Category Archives: Centrais

Memória Portuguesa no Nordeste da Índia e no Bangladesh – 1

Filhos dos soldados da fortuna

Filhos dos soldados da fortuna.

Os portugueses, como é sabido, comportavam-se de forma distinta dos restantes europeus que rumavam ao Oriente. Como lembra, e bem, o académico indiano David R. Syiemlieh, “eles não eram meros viajantes ou comerciantes. Muitos dos que partiam para o Oriente, aí permaneciam por longos períodos; alguns, o resto da vida”. Dado que só raras vezes se faziam acompanhar pelas mulheres, a maioria dos que permaneceram no subcontinente casaram-se com indianas. E elas, juntamente com as crianças entretanto geradas, invariavelmente adoptaram a crença dos seus maridos. “Do século XVI ao século XVIII, essa comunidade cresceria em número e importância, como aconteceu no sul e no oeste da Índia; ou cingir-se-ia a pequenos grupos, como em Bengala, sobretudo nas zonas costeiras mas também no interior montanhoso”. É esse aspecto particular de crescimento da população ao longo da Expansão Ultramarina Portuguesa que surge como padrão diferenciador em relação às restantes potências coloniais europeias, como a França, a Inglaterra, a Holanda, e outras. Com o passar dos anos, os territórios anteriormente sob administração do Estado de Índia assistirão a um influxo considerável de pessoas de extracção portuguesa, que, pese embora o progressivo descalabro económico-político português, tiveram um enorme impacto social nas regiões onde se encontravam implantadas.

Em 2018 Subiram aos Altares o Papa Paulo VI e D. Óscar Romero

Santos que amaram os pobres

Santos que amaram os pobres

Em Outubro de 2018 foram canonizadas duas figuras marcantes da Igreja do século XX. Ambas com opções fortes pelos pobres, na linha do magistério do Papa, mas duas figuras que, por razões distintas, arrastam poucas multidões na Europa.

No dia 14 de Outubro de 2018 subiram aos altares da Igreja Católica o Papa Paulo VI, que liderou a Igreja entre 1963 e 1968, e D. Óscar Romero, bispo salvadorenho que foi morto enquanto celebrava missa numa capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador. Duas figuras que, aparentemente, pouco terão em comum, excepto o facto de ter sido Paulo VI a nomear D. Óscar Romero, porque vêm de contextos diferentes. No entanto, há um ponto semelhante entre eles e o próprio Papa Francisco: a opção pelos pobres.

Olhar Ecológico sobre Myanmar

OLHAR ECOLÓGICO SOBRE MYANMAR

Uma biodiversidade ameaçada.

Dos picos nevados dos Himalaias, a norte, à orla de corais do arquipélago de Mergui, a sul, os dois mil quilómetros de extensão de Myanmar atravessam três zonas ecológicas distintas, todas elas dentro do espectro biogeográfico indo-malaio. A saber: a sub-região indiana ao longo da zona fronteiriça com a Índia e o Bangladesh; a sub-região da Indochina, a norte, na fronteira com o Laos e a China; e a sub-região sundaica, na fronteira com a Tailândia peninsular. No seu conjunto, estas regiões englobam a mais rica biodiversidade de toda a Ásia. Devido a décadas de isolamento voluntário de Myanmar em relação ao resto do mundo, pouco trabalho de investigação foi até hoje realizado no campo da história do meio-ambiente. A maior parte dos estudos existentes remontam ao período colonial britânico, e os seus dados encontram-se, portanto, desactualizados. Aliás, no País, o sector terciário só muito recentemente começou a atingir padrões internacionais, após declínio acentuado desde o início da década de 1970. A progressiva e sempre tímida abertura de Myanmar ao turismo e ao investimento estrangeiro não resultou na vinda ou formação de experientes investigadores da vida selvagem, mas tudo indica que isso virá a acontecer dentro em breve.

Passeios por Havana – 8

PASSEIOS POR HAVANA – 8

Comandante Abrantes e a Punta del Macao

Em Havana as estátuas e as placas de rua parecem ter vida própria. E também nesta cidade, como acontecera anos antes no Rio de Janeiro, deparo com veios de escorreita filosofia de parede. Na carioca urbe era um tal de Profeta Gentileza a cobrir os cinzentos e frios pilares do viaduto junto ao Terminal Rodoviário Novo Rio com quadras suas; aqui, na capital cubana, são, de autor incógnito, umas quantas máximas assertivas num nicho de parede. Letras ligadas umas às outras; a diferenciá-las cores apenas; o seguinte está inscrito: “O bom pai ensina o seu filho a trabalhar e a ter vergonha para que tenha honradez e educação porque assim para ele a porta do bem está aberta. O mau pai ensina o seu filho a ser uma pessoa vulgar sem escrúpulos e por isso espera-o aberta a porta do castigo ou a cadeia ou o cemitério”.

