Category Archives: Centrais

Antigos Hábitos, Vestes Modernas

Vassalagem e hotelaria

Vassalagem e hotelaria

É em períodos de feitos-lusitanos-em-época-de-regência-estrasburgo-bruxelense, altura em que o português, por norma, embandeira em arco, que mais oportuno se afigura trazer à liça algumas reflexões sobre a nossa forma de ser e de estar no mundo, neste caso sobre a péssima e incorrigível tendência para o servilismo e a subserviência. Que reforça a incómoda impressão, como escrevia Miguel Esteves Cardoso numa excelente crónica publicada na imprensa e que respiguei de um dos seus livros, de que “é só em Portugal que o tratamento que se dá aos incompatriotas atinge o nível da água das malvas, dos descontos chorudos e dos paninhos quentes”.

Cem Anos de Revolução Russa

CEM ANOS DE REVOLUÇÃO RUSSA

O Comunismo ao Poder.

A 25 de Outubro de 1917, milhares de comunistas tomaram de assalto o Palácio de Inverno do czar, em Sampetersburgo, na Rússia. O acontecimento não marcou o fim da milenar monarquia russa, que já tinha acontecido oito meses antes, mas inaugurou uma experiência política radical que mudou o mundo.

Hoje, são poucos aqueles que se consideram comunistas – pelo menos quando se compara com o que acontecia até 1991, quando a União Soviética se desmoronou.

Rússia, o Mistério de Fátima

RÚSSIA, O MISTÉRIO DE FÁTIMA

As aparições de Fátima têm várias particularidades especiais, quando comparadas com as outras grandes manifestações espirituais. Entre esses elementos, nenhum é tão inexplicável como a referência à Rússia. Como se entende que a Rainha do Céu venha à Terra falar de um país em particular? Porque o faz na outra ponta do continente, separada por um abismo geográfico, político e cultural?

Nossa Senhora faz essa referência apenas em dois momentos das aparições. Primeiro, na grande visão de Julho, na parte do segredo inicialmente revelada.

Professor Daniel Baird Wallace, referência Mundial no Estudo e Crítica do Novo Testamento em Grego

PROFESSOR DANIEL BAIRD WALLACE

Os escribas nunca comprometeram a palavra de Deus.

O Novo Testamento contém 27 livros redigidos em Grego, que datam da segunda metade do século I d.C.: quatro Evangelhos, o livro dos Actos dos Apóstolos, treze Cartas de Paulo, a Carta aos Hebreus, sete Cartas denominadas católicas ou universais – por não terem destinatário determinado – e o livro do Apocalipse. O Novo Testamento dá cumprimento ao Antigo Testamento, superando-o, apresentando-se como testemunha de novos factos e novas palavras de Deus, com os actos e ensinamentos de Jesus na sua morte e ressurreição. Nestas circunstâncias foram surgindo diversos escritos, sendo que alguns dependeram de escritos anteriores.

Em Terras de Santa Maria da Feira

O tal do Europarque

O tal do Europarque

Nasci nas Caldas de São Jorge, uma das freguesias do concelho de Santa Maria da Feira. O tal do Europarque. Dos congressos, exposições, concertos e de uma Cimeira Europeia que aí se realizou num já remoto mês de Junho. A Santa Maria da Feira do certame de cinema luso-brasileiro (entretanto extinto), do festival de música do mundo “Sete Luas e Sete Sóis”, do festival de artistas de rua “Imaginarius” e da famosíssima Feira Medieval. Mas também a Santa Maria da Feira, concelho, onde muitas das pessoas não sabe bem qual a qualidade da água que consomem…

A razão de ser de tudo

Deus e Cientistas

Deus e Cientistas.

Na sociedade moderna existe actualmente uma opinião generalizada que afirma que o estudo das ciências naturais torna desnecessária a fé em Deus, que a Religião (sobretudo a Católica) se opõe à Ciência e que a Igreja Católica é uma instituição retrógrada que combateu ferozmente o progresso científico. Mas, será que esta opinião é verdadeira?

Antes de mais, convém perceber, de forma sumária, o que normalmente se entende por Ciência nos debates sobre a sua relação com a Religião.

Os Homens do Império Sombra – 2

Joaquim Magalhães de Castro/LUMEWORLD

Mercenários, casados e os religiosos

Esta semana continuamos a contar com o contributo do historiador Manuel Lobato, concentrando agora a nossa atenção nos portugueses que conseguiram criar, consolidar e gerir uma feitoria-fortaleza no Sirião, no sul do actual Myanmar, e sob os auspícios do rei do Arracão, senhor de uma região situada a norte, nas imediações do actual Bangladesh e que em finais do século XVI e inícios do século XVII constituía o mais poderoso monarca da região. A primeira questão que colocamos ao nosso entrevistado relaciona-se com a quantidade de pessoas que residiram nessa fortaleza.

O Nosso Tempo

Homens de paz – precisam-se!

Homens de paz – precisam-se!

