Category Archives: Opinião

Olhando em Redor

“Bamos lá cambada”

“Bamos lá cambada”

Não estava lá, mas é como se estivesse! Na quarta-feira à noite (hora de Macau) houve “jogo grande” entre Portugal e Marrocos, a contar para o Campeonato do Mundo de Futebol que decorre na Rússia.

Algumas horas antes fui convidado para assistir à partida pela televisão nas instalações do Instituto Português do Oriente (IPOR), recebendo também outro convite para ir à APOMAC. Não fui ao IPOR, mas pelas fotografias que fui recebendo, via WhatsApp, tive noção que foi grande o entusiasmo e a emoção, tanto de portugueses, com destaque para o cônsul-geral Vítor Sereno, como de alguns chineses, o que denota a sã convivência reinante nesta parte do globo.

Olhando em Redor

Dois heróis, duas sensibilidades

Dois heróis, duas sensibilidades

O vídeo está na Internet e tornou-se viral nas redes sociais. Mamoudou Gassama, de 22 anos, era até há poucos dias um desconhecido africano com estadia ilegal em França.

A sorte deste maliano mudou no passado sábado, quando salvou uma criança que estava na iminência de cair de uma varanda situada no quarto andar de um prédio em Paris. E como fez ele este acto heroico? Escalou quatro andares em menos de um minuto.

Opinião

Legalização da eutanásia? Comigo não contem!

Legalização da eutanásia? Comigo não contem!

Os deputados portugueses votaram a não legalização da prática da eutanásia no nosso país. A minha posição está expressa no título deste texto. Reconheço que não se trata de um tema fácil. Porém, sinto-me no dever de partilhar algumas razões da minha posição. Declaro, desde já, que o meu não à eutanásia em nada tem a ver com a minha opção religiosa. O sentido da dignidade da vida e da morte transcende religiões, sistemas filosóficos ou ideológicos. Sendo realidades radicadas no direito natural que, por serem intrínsecas à existência humana, são intocáveis.

Ninguém pediu para nascer. Só por situações erróneas é que a vida não resulta de um acto de amor.

Opinião

Quando leões saem da jaula

Quando leões saem da jaula

Como já tive ocasião de afirmar antes, não sou adepto de nenhum clube de futebol em particular, embora nutra alguma simpatia por alguns. Já foi ver jogos aos estádios do Porto, do Benfica, do Sporting e do Belenenses, mas prefiro assistir aos jogos no sofá da minha sala. Não sou um “doente” da bola, mas vibro de alguma maneira sempre que assisto aos jogos da Selecção Nacional ou de clubes portugueses, indiferentemente de quem são, sempre que jogam com clubes estrangeiros. Acho que há sempre coisas mais importantes em que pensar, que não o futebol, mas não posso deixar de considerar que esta actividade desportiva é um enorme polo de atenção social e, como tal, deve merecer o meu reparo.

Da Gentrificação à OPA

DA GENTRIFICAÇÃO À OPA

O país que já não é meu.

Chegar a um país que já não é meu. Os anúncios nos aeroportos – primeiro em Baku; depois em Budapeste – ao Banco da China e ao renmimbi, pré-anunciando uma paridade ao dólar há muito desejada, serviriam de interlúdio ao “outdoor” à entrada do metro de Saldanha referente a uma exposição em grande dos guerreiros de terracota de Xian. Será que há melhor metáfora para definir quem é já um dos mais influentes novos senhorios deste rectângulo à beira-mar naufragado? Dou um doce a quem adivinhar… Pensando bem, não dou nada, até porque é demasiado fácil perceber quem ele é e também não é nada difícil deduzir que nenhum dos outros candidatos é português.

Opinião

São apenas sete décadas

São apenas sete décadas.

Quando este texto for publicado, estaremos – eu mais a minha mulher – a dois dias da primeira data importante do calendário de Fátima, o 13 de Maio, que marca o arranque das comemorações das Aparições de Nossa Senhora na Cova de Iria, em 1917. Como sempre, nestas datas entre Maio e Outubro, os grupos de peregrinos de vários pontos de Portugal multiplicam-se e, uns de mais longe, outros de mais perto, lá vão caminhando rumo ao Santuário.

Cumprindo uma promessa feita por mim há alguns anos, desta vez decidimos fazer a caminhada juntos, mas tendo em conta o estado de saúde da NaE optámos por etapas semanais. Iremos caminhar todas as quartas-feiras do mês de Maio, com o objectivo de percorrer os pouco mais de cem quilómetros que separam a nossa vila do local das aparições aos pastorinhos.

Os poderes da Imprensa Livre

Os poderes da Imprensa livre

Quem como eu viveu nos tempos da censura em Portugal não pode deixar de se sentir agradecido às transformações que o País sofreu com o 25 de Abril de 1974. Nem tudo o que se passou entretanto merece a minha maior consideração, mas o facto de dispormos hoje de uma Imprensa que não está sujeita ao lápis azul dos antigos censores da ditadura, e não termos de interpretar as entrelinhas de alguns jornais sérios da época para conseguir perceber o que se passava no País e no mundo, tem um alcance que vai muito para além da liberdade de Imprensa em si mesma.

Nem sempre concordo com muitos dos critérios jornalísticos actuais, alguns mais preocupados com as vendas do seu “papel”, interessados no abastardamento da opinião pública e na manipulação dos leitores em função dos desejos dos seus editores, mas sou obrigado a considerar que o papel da Imprensa livre, apesar dos seus defeitos, é um elemento fundamental para que existam cidadãos livres e, naturalmente, críticos.

Opinião

Um outro Primeiro de Maio

Um outro Primeiro de Maio.

