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No lado francês de St. Martin

Rota dos 500 Anos-No lado francês de St. Martin

Estamos em St. Martin, desta vez no lado francês, ancorados na baía de Marigot, depois de uma viagem a partir de St. Thomas. No primeiro dia parámos na ilha de St. John, após pouca vela e muito motor. Os ventos nestes dias estão fortes, mas sopram de um quadrante que não nos possibilita velejar em direcção a Guadalupe na rota pretendida.

A ausência de condições e o facto de estarem previstas trovoadas contribuiu para que a primeira opção tenha recaído na baía de St. John, a última possessão das Ilhas Virgens Americanas. Tem a característica de ser parque natural na quase totalidade da sua área.

Partidas, despedidas e novos amigos

Rota dos 500 Anos-Partidas, despedidas e novos amigos

Estamos de partida das Ilhas Virgens Americanas. Para nossa surpresa, saímos a meio da festividade do Carnaval! Pois é, caros leitores, o Carnaval por aqui nas Caraíbas é mesmo quando o “homem quer”.

Já perdi a conta a quantos Carnavais encontrámos nestas ilhas do mar do Caribe desde o início do ano. Até parece que combinam entre si para que acabe numa e comece na seguinte, fazendo com que todos os meses exista um Carnaval algures. Aliás, depois de todo o tempo que aqui temos passado, cada vez mais nos convencemos que festa é o que esta gente gosta. A música e o álcool são uma presença constante e diária na vivência destas ilhas.

Vento dita as regras

Rota dos 500 Anos-Vento dita as regras

A chuva e o céu encoberto acompanharam-nos quase toda a semana. O vento marcou também presença e juntamente com o Sol ajudou a recarregar as baterias, de forma que não foi necessário usar o motor ao final do dia, mesmo com o dessalinizador ligado quase a tempo inteiro. Um feito que muitos dos nossos colegas e vizinhos não acreditavam, mas que graças ao sistema de painéis solares e ao gerador eólico é possível, quando a meteorologia ajuda. Com a chegada da chuva foram-se o vento e o Sol e tivemos de voltar a recorrer ao motor.

Ajuda preciosa

Rota dos 500 Anos-Ajuda preciosa

O nosso amigo Jeff, do veleiro Selah, já nos entregou o rádio de onda curta. Como prometido, veio preparado para o ligarmos ao computador e, assim, termos acesso ao sistema Winmor para envio e recepção de e-mails em alto mar, principalmente quando atravessarmos oceanos. Não servirá, ao contrário do que poderão já estar a pensar, para enviar fotografias ou e-mails muito extensos, nem para verificar o Facebook. Para nós, que vivemos “fora da rede” e à margem do que a sociedade moderna nos pode oferecer, o acesso à Internet serve, essencialmente, para sabermos os prognósticos da meteorologia. O Facebook e as fotografias podem esperar até estarmos em terra.

Encontro familiar

Rota dos 500 Anos-Encontro familiar

A visita ao navio de cruzeiro da Disney, infelizmente, não se realizou como estava planeado. Por razões de segurança, os terminais de cruzeiro não permitem a entrada de estrangeiros, que não sejam passageiros, a bordo de navios de registo norte-americano. O meu primo ficou desiludido com a situação, mas todos compreendemos que as regras são para cumprir. Há-de haver outras oportunidades.

O encontro serviu para matar saudades e para falar da família que está do outro lado do Atlântico e que ele já não vê desde o Natal. E eu desde 2013… Passámos quatro horas juntos. Deu para almoçarmos comida chinesa e ainda para virmos ao veleiro beber uma cerveja fresca, antes de regressar ao navio para retomar funções. Daqui seguiu para as Bahamas, sendo que o cruzeiro termina em Cabo Canaveral.

Em terras americanas

Rota dos 500 Anos-Em terras americanas

É raro podermos dizer que tudo correu como planeado, mas estas linhas estão a ser escritas já ancorados em território americano.

