostas são, antes o pôr em causa todas as peças do puzzle, para compreender melhor essa magna questão. Compreender, desde logo… eu!

O grande debate sobre a questão dos refugiados e dos imigrantes económicos, hoje, na Europa, se coloca os líderes políticos nacionais perante difíceis questões por resolver, suscita também, nos cristãos europeus, inevitáveis problemas de consciência.

O Nosso Tempo

A Igreja num tempo que sangra

A Igreja num tempo que sangra.

Que civilização afinal nos deixaram? Ouço já a voz dos nossos filhos e netos, juízes que serão do modo como estamos a desrespeitar de forma insultuosa o futuro – o seu presente.

E nunca o futuro esteve tão ameaçado, por causas conjugadas que não nos cansamos de inventariar, mas para as quais não parecem existir respostas globais concertadas. Pela nossa voracidade colectiva, no abuso dos recursos naturais. Pela acumulação desvairada dos meios de destruição massiva, toda a gente invocando razões de segurança nacional, num mundo cada vez mais inseguro.

Beato Álvaro Del Portillo

Álvaro del Portillo

Uma vida que marca.

No dia 12 de Maio a Igreja festeja o beato Álvaro del Portillo. São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, dedicou estas palavras àquele que viria a ser o seu sucessor: “Saxum (rocha), como vejo claro o teu caminho – longo – que tens para percorrer! Claro e cheio como um campo recamado de espigas, bendita fecundidade de apóstolo…”, assim foi o beato Álvaro del Portillo.

Nasceu em Madrid no dia 11 de Março de 1914. Os seus biógrafos apresentam-no como alguém que soube levar as virtudes humanas a um grau elevadíssimo, salientam como traços do seu carácter a fortaleza, a fidelidade, a determinação, uma imensa capacidade de trabalho, a coragem que chega ao heroísmo, a par da alegria, serenidade, simpatia e bom humor.

O Nosso Tempo

O suicídio dos deuses – II

O suicídio dos deuses – II

Para além da fome e da sede, para além das inquietações do dia a dia, para além da estabilidade familiar, do futuro dos filhos, das perspectivas de carreira, do montante dos impostos, do custo de vida, da renda da casa, cada um de nós preocupa-se com outra coisa. E isso nos distingue dos seres vegetais.

Para além ainda do boletim clínico, das facturas da água e da luz e dos demais detalhes do quotidiano, cada um de nós busca ainda algo de muito diferente que não vem nessa lista.

“Senhor Bispo, o Pároco fugiu”

“SENHOR BISPO, O PÁROCO FUGIU”

O último livro que li…

“A literatura não muda o mundo, quem muda o mundo são as pessoas, mas a literatura muda as pessoas”.

Benjamim era um pároco de “carácter apaixonado” e “ultra-radical”, mas verteu “lágrimas amargas” pois sentiu-se a anos-luz de realizar o seu sonho – ser um padre santo no meio das suas ovelhas.

Deslizes verbais e não só, caprichos e provocações oriundas de “católicos sociológicos” muito ao estilo dos anos setenta, em clima de pseudo liberdade pós-Concílio Vaticano II, em que os “sinais exteriores de sacerdócio” provocavam uma paragem cardíaca, eram uma constante no quotidiano deste (des)aventurado cura.

O Nosso Tempo

O suicídio dos deuses – I

O suicídio dos deuses – I

Leio com tristeza a notícia abaixo, o que me leva a reflectir mais uma vez sobre o valor da vida, sobre os limites e enganos da Ciência e sobre os falsos postulados de uma filosofia pretensiosa, porque aniquiladora da humanidade intrínseca, essencial, que nos distingue:

“Um cientista nascido na Grã-Bretanha morreu aos 104 anos de idade depois de ter viajado para a Suíça, para terminar a sua vida numa clínica de suicídio assistido.

O Nosso Tempo

Histórias do poder e da morte

Histórias do poder e da morte

Este tema não tem nada de original, nem sequer o título. Mas as grandes lições da vida têm de ser repetidas, a espaços regulares, para podermos ir assimilando as profundas verdades que encerram. E a relação inextricável entre o poder e a morte é tema tão importante de reflexão que o resultado desta pode mudar tudo.

Sou pois, na escrita desta crónica, “filósofo” e aprendiz de filosofia, ao mesmo tempo, porque só a mim mesmo ouso dar lições do que quer que seja.

O falecimento de personalidades famosas que, como a esposa de um antigo Presidente americano que, como casal, dominou, durante décadas, a vida política e social do seu país, justifica esta reflexão.

A Igreja encontra-se perante o aumento de ataques diabólicos e possessão demoníaca

Chamados à batalha espiritual

Chamados à batalha espiritual.