A semana que agora termina sempre foi uma das minhas preferidas em Macau, devido à oportunidade de deixar o território rumo a um destino de praia, a duas ou três horas de avião.

A semana dourada do Dia do Trabalhador traz uma orde, cada vez maior, de turistas do Continente, que aproveitam para entupir, cada vez mais, o já estagnado e apertado espaço que existe na península. Ainda se salva a Taipa e Coloane, que conseguem respirar um pouco, mas mesmo assim as ilhas já não são o que eram antigamente.

Que se passa no paralelo 38?

Que se passa no paralelo 38?

Após um clima amistoso e sorridente entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, durante os jogos de Inverno que se disputaram neste ultimo país, ainda oficialmente em guerra com o primeiro, o mundo ficou deveras surpreendido com as manchetes dos jornais internacionais a anunciarem a paz entre as duas Coreias e a súbita disposição do Presidente da Coreia do Norte em desnuclearizar a península coreana.

Depois de sucessivas ameaças e provocações com mísseis e testes nucleares, por parte do líder norte-coreano Kim Jong-Un, das declarações pré-guerra de Donald Trump e do medo provocado à população mundial pela iminência de um conflito nuclear em larga escala, a situação de repente parece ter-se virado para “beijos e abraços” entre as partes antes em conflito, levantando dúvidas sobre as suas verdadeiras intenções ou se toda a retórica belicista anterior não passava da orquestração de um grande “bluff”, destinado a atingir este fim.

Opinião

Ponhamos os olhos no Benfica de Macau

Ponhamos os olhos no Benfica de Macau

Há alguns anos perguntei a um deputado, também membro do Conselho do Desporto, por que razão não se investia forte na formação de atletas locais e no desporto em geral.

A resposta que obtive foi bastante elucidativa, referindo ele, em traços gerais, que o desporto local não gerava lucros avultados para os homens de negócios, sendo por essa razão que despertava pouco interesse o investimento na profissionalização, por exemplo, do futebol.

Síria. E agora?

Síria. E agora?

Síria. E agora?

Quando vivíamos no tempo do “equilíbrio pelo terror” as disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética levantavam menos receios do que aquelas que hoje confrontam os Estados Unidos com a Rússia. Naquela altura ambos detinham o maior poder nuclear bélico e temiam-se. Hoje, com esses mesmos actores a rivalizarem-se militarmente em muitas zonas de guerra; com vários outros países a exibirem as mesmas armas de destruição; com muitas dessas armas a proliferarem em mãos escondidas do conhecimento público; com uma Organização das Nações Unidas destituída dos seus poderes originais, face às coligações ad-hoc que se fazem e desfazem para determinados objectivos militares, a situação da paz mundial está muito mais perigosa.

Olhando em Redor

Atacar as influências

Atacar as influências

O relatório de 2017 do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), tornado público na passada quarta-feira, é avassalador com o aparelho executivo. Casos de abuso de poder, burla elevada, violação do segredo de justiça, burla do erário público e um suborno envolvendo serviços públicos fazem parte do rol das investigações que estiveram sob a alçada do CCAC.

«O Governo deve proceder à revisão da regulamentação jurídica do regime disciplinar dos trabalhadores da Função Pública, aperfeiçoando com a maior brevidade possível o regime de responsabilização do pessoal de direcção e chefia, concretizando efectivamente o princípio de “quem tem poder tem responsabilidade”», referiu o Comissário contra a Corrupção, André Cheong.

A “calma” pascal

A “calma” pascal

Após um fim-de-semana pascal, aproveitado pela maioria dos portugueses para umas curtas férias ou para um relaxante e sentimental encontro com a família mais longínqua, nada de novo e importante se passou neste nosso pequeno Portugal, exceptuando uns “reparos” que farei a seguir, umas já habituais greves para este período do ano (transportes, aviões, etc.) e o relembrar jornalístico de alguns milhares de milhões de euros que o Estado já injectou na banca portuguesa (BPP, Banif, BES/Novo Banco, CGD e…), tentando acalmar um sistema financeiro que mais parece um poço sem fundo.

Já sem fundo à vista estão as nossas albufeiras e rios, depois das enormes chuvadas que têm caído.

Questões de Macau

Permanências e o culto da riqueza

Permanências e o culto da riqueza.

Uma administração pública tem que ser encarada sempre de forma coerente e responsável. De quando em vez, e tal não é uma questão exclusiva da RAEM mas de qualquer administração pública, é preciso efectuar substituições de chefias, intermédias ou cimeiras. É por isso que as comissões de serviço têm um prazo. Isto tem de ser visto como um processo natural, sem drama, porque todas as administrações públicas do mundo são assim. Não podem as pessoas eternizar-se nos lugares, porque tal vai contra a própria filosofia dos cargos de chefia, que têm um limite temporal. Estas substituições não põem em causa a administração no seu todo.

A saga da Catalunha

A saga da Catalunha

Enquanto em Portugal o tema de todos os dias é a acção preventiva e a sensibilização das populações para o combate aos incêndios do próximo Verão, “nuestros hermanos” da vizinha Espanha continuam a tentar apagar o “fogo” da independência da Catalunha que, nestes últimos dias, se reacendeu com a prisão do expatriado e ex-líder independentista Carles Puigdemont, pelas autoridades alemãs, quando atravessava a fronteira vindo da Finlândia.

Em consequência da sua prisão, antecipada pela decisão do Supremo Tribunal de Espanha ter emitido um mandado de captura europeu e internacional (ao qual os serviços secretos espanhóis não são alheios…), no último fim-de-semana muitos milhares de catalães manifestaram-se em Barcelona contra a prisão de Puigdemont, cujo resultado foram mais alguns detidos e uma centena de feridos.