Saímos de Saint Martin num dia de manhã, depois do pequeno-almoço, e chegámos a Charlotte Amelie no dia seguinte, por volta das nove da manhã. Foram cerca de vinte e quatro horas, 120 milhas náuticas, com vento de popa a todo o tempo. Como não temos pau de balão para manter a vela grande aberta com vento de popa, viemos com a vela principal quase a noventa graus, e com a retranca atada com um cabo como medida de precaução, para que não recuasse com alguma mudança de vento repentina. Não houve qualquer incidente durante a viagem e fizemos uma média bastante boa, apesar do pequeno susto que o nosso motor nos decidiu pregar já na chegada.

Três países de uma assentada

Três países de uma assentada

Estamos em Saint Martin. É Dia de Páscoa. Escrevo este artigo que deverá ser publicado quando já estivermos em Charlotte Amelie, nas Ilhas Virgens Americanas.

A decisão de seguirmos viagem junto às ilhas das Caraíbas, em detrimento de uma rota mais directa em alto mar, revelou-se acertada logo no primeiro dia. Saímos de Pointe-à-Pitre, juntamente com o Maião, e optámos por parar no ancoradouro de Deshaies, no norte da Ilha de Guadalupe, para passar a noite, visto que o mar estava alteroso e o vento bastante forte. No entanto, uma vez que chegámos já de noite, com visibilidade reduzida e falta de espaço, as opções para ancorar não foram muitas. O Maião chegou uma hora antes, pelo que ainda foi capaz de entrar com luz.

Em terras americanas

Rota dos 500 Anos-Em terras americanas

A última semana em Guadalupe foi passada a preparar o veleiro para a viagem rumo a Norte. Depois de analisarmos o trajecto que iríamos fazer para chegar às Ilhas Virgens Americanas, decidimos alterar os planos. Em vez de irmos em rota directa, navegaremos junto à cadeia das ilhas conhecidas como Antilhas menores, Antigua e Barbuda, Saba e São Bartolomeu, para depois, nas proximidades de St. John, já em território americano, apontarmos à ilha de St. Thomas e à sua capital, Charlotte Amelie. Esta opção leva cerca de três a quatro dias, mas dá a garantia de ser mais segura do que uma rota directa, em mar alto. Nos últimos dias o tempo tem estado algo instável, com o vento a mudar de forma repentina. As autoridades americanas, para as águas sob a sua jurisdição, têm emitido avisos diários aos barcos de pequena dimensão.

Mais portugueses nas Caraíbas

Rota dos 500 Anos-Mais portugueses nas Caraíbas

Temos estado a trabalhar para zarparmos rumo a norte, ao encontro dos amigos do Gentileza. Finalmente chegou a transmissão, que mandámos vir de Martinica, tendo-a já instalado no respectivo lugar. Apesar de recear que viesse a ter o mesmo trabalho de quando a retirei do barco, a empreitada foi mais rápida e com menos arranhões. Uma manhã foi suficiente para limpar o motor e o piso do compartimento que o alberga, pois sempre acumula água e óleo – as fugas são inevitáveis – e para colocar a caixa de 15 quilos.

Mecânica, novos amigos e alguma rádio

Rota dos 500 Anos-Mecânica, novos amigos e alguma rádio

Depois de muito ponderarmos, decidimos encomendar uma caixa de transmissão em Martinica. Comprámos em segunda-mão, pois uma nova, da mesma marca que a nossa, custa quase quatro mil euros… Esta fica-nos por muito menos. Segundo o revendedor, dá garantias de durar alguns anos. No entanto, como já nos vamos acostumando, nas Caraíbas os prazos de entrega estão sempre dependentes do transporte entre as ilhas.

A distância entre Guadalupe e Martinica é mais ou menos a mesma de Macau a Cantão, podendo ser percorrida por “ferry” em pouco mais de três horas. Ainda assim, a empresa que efectua o transporte de encomendas apenas envia os pacotes à quarta-feira.