A Igreja considera que os casos de ataque e possessão demoníaca estão a aumentar praticamente em todo o mundo. Este mês, o Vaticano realizou mais um curso de Exorcismo e Oração de Cura e Libertação para um grupo específico de sacerdotes. Muitos Papas, ao longo da história da Igreja, foram inspirados a alertar os fiéis para esta realidade, instruindo-os no combate espiritual. O Papa Paulo VI, no século XX, em resposta a erros da teologia moderna – em que alguns teólogos chegam a negar a existência do diabo – alertou-nos: «Sai do âmbito dos ensinamentos bíblicos e eclesiásticos [da Igreja] quem se recusa a reconhecer a existência desta realidade». Em Novembro de 1972, numa audiência, o mesmo Papa chegou a referir que «uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa daquele mal a que chamamos demónio».

O Nosso Tempo

A maçã mordida da Apple

A maçã mordida da Apple

A Apple tem um símbolo universal que nos envia imediatamente aos desafios primordiais do Génesis, os do saber “divino”, não permitido, escondido, “ilícito”: a maçã mordida de Adão e Eva. E é a propósito do saber que escrevo esta crónica.

O mundo viu surgir, desde há menos de quatro décadas, uma nova galeria de personagens, construtores de um tempo diferente, num espaço (urbano, pois tudo passou a ser urbano) diferente.

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Coliseu, a via dolorosa

Coliseu, a via dolorosa

Noite de via sacra, em Sexta-feira da Paixão, na Roma Eterna, neste ano da graça de 2018. Que segui, minuto a minuto, impregnado da atmosfera tão especial daqueles momentos.

Gente estranha aquela, a que mais uma vez ali se reunia, numa noite escura, à luz das velas, nas ruínas de um velho circo romano. Novos e velhos, crianças e adolescentes, religiosos e leigos, em encontro bizarro, na escuridão da hora.

O Nosso Tempo

“Eu em vós, vós em mim...”

“Eu em vós, vós em mim…”

Imaginemo-nos sentados em redor de um velho contador de estórias, debaixo de uma frondosa e multissecular árvore africana, dessas que desafiam raios e tempestades. E, sobretudo, sobrevivem ainda à fúria cega das serras eléctricas, armas preferidas pelos assassinos de florestas.

O velho sábio, de barbas brancas (tem de ser assim, para a estória ser “autêntica”…) ergue a voz trémula e conta:

Um dia o homem branco veio aqui e as crianças da aldeia receberam-no muito bem.

Apelidado de mais inteligente do Mundo, não reconheceu o Milagre do prolongamento da sua vida

O maior buraco negro de Stephen Hawking

O maior buraco negro de Stephen Hawking

“A religião é inimiga da ciência? (…) Ora, de facto, não é assim, apesar de persistirem alguns equívocos na relação entre essas duas actividades humanas. Elas podem coexistir. Há muitos cientistas que são crentes, estando essa crença distribuída por várias confissões religiosas. E há até alguns ministros de igrejas que não só têm uma sólida formação científica como a colocam em prática fazendo investigação. Ciência e religião são duas visões do mundo muito diferentes e, apesar da má fama criada pelo caso Galileu e pelo caso Darwin, coexistem de facto. No século XVII, Galileu já tinha o assunto muito bem arrumado na sua cabeça: ele era ao mesmo tempo crente e cientista.

O Nosso Tempo

As primaveras adiadas

As primaveras adiadas

Os verões que parecem invernos e vice-versa? As cidades transformadas, por súbitas e catastróficas inundações, em outras tantas Venezas sem gôndolas?

… não, não vou referir-me às alterações climáticas, o termómetro e o barómetro aqui são outros. Os nevões têm, neste contexto, natureza diversa; e os grandes calores provocam outro género de incêndios. Os da revolta, os da recusa da indiferença.

E, especialmente neste tempo de Quaresma que nos impele a uma interioridade mais meditada, mais profunda, é preciso recusar a indiferença, para que a alma não faleça. Assim o sente, por exemplo, a Igreja Católica no Congo que vai somando os seus mártires.

Diferença entre conhecê-lo e negá-lo

O deus dos ateus

O deus dos ateus.

Ateu – termo de origem grega, derivado da palavra theos (deus), à qual se antepôs o prefixo (a) que é uma negação – é aquele que não acredita na existência de Deus. Porém, quando uma pessoa se considera ateia é importante perceber e esclarecer qual a ideia que ela tem de Deus pois, seguramente, o deus que nega não é o mesmo Deus em que os cristãos acreditam.

No decorrer da história o ateísmo teórico foi esporádico, pontual e minoritário.