Monthly Archives: December 2018

Fé, Família e Mesa Farta No Natal Macaense

Reis de uma vida

Reis de uma vida.

Para parte significativa da comunidade macaense, o Natal é ainda a festa da família por excelência. A Missa do Galo é uma tradição incontornável e pratos como a sopa de lacassá ou o tacho não podem faltar na mesa natalícia. Esta quadra, no entanto, é também solidariedade e a APOMAC não esqueceu os que não têm como fugir ao estigma de um Natal solitário.

Os gigantes também choram. Acobertados por uma estatura de colosso, os 89 anos de Fernando não parecem nem tão vastos, nem tão provectos: o Natal, assegura num português abonitado pela candura do Oriente, é ainda celebrado em sua casa com um preceito antigo, com a reverência e o respeito com que a vivência da quadra lhe foi incutida pelo pai.

A Missa do Galo, que anuncia o nascimento do Menino numa humilde e despojada manjedoura de Belém, está no centro das celebrações natalícias para a família Nascimento, não fosse Fernando católico devoto e cumpridor. «Continuo a frequentar a Igreja. Eu e a minha mulher vamos à Sé todos as tardes, por volta das cinco e meia. Vamos rezar o terço, porque nessa altura o Santíssimo está exposto. Depois do terço há a missa, às seis», explica, antes de um frágil véu de tristeza se lhe abater sobre a voz.

2018 – Mensagem de Natal de D. Stephen Lee

2018 – Mensagem de Natal de D. Stephen Lee

Cristo nasceu, chegou a salvação!

Queridos Irmãos e Irmãs em Cristo,

«Eis o teu Rei, o Santo de Israel, que vem salvar o mundo» (Zac 9,9)

O nascimento do Menino Jesus está cheio do esplendor da divindade e de humanidade, e é a esperança da humanidade. O seu nome é “Emanuel” – Deus connosco – o Senhor que veio ao mundo através da Virgem Maria. O seu nascimento não apenas cumpriu as palavras do profeta Isaías, como é a maior libertação que Deus operou em prol da humanidade. A presença pessoal de Jesus Cristo faz-nos sentir que Deus, de facto, caminha connosco e deseja partilhar as nossas alegrias e tristezas.

No final do Sínodo dos Bispos, a 27 de outubro 2018, a Santa Sé divulgou o Documento Final, que propõe orientações importantes para o futuro trabalho de evangelização da Igreja. Há alguns dias atrás, enviei uma carta a todos os jovens partilhando algumas das ideias específicas do Documento que usa a narrativa de São Lucas sobre o encontro dos dois discípulos com Cristo em Emaús (cf. Lc 24, 13-35). As três partes desta secção do Evangelho incluem: «Caminhava com eles», significando «acompanhamento»; «os seus olhos abriram-se», significando «acalentar»; «partiram sem demora», significando «acção».

Carta de um Adulto ao Menino Jesus

Carta de um adulto ao Menino Jesus

Ou algumas reflexões perante o presépio.

Não me lembro há quantos anos não Te escrevo uma carta pelo Natal, Menino Jesus! Desde que deixei de ser criança, certamente, e de começar a duvidar do uso da chaminé para outros fins que não os mais óbvios.

Achei sempre, aliás, que as chaminés eram lugares impróprios para fazeres por elas descer o Teu mensageiro habitual, o Pai Natal, figura algo volumosa para evitar sujar, na descida, a sua fatiota escarlate. Ainda por cima carregado com o proverbial saco das prendas!

E um Pai Natal com o trajo conspurcado com a fuligem da descida não tem a dignidade de um Pai Natal como se vê nas fotografias!

Ou estou a trocar tudo e o Pai Natal viaja de trenó e és Tu, Menino Deus, com a leveza própria dos anjos, que desces por milagre no sapatinho ou na meia das crianças ansiosas pelo despertar do Grande Dia?

Rota dos 500 Anos

Rota dos 500 Anos

Um Natal Solidário.

Estamos a poucos dias do Natal. É pois o momento de escrever uma daquelas crónicas típicas desta época do ano. Melancólica, saudosista e a cheirar a rabanadas! No entanto, os nossos Natais pouco disto têm tido nos últimos anos.

Desde que deixámos Macau que nunca mais vivemos o que se pode chamar de “típica quadra natalícia”, com bacalhau, bolo-rei, rabanadas, Vinho do Porto, presépio e árvore de Natal. Em 2016 e 2017, por acaso, até vivemos o espírito natalício, mas devido a várias adversidades nos últimos anos, com as quais não contávamos, a nossa disposição tem sido muito pouca para apreciar o que quer que seja. Houve sempre preocupações que se sobrepuseram ao Natal, embora acreditemos que também a generosidade e o bom ambiente que se vive no Natal possa ter contribuído – mais não seja pelo facto da família ter estado toda junta – para uma mais rápida recuperação. Como sabemos, o bem-estar psicológico, no caso de doenças do foro oncológico, é tão importante como o tratamento médico.