Passeios por Havana – 7

O frade Serra, a bailarina Araújo e o filatelista Aguiar

O frade Serra, a bailarina Araújo e o filatelista Aguiar

Ergue-se em frente ao cais e é um dos edifícios mais antigos do centro histórico o sobrado setecentista que agora aprecio na Calle Baratillo. Alberga o rés-do-chão um pitoresco museu de marionetas e serve o primeiro andar de sede principal à Oficina do Historiador, entidade criada em 1938 para preservação do vasto legado patrimonial contido nos cantos e recantos da velha Havana. Inspirar-se-iam os técnicos da reabilitação no trabalho do professor Stanislaw Lorentz, falecido em 1991 – “o seu empenho na salvaguarda do património nacional da Polónia e o seu papel na reconstrução do castelo real de Varsóvia, motivou o nosso trabalho no Centro Histórico”, reza um baixo-relevo na parede de um edifício anónimo, como é prática comum em cidades que não esquecem os seus.

Fórmula 3

Mick Schumacher no centro do mundo

Mick Schumacher no centro do mundo

O alemão Mick Schumacher vai tentar este fim-de-semana repetir a façanha alcançada em 1990 pelo seu pai – o heptacampeão mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher – e garantir o triunfo na Taça do Mundo de Fórmula 3, prova que vai coroar aquele que é presumivelmente o melhor piloto da actualidade na categoria.

Depois de há um ano se ter estreado no Circuito da Guia, o piloto germânico, agora com 19 anos, regressa ao território com a ambição reforçada pela conquista do título europeu de Fórmula 3.

Corrida da Guia – WTCR

Gabriele Tarquini perto de fazer história

Gabriele Tarquini perto de fazer história

O regresso de André Couto ao Circuito da Guia, após um ano de ausência devido a um grave acidente, e de Rui Valente às provas de principal cartaz do Grande Prémio de Macau, ao fim de dezanove anos a competir nas corridas de suporte do certame, são duas das notas de destaque da derradeira etapa da edição inaugural da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR).

O primeiro vencedor da competição será conhecido no fim-de-semana e são sete os pilotos com hipóteses matemáticas de chegar ao título, num grupo liderado pelo veterano Gabriele Tarquini.

Grande Prémio de Motos

“Rei da Guia” procura a nona vitória

“Rei da Guia” procura a nona vitória

Por razões ligadas à segurança, a ausência de Glenn Irwin, vencedor da edição de 2017 do Grande Prémio de Motos de Macau, é uma das principais notas de destaque da 52.ª edição da corrida, mas a decisão do piloto britânico dificilmente roubará magnitude à prova.

Vinte anos depois de ter vencido pela primeira vez no asfalto do território, o veterano Michael Rutter, rei incontestado de Macau em duas rodas, volta a afirmar-se como um dos grandes candidatos ao triunfo nos mais de seis mil e 200 metros do traçado da Guia.

Taça do Mundo de GT da FIA

Todos são favoritos... mas há Mortara!

Todos são favoritos… mas há Mortara!

Fazer o prognóstico para uma corrida como a Taça do Mundo de GT da FIA, ainda por cima disputada em Macau, é “brincar com o fogo” e fazer adivinhação pura. São apenas quinze carros, mas trata-se da nata do melhor que podemos encontrar.

No habitual duelo alemão pelos louros da vitória, a BMW vem a Macau este ano com apenas um M6 GT3, a Mercedes alinha três dos seus habituais AMG GT3, a Audi volta em força com quatro R8 LMS, e a Porsche também se apresenta com quatro bólides 911 GT3 R. Do País do Sol Nascente, vêm três Nissan Nismo GT-R GT3 de fábrica com o intuito (difícil) de aproveitar eventuais erros dos adversários. De facto, são poucos, mas todos bons!

Onde param Peter Dumbreck, Ricardo Maurício e Henrique Bernoldi?

