Category Archives: Opinião

Já Agora!

Caminho sinuoso ou uma auto-estrada?

Caminho sinuoso ou uma auto-estrada?

Em Yongpyong – famosa estância de neve da Coreia do Sul – perguntei a um instrutor se não receava um ataque da Coreia do Norte, visto estarmos muito próximo da fronteira entre os dois países. Respondeu que