Este ano, e porque estamos de volta ao nosso veleiro, voltamos a ficar sem bacalhau, presépio e tudo o resto… A ver se conseguimos fazer bolo-rei e rabanadas. Já Vinho do Porto e árvore de Natal, estão garantidos!

Devoção e Culto à Sagrada Família de Nazaré

Famílias chamadas à santidade

Famílias chamadas à santidade.

É interessante notarmos que após o Natal, no Domingo seguinte, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família, sendo que nunca depois do dia 30 de Dezembro. Cristo quis entrar no mundo por uma família, pela mesma “porta” que todos nós tomamos, porque a família é base do plano de Deus para a existência da Humanidade. Jesus não precisava de uma família para habitar entre nós, Deus omnipotente poderia t’Elo feito descer à terra já homem. Mas Deus quis iniciar assim a obra da Redenção, para restaurar os alicerces da Humanidade, que desabaram pelo pecado original em Adão e Eva (primeira família), o primeiro casal e matrimónio criados por Deus.

Capa 21-12-18

Capa 21-12-18

Família e Fé

Família e Fé

Simplicidade

«Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc., 2:11-12). Com estas singelas palavras o Anjo comunica aos pastores o sublime acontecimento da Noite de Natal.

Deus acaba de nascer. Vem ao mundo – criado por Ele – e vem para nos salvar. Não vem simplesmente para nos fazer uma visita de cortesia – isso já seria muito! No entanto, para Deus, isso seria muito pouco.

Veio para habitar entre nós. Veio revelar-nos o Seu infinito Amor. Veio para morrer na Cruz e abrir-nos assim as portas do Céu. É que cada um de nós vale muito: sejamos grandes ou pequenos, fortes ou frágeis, nascidos ou ainda por nascer.

Reflexão

Tempo para Deus

Tempo para Deus

A beleza do Natal não cessa de tocar profundamente o nosso coração.

É sempre comovedor contemplar o presépio e ver com os nossos próprios olhos que Deus – que é tão grande, imenso, infinito – Se torna uma criança para que nos aproximemos d’Ele com confiança, com segurança.

Torna-Se uma criança para que O possamos amar, acolher, sem nos assustarmos com o Seu esplendor divino.

Toda a Sua glória fica oculta para que não nos amedrontemos. Para que nos aproximemos sem medo, temor ou algum tipo de receio.

Teologia, Uma Dentada de Cada Vez (13)

TEOLOGIA, UMA DENTADA DE CADA VEZ (13)

O Novo Testamento revela que Pedro era o primeiro entre os Apóstolos?

O Novo Testamento mostra-nos que Jesus concedeu um tratamento especial a Pedro, que escolhera de entre os doze apóstolos. E o Novo Testamento também nos diz como Pedro desempenhou a sua tarefa? Sim, também isso nos revela!

Pedro assumiu a liderança em muitas ocasiões: ele pede ao Senhor que lhe explique as parábolas (Mateus 15:15); pergunta se a parábola é só para o grupo ou se para todos os outros (Lucas 12:41); professa ser Jesus o Messias (Mateus 16:16; Marcos 8:29; Lucas 9:20); repreende Jesus, quando mais tarde Ele prediz a Sua paixão e morte (Mateus 15:22; Marcos 8:32); dos três que Jesus levou com ele para a montanha durante a transfiguração é Pedro o único que propõe fazer três tabernáculos (Mateus 17:4; Marcos 9:5; Lucas 9:33); depois de Jesus ter dito «seja o que for que desligares na terra será desligado no céu, seja o que for que ligares na terra será ligado no céu (Mateus 18:18)», Pedro é o que pergunta quantas vezes deveriam perdoar (Mateus 18:21); promete ser-Lhe fiel no meio da perseguição (Mateus 26:33; Marcos 14:29; João 13:37); sentiu ser seu dever defender Nosso Senhor quando os soldados O vieram buscar para O prender (João 18:10); correu para o túmulo (do Senhor) depois de ter sido informado pela mulher sobre a Ressurreição (Lucas 24:12; João 20:3), sendo que João deixa-o entrar primeiro, mesmo tendo João chegado antes ao túmulo (João 20:4-5).

