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Chineses que falam Espanhol… nas Antilhas Holandesas

Rota dos 500 Anos-Chineses que falam Espanhol... nas Antilhas Holandesas

A viagem de Guadalupe para Curaçao durou mais do que o previsto. Saímos no dia 26 de Maio, ao meio-dia, e chegámos no dia 31, já perto da meia-noite. Não foi muito mais do que tínhamos em mente. No segundo e no terceiro dia de viagem houve pouco vento, na terceira noite apanhámos vento muito forte, que nos rompeu um dos risos da vela principal, sendo que no dia seguinte o vento soprou sempre perto dos 30 nós. A surpresa de vento forte durante a noite causou algum pânico no seio da tripulação, mas depois de tudo estabilizado a viagem até se tornou mais confortável do que até aí. A falta de vento nos dias anteriores causou um balançar muito incómodo e desconfortável.

Largada antecipada

Rota dos 500 Anos-Largada antecipada

Com a chegada de uma frente tropical e com a possibilidade da formação de uma tempestade, após o desenvolvimento de uma frente fria na zona do continente africano, decidimos avançar para Curaçao mais cedo do que o planeado. O facto de ainda não ter começado a época oficial de tempestades (começa a 1 de Junho e termina no final de Outubro, sendo que este texto está a ser escrito a 26 de Maio) faz recear que possa ser mais forte do que o normal. Para evitar surpresas decidimos rumar às Antilhas Holandesas uns dias mais cedo, para assim estarmos fora da zona normalmente afectada por estas alterações meteorológicas.

Sem passaporte, rumo às Antilhas Holandesas

Rota dos 500 Anos-Sem passaporte, rumo às Antilhas Holandesas

Depois de quase cinco dias em águas cristalinas junto da ilhota de Gosier, voltámos às águas turvas do porto de Pointe-à-Pitre para preparar a partida dos nossos amigos de Vila Nova de Gaia. Foram dias de muita praia, mar e conversa animada, que deu para meter em dia a coscuvilhice que vem já dos tempos de universidade e se vai mantendo passados quase vinte anos.

Carlos, Brigitte e Núria voltaram a Portugal com uma tez mais escura e a pele a cair. Cansados, mas tristes de voltarem para o frio, e para o dia-a-dia de casa-trabalho-casa. A pequena Núria vai voltar para a pré-escola, depois de ter passado os dias a brincar, de manhã à noite, com a Maria.

Sangue, suor e amizade

Rota dos 500 Anos-Sangue, suor e amizade

O rumo traçado em St. Martin foi praticamente seguido à risca, sendo que o motor foi usado quase na totalidade da viagem para Guadalupe. Por muito que tentasse recorrer às velas os ventos, que deveriam ter rodado de Sudeste para Este, recusaram-se a cooperar, pelo que não foi possível passar sem o motor.

Saímos da baía de Marigot num Domingo e chegámos a Point-à-Pitre (Guadalupe) numa quarta-feira ao meio-dia – foram cerca de 200 milhas náuticas, em que 80 por cento do percurso foi cumprido com o motor ligado. As velas apenas foram içadas no lado oeste da ilha de Montserrat, contra todas as recomendações que aconselham a não passar por essa zona, devido às cinzas e gazes do vulcão que se encontra activo.

No lado francês de St. Martin

Rota dos 500 Anos-No lado francês de St. Martin

Estamos em St. Martin, desta vez no lado francês, ancorados na baía de Marigot, depois de uma viagem a partir de St. Thomas. No primeiro dia parámos na ilha de St. John, após pouca vela e muito motor. Os ventos nestes dias estão fortes, mas sopram de um quadrante que não nos possibilita velejar em direcção a Guadalupe na rota pretendida.

A ausência de condições e o facto de estarem previstas trovoadas contribuiu para que a primeira opção tenha recaído na baía de St. John, a última possessão das Ilhas Virgens Americanas. Tem a característica de ser parque natural na quase totalidade da sua área.