Foi há 20 anos

Foi há 20 anos

Onde estão, o que fizeram e no que se tornaram os três pilotos da Fórmula 3 que subiram ao pódio do Grande Prémio de Macau há vinte anos? Em primeiro lugar ficou Peter Dumbreck, britânico; em segundo, Ricardo Maurício, brasileiro; e em terceiro, Enrique Bernoldi, também brasileiro.

Peter Dumbreck, depois de ter dominado como quis a Fórmula Vauxhall britânica em 1997/98, ter vencido o campeonato japonês de Fórmula 3 (com oito vitórias em dez provas) e o Grande Prémio de Macau, foi à conquista do mundo com os sport-protótipos da Mercedes no Mundial de Resistência da FIA.

Reflexão

Europa, terra de missão, de volta aos primórdios do Cristianismo?

Europa, terra de missão, de volta aos primórdios do Cristianismo?

Um estudo do Pew Research Center (**), com sede nos Estados Unidos, demonstra que, na Europa, Deus está cada vez mais longe da crença e da vida dos europeus, apesar de a identidade cristã permanecer importante para a maioria.

Seguindo, à letra, um texto da Rádio Renascença, dos inquiridos no estudo, 91% são baptizados e 81% foram educados na fé cristã, mas apenas 71% se afirmam cristãos. Desses, só 22% mantêm uma prática religiosa regular. Alguns dizem que se “distanciaram gradualmente da religião”, outros que “deixaram de acreditar nos ensinamentos religiosos”, e houve quem se tenha afastado devido a “escândalos ou posições adoptadas pela Igreja em relação a temas sociais”.

Preservar o que é novo, cuidando do que é de sempre

O Tecido Cultural da Europa

O Tecido Cultural da Europa

Quando falamos de património cultural, há a tentação de pensar que falamos de antigualhas, de coisas do passado, irremediavelmente perdidas num canto recôndito da nossa memória. Puro engano! Referimo-nos à memória viva, seja ela referida a monumentos, sítios, tradições, seja constituída por acervos de museus, bibliotecas e arquivos. Mas fundamentalmente tratamos de conhecimentos ou de expressões da criatividade humana… Ter memória é, assim, respeitarmo-nos. Cuidar do que recebemos é dar atenção, é não deixar ao abandono. Por isso, o património cultural que devemos proteger é sinal para que o que tem valor hoje e sempre não seja deixado ao desbarato. Como poderemos preservar o que é novo se não cuidarmos do que é de sempre?

Romarias e Procissões

Acto de liberdade

Acto de liberdade

Num Portugal perpassado pelos valores do Cristianismo, que indubitavelmente integra a nossa matriz cultural, a manifestação e a devoção pública ao sagrado é, não só um acto de devoção, como também de oração.

As tradicionais romarias e procissões reflectem a profunda religiosidade popular, especialmente querida ao coração de todos portugueses que a têm vivido através dos séculos, não obstante alguns tempos de tormenta ou menos tolerância.

Entre o Deísmo, o Racionalismo e a Revitalidade da Igreja Católica

Crise da consciência europeia

Crise da consciência europeia.

Ao longo do século XVII foi-se dando uma mudança profunda em muitos espíritos, nomeadamente por influência de ideias anglo-saxónicas (o deísmo) e de ideias francesas (o racionalismo), as quais vieram a culminar no iluminismo anti-cristão do século XVIII.

A França, principal epicentro deste cataclismo, vertiginosamente adoptou as ideias defendidas por Voltaire, declarando uma guerra filosófica contra qualquer religião positiva, nomeadamente o Cristianismo, metamorfoseando os espíritos intelectuais da época e eivando-os duma forte virulência.

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (2 de Novembro)

Pensar positivo é um acto de Fé

Pensar positivo é um acto de Fé

Com o decorrer dos dias fui-me apercebendo de que para algumas pessoas o mês de Novembro é muito triste. É óbvio que quando nos recordamos mais dos nossos entes queridos, amigos e conhecidos que já partiram, isso aviva a nossa saudade da sua amorosa presença, o que é um sinal muito humano de sensibilidade e de pura amizade.

Todavia, é bom não esquecer que a Igreja, neste mês, multiplica os sufrágios pelas almas do Purgatório e convida-nos a meditar sobre o sentido da vida à luz do nosso último fim: a vida eterna, para a qual nos dirigimos a passos rápidos.