Apeados em Point-à-Pitre

Rota dos 500 Anos-Apeados em Point-à-Pitre

A primeira experiência com clientes a bordo terminou em Point-à-Pitre, na passada quarta-feira, depois de termos deixado o arquipélago de Les Saintes no dia anterior. A travessia decorreu com vento pouco favorável e, uma vez mais, o hélice ficou preso em cabos de armadilhas de pesca, enquanto velejávamos sem o motor a funcionar. O mesmo aconteceu quando fomos para Les Saintes, praticamente na mesma área. Felizmente estávamos com o motor desligado e apenas foi necessário saltar para a água e cortar os cabos. Desaconselhamos vivamente a navegação nesta zona da costa de Guadalupe. Então se for à noite o melhor é optar por águas mais profundas.

De porto em porto

Rota dos 500 Anos-De porto em porto

A nossa experiência como “hoteleiros flutuantes” tem sido bastante enriquecedora e interessante. Apesar do esforço extra para que tudo esteja sempre limpo e em ordem, aliado à necessidade de coordenar os afazeres da vida a bordo, do veleiro, da família e dos clientes, a nova rotina até tem sido fácil de assimilar.

O plano inicial era seguir para o arquipélago de Les Saintes, depois de alguns dias junto do ilhéu de Le Gosier, mas devido ao vento forte e ao mar grande decidimos regressar a Pointe-à-Pitre, até que as condições melhorassem, algo que aconteceu passados três dias.

Passageiros a bordo

Rota dos 500 Anos-Passageiros a bordo

Antes de mais, um ano do Macaco cheio de macaquices, mas com poucas macacadas para todos os nossos leitores e amigos. Macaquices que tornem o ano divertido e sem grandes macacadas que tragam dores de cabeça. Por aqui vivemos sem notar a passagem de ano na Grande China – nem sequer na televisão houve qualquer menção ao acontecimento. Ainda assim, Kung Hei Fat Choi para todos!

Os últimos dias foram passados a fazer algo de novo, que nunca por nós foi pensado anteriormente, mas a que fomos “obrigados” para ajudar a suportar os custos da viagem. De forma a complementar a nossa fonte de rendimento, decidimos aceitar passageiros a bordo mediante pagamento.

Algum vento e peixe

Rota dos 500 Anos-Algum vento e peixe

Depois de muito reflectirmos, tomámos a decisão de rumar a norte para mais tarde reunirmos com os amigos brasileiros. Eles irão das Antilhas Holandesas directamente para as Ilhas Virgens Britânicas. Nós estamos a caminho do mesmo destino mas ainda sem sabermos se teremos permissão de entrada, pois viajamos com um cão e a NaE tem passaporte tailandês, sendo que necessita de visto de entrada em território britânico. Embora tenha visto de longa duração para o espaço Schengen e para os Estados Unidos, a burocracia inglesa pode vir a ser um entrave. Da primeira vez que lá estivemos não levantaram problemas, mas obrigaram ao pagamento de um visto de custo elevado. Acabámos, no entanto, por não permanecer mais de 24 horas, uma vez que a verba que exigiram para a entrada do cachorro, que nessa altura não tinha toda a documentação necessária, foi exorbitante e inaceitável.

Portugueses, tailandeses e espanhóis em águas francesas

Rota dos 500 Anos-Portugueses, tailandeses e espanhóis em águas francesas

Os últimos dias foram passados a confraternizar com dois casais – um espanhol e outro tailandês – que ancoraram perto de nós, e também com o navegador português José Simões, de que vos falei num dos textos anteriores. Dias de muita conversa e “comezainas” nos três veleiros, todos eles muito diferentes – o nosso de 45 pés e de fibra de vidro, assim como o do navegador português, embora o dele tenha 33 pés e seja dos anos 70. Já o veleiro espanhol é um “tanque de ferro” de 33 pés de comprimento que já esteve várias vezes encalhado em recifes sem que nada lhe acontecesse.