O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi duplamente brilhante, quer na conferência de Imprensa de 13 de Setembro, preparatória, por assim dizer, da nova sessão da Assembleia Geral, prestes a iniciar-se, quer na sua apresentação sobre o estado do mundo, introdutória das muitas intervenções de chefes de Estado e de Governo ou seus representantes, no hemiciclo da AG.

Com um perfeito domínio de todos os dossiês, como se espera de alguém que ocupa função tão exigente, António Guterres alia saber, inteligência (do coração) e uma excelente capacidade de comunicação.

Os Homens do Império Sombra – 1

O Estado de Arracão e os portugueses

O Estado de Arracão e os portugueses

Agora que o Myanmar – país que é, na realidade, uma manta de retalhos de diferentes etnias – está no centro de todas as atenções devido à corrente crise dos refugiados Rohingya e às aspirações independentistas na província do Arracão, factos que reacendem conflitos com longa história, importa recordar o papel desempenhado por uma série de protagonistas portugueses – dois deles eleitos reis locais – que nessa região viveram entre os séculos XVI e XVII. Eram os verdadeiros representantes do denominado Império Sombra acerca do qual O CLARIM falou com o historiador Manuel Lobato, do Instituto de Investigação Científica Tropical.

80 Anos de Renascença

80 ANOS DE RENASCENÇA

A par com o Mundo.

A Rádio Renascença (RR), emissora católica portuguesa, celebra este ano 80 anos de existência. Nasceu durante o Estado Novo, no mesmo mês que hoje em dia se associa à liberdade. Resulta do encontro de duas figuras, monsenhor Lopes da Cruz e o cardeal Cerejeira, que colocaram a Igreja da altura à frente do seu tempo ao projectarem uma rádio «igual às outras», mas com uma leitura crente da realidade.

Chegamos às instalações do grupo Renascença Multimédia numa quinta-feira de sol.

Francisco Contente Domingues, Investigador da História da Expansão Náutica

Francisco Contente Domingues

«O papel assistencial dos padres a bordo dos navios era muito importante».

Para melhor entender como eram as viagens transoceânicas de antanho que deram origem a realidades como Goa e Macau, O CLARIM foi até à Faculdade de Letras de Lisboa conversar com quem sabe. Neste caso, o professor Francisco Contente Domingues, talvez o maior especialista na nossa história náutica.

Voluntariado Missionário de curta duração

VOLUNTARIADO MISSIONÁRIO DE CURTA DURAÇÃO

Gestos que transformam vidas

Partir em missão por um curto espaço de tempo é o desafio ao qual centenas de jovens respondem todos os anos, normalmente durante as férias de Verão. Depois da formação adequada, a partida faz-se na certeza de que todos podemos sair e evangelizar.

Quando Jesus Cristo pegou em 72 dos seus seguidores e os enviou, aos pares, às cidades vizinhas para lhes falarem d’Ele, iniciou um movimento missionário que até hoje tem conhecido várias facetas. Há cerca de trinta anos, começaram a surgir em Portugal grupos que se chamavam de voluntariado missionário (VM), ou “Ad Gentes”.

Turismo de Massas: a maldição de uma benesse

Destinos de sonho, destinos gastos

Destinos de sonho, destinos gastos

Têm sido notícia nos últimos meses e semanas as manifestações ocorridas em Veneza e Barcelona de residentes locais fartos das hordas dos turistas que dia após dia lhes enchem os cantos da cidade onde vivem e trabalham. Não me surpreende a atitude, mas longe de mim vir aqui defender a legitimidade de quem bem soube ordenhar a vaca e agora que o copo está a transbordar ordenam ao bicho que deixe de dar leite. Obtidos todos os lucros possíveis (Veneza e Barcelona são dois perfeitos exemplos do desprezo e chulice organizada da parte dos residentes para com quem vem de fora) os visitantes deixaram de interessar. Mais: transformaram-se em “persona non grata”.

A Rússia e o Ocidente

Entre o frio escaldante e o calor gelado

Entre o frio escaldante e o calor gelado

A Rússia lançou uma nova Guerra Fria contra o Ocidente, diz-se por estes dias. E o Ocidente? Está a responder na mesma moeda? Uma parte, sim – ou pelo menos parece estar a preparar-se para isso. Outra parte – a principal – dá sinais contraditórios.

No século XX, duas visões da História enfrentaram-se com estrondo dentro das universidades e não só.

Um horizonte europeu menos carregado

Um horizonte europeu menos carregado

O receio da União Soviética, que depois da II Guerra Mundial “anexou” vários países do Leste europeu, representou um cimento para a integração da Europa Ocidental. Com o colapso do comunismo e o fim da Guerra Fria, esse cimento desapareceu. Depois da queda do Muro de Berlim, a maioria dos países que haviam estado sob o poder soviético optou por aderir à União Europeia, além da NATO.

Esse grande alargamento da UE era necessário do ponto de vista geo-estratégico, mas complicou a tomada de decisões na Europa comunitária.