Java Menor – 1

JAVA MENOR – 1

O porto de Cimanuk

Demoro algum tempo mas acabo por chegar à conclusão que a Indramayu que tantas vezes visito, afinal, corresponde à Cimanuk mencionada nos textos de Tomé Pires, boticário, autor do primeiro tratado geográfico europeu sobre aquelas paragens. Embarcaria o dito, como feitor, numa das naves da expedição ordenada pelo primeiro capitão de Malaca, Rui de Brito Patalim, encarregada da exploração da costa setentrional de Samatra e Java. Tratava-se de uma armada de quatro navios liderada por João Lopes de Alvim e a viagem duraria três meses e oito dias – de 14 de Março a 22 de Junho de 1513. Resultantes dela, na toponímia local, temos os nomes “Aguada do Alvim” ou “Aguada do Siguide” (do rio Ci Gede, actual Ci Sadane que banha Tangerang) – se bem que nalguns mapas a “Aguada do Siguide” surja junto ao rio Cimanuk, muito para lá de Jacarta – ou ainda “Aguada do Padrão”, pois seria aí colocado um padrão. Recorde-se que poucos meses depois desta jornada, havia já notícia de um português envolvido em negócios naquelas paragens. Trata-se de um tal Pero Barbosa, “provedor de defuntos de Malaca, que lá mandou pelo junco da viúva do tumungão (juiz) Aregimute Raja fazenda do recém-falecido feitor Pero Pessoa”, como escreve Tomé Pires.

Época Natalícia de Muito Trabalho e Satisfação

Preparar o Natal dos outros

Preparar o Natal dos outros

Falamos de bolo-rei e presépios, mas podíamos falar de pinheiros ou outros adereços. São muitos os que nesta altura do ano trabalham para que cada família possa viver o Natal em alegria, com todo o simbolismo que esta época acarreta. Venha daí conhecer dois profissionais que fazem questão que o Natal das pessoas seja mais rico por causa deles.

Todos aqueles que vivem o Natal preparam-no de uma forma especial. Apesar de muitas coisas serem feitas à mão, em casa, pelos próprios, muitas não o são, seja por falta de tempo, jeito ou logística. Poucos fazem em casa o bolo-rei, ou sequer constroem o seu próprio presépio, mas compram tudo já feito, para embelezar a mesa, a casa ou satisfazer a “gula” da família que se junta à volta da mesa para celebrar o nascimento do Deus Menino.

Instrumento Salvífico da Humanidade

Bíblia, uma grande história…

Bíblia, uma grande história…

Era uma vez um sacerdote que viajava de comboio da cidade onde vivia para uma vila próxima, desconhecida então para ele, para dar uma conferência sobre a Bíblia. Quando chegou, na estação não havia ninguém a quem perguntar mas reparou num grupo de rapazitos que estavam a jogar futebol num campo próximo. Aproximou-se deles para obter informações:

«– Desculpem que os interrompa» – disse-lhes – «algum de vocês me pode indicar como se vai daqui para a Câmara?». Todos o rodearam e um mais despachado, de bola na mão, começou a falar com o forasteiro:

«– Oiça lá, senhor padre, para que quer ir à Câmara?».

«– Tenho de fazer uma conferência lá», respondeu o sacerdote, passando por alto o tom impertinente do rapaz.

«– E de que é que lhes vai falar?».

«– Pois olha…» – responde divertido o sacerdote – «vou-lhes falar de como se vai para o Céu».

O assombro espelhou-se na cara do miúdo que diz cheio de vivacidade:

«– Vai-lhes ensinar como ir para o Céu e não sabe como se vai para a Câmara!?».

Cismas, Reformas e Divisões na Igreja – LXXXVIII

O Relativismo – V

Não conseguimos acabar com o relativismo. Mas não vamos alongar-nos mais nestas páginas sobre este tema. Vamos pois começar a concluir e resumir. E colocamos aqui o desafio do relativismo moral. É uma das interrogações mais complexas sobre o relativismo. Se o compararmos com o absolutismo moral, poderemos encontrar respostas, ou até perceber a sua ontogénese. Sem julgamentos, nem relativismos, ou absolutismos sequer, tentemos perceber algumas das ideias que o definem, um pouco na história, mais na realidade do mundo de hoje.

O que é o relativismo moral? É mais facilmente compreendido quando comparado com o absolutismo moral, já se disse. Mas porquê? Ora, o absolutismo afirma que a moralidade depende de princípios universais (lei natural, consciência). Os absolutistas cristãos acreditam que Deus é o recurso principal – senão o único – da moralidade comum dos homens, criaturas que somos, e que essa moralidade é tão imutável quanto Ele.

Rivalidade Luso – Gaulesa na Corte do Filho Celestial

Um episódio médico

Um episódio médico

Em 1687, um século após o estabelecimento, em Shiuhing, da primeira Casa da Companhia de Jesus, assomava aos portões de Pequim um grupo de jesuítas franceses que viajara até à Ásia sob os auspícios e protecção do rei Luís XIV. Foram, é claro, prontamente recebidos pelos padres do Padroado que os alojaram nas instalações da Missão Portuguesa. Porém, bem cedo os gauleses mostraram ao que vinham: rivalizar com os lusos confrades, pois, no caso, os interesses de Estado suplantavam largamente os da Igreja. E a oportunidade de ouro não tardou a chegar…

Cartoon 21-12-18

Cartoon 21-12-18