Partidas, despedidas e novos amigos

Rota dos 500 Anos-Partidas, despedidas e novos amigos

Estamos de partida das Ilhas Virgens Americanas. Para nossa surpresa, saímos a meio da festividade do Carnaval! Pois é, caros leitores, o Carnaval por aqui nas Caraíbas é mesmo quando o “homem quer”.

Já perdi a conta a quantos Carnavais encontrámos nestas ilhas do mar do Caribe desde o início do ano. Até parece que combinam entre si para que acabe numa e comece na seguinte, fazendo com que todos os meses exista um Carnaval algures. Aliás, depois de todo o tempo que aqui temos passado, cada vez mais nos convencemos que festa é o que esta gente gosta. A música e o álcool são uma presença constante e diária na vivência destas ilhas.

Vento dita as regras

Rota dos 500 Anos-Vento dita as regras

A chuva e o céu encoberto acompanharam-nos quase toda a semana. O vento marcou também presença e juntamente com o Sol ajudou a recarregar as baterias, de forma que não foi necessário usar o motor ao final do dia, mesmo com o dessalinizador ligado quase a tempo inteiro. Um feito que muitos dos nossos colegas e vizinhos não acreditavam, mas que graças ao sistema de painéis solares e ao gerador eólico é possível, quando a meteorologia ajuda. Com a chegada da chuva foram-se o vento e o Sol e tivemos de voltar a recorrer ao motor.

Ajuda preciosa

Rota dos 500 Anos-Ajuda preciosa

O nosso amigo Jeff, do veleiro Selah, já nos entregou o rádio de onda curta. Como prometido, veio preparado para o ligarmos ao computador e, assim, termos acesso ao sistema Winmor para envio e recepção de e-mails em alto mar, principalmente quando atravessarmos oceanos. Não servirá, ao contrário do que poderão já estar a pensar, para enviar fotografias ou e-mails muito extensos, nem para verificar o Facebook. Para nós, que vivemos “fora da rede” e à margem do que a sociedade moderna nos pode oferecer, o acesso à Internet serve, essencialmente, para sabermos os prognósticos da meteorologia. O Facebook e as fotografias podem esperar até estarmos em terra.

Encontro familiar

Rota dos 500 Anos-Encontro familiar

A visita ao navio de cruzeiro da Disney, infelizmente, não se realizou como estava planeado. Por razões de segurança, os terminais de cruzeiro não permitem a entrada de estrangeiros, que não sejam passageiros, a bordo de navios de registo norte-americano. O meu primo ficou desiludido com a situação, mas todos compreendemos que as regras são para cumprir. Há-de haver outras oportunidades.

O encontro serviu para matar saudades e para falar da família que está do outro lado do Atlântico e que ele já não vê desde o Natal. E eu desde 2013… Passámos quatro horas juntos. Deu para almoçarmos comida chinesa e ainda para virmos ao veleiro beber uma cerveja fresca, antes de regressar ao navio para retomar funções. Daqui seguiu para as Bahamas, sendo que o cruzeiro termina em Cabo Canaveral.

Em terras americanas

Rota dos 500 Anos-Em terras americanas

É raro podermos dizer que tudo correu como planeado, mas estas linhas estão a ser escritas já ancorados em território americano.

Saímos de Saint Martin num dia de manhã, depois do pequeno-almoço, e chegámos a Charlotte Amelie no dia seguinte, por volta das nove da manhã. Foram cerca de vinte e quatro horas, 120 milhas náuticas, com vento de popa a todo o tempo. Como não temos pau de balão para manter a vela grande aberta com vento de popa, viemos com a vela principal quase a noventa graus, e com a retranca atada com um cabo como medida de precaução, para que não recuasse com alguma mudança de vento repentina. Não houve qualquer incidente durante a viagem e fizemos uma média bastante boa, apesar do pequeno susto que o nosso motor nos decidiu pregar já na chegada.

Três países de uma assentada

Três países de uma assentada

Estamos em Saint Martin. É Dia de Páscoa. Escrevo este artigo que deverá ser publicado quando já estivermos em Charlotte Amelie, nas Ilhas Virgens Americanas.

A decisão de seguirmos viagem junto às ilhas das Caraíbas, em detrimento de uma rota mais directa em alto mar, revelou-se acertada logo no primeiro dia. Saímos de Pointe-à-Pitre, juntamente com o Maião, e optámos por parar no ancoradouro de Deshaies, no norte da Ilha de Guadalupe, para passar a noite, visto que o mar estava alteroso e o vento bastante forte. No entanto, uma vez que chegámos já de noite, com visibilidade reduzida e falta de espaço, as opções para ancorar não foram muitas. O Maião chegou uma hora antes, pelo que ainda foi capaz de entrar com luz.

Em terras americanas

Rota dos 500 Anos-Em terras americanas

A última semana em Guadalupe foi passada a preparar o veleiro para a viagem rumo a Norte. Depois de analisarmos o trajecto que iríamos fazer para chegar às Ilhas Virgens Americanas, decidimos alterar os planos. Em vez de irmos em rota directa, navegaremos junto à cadeia das ilhas conhecidas como Antilhas menores, Antigua e Barbuda, Saba e São Bartolomeu, para depois, nas proximidades de St. John, já em território americano, apontarmos à ilha de St. Thomas e à sua capital, Charlotte Amelie. Esta opção leva cerca de três a quatro dias, mas dá a garantia de ser mais segura do que uma rota directa, em mar alto. Nos últimos dias o tempo tem estado algo instável, com o vento a mudar de forma repentina. As autoridades americanas, para as águas sob a sua jurisdição, têm emitido avisos diários aos barcos de pequena dimensão.

Mais portugueses nas Caraíbas

Rota dos 500 Anos-Mais portugueses nas Caraíbas

Temos estado a trabalhar para zarparmos rumo a norte, ao encontro dos amigos do Gentileza. Finalmente chegou a transmissão, que mandámos vir de Martinica, tendo-a já instalado no respectivo lugar. Apesar de recear que viesse a ter o mesmo trabalho de quando a retirei do barco, a empreitada foi mais rápida e com menos arranhões. Uma manhã foi suficiente para limpar o motor e o piso do compartimento que o alberga, pois sempre acumula água e óleo – as fugas são inevitáveis – e para colocar a caixa de 15 quilos.

Mecânica, novos amigos e alguma rádio

Rota dos 500 Anos-Mecânica, novos amigos e alguma rádio

Depois de muito ponderarmos, decidimos encomendar uma caixa de transmissão em Martinica. Comprámos em segunda-mão, pois uma nova, da mesma marca que a nossa, custa quase quatro mil euros… Esta fica-nos por muito menos. Segundo o revendedor, dá garantias de durar alguns anos. No entanto, como já nos vamos acostumando, nas Caraíbas os prazos de entrega estão sempre dependentes do transporte entre as ilhas.

A distância entre Guadalupe e Martinica é mais ou menos a mesma de Macau a Cantão, podendo ser percorrida por “ferry” em pouco mais de três horas. Ainda assim, a empresa que efectua o transporte de encomendas apenas envia os pacotes à quarta-feira.

Apeados em Point-à-Pitre

Rota dos 500 Anos-Apeados em Point-à-Pitre

A primeira experiência com clientes a bordo terminou em Point-à-Pitre, na passada quarta-feira, depois de termos deixado o arquipélago de Les Saintes no dia anterior. A travessia decorreu com vento pouco favorável e, uma vez mais, o hélice ficou preso em cabos de armadilhas de pesca, enquanto velejávamos sem o motor a funcionar. O mesmo aconteceu quando fomos para Les Saintes, praticamente na mesma área. Felizmente estávamos com o motor desligado e apenas foi necessário saltar para a água e cortar os cabos. Desaconselhamos vivamente a navegação nesta zona da costa de Guadalupe. Então se for à noite o melhor é optar por águas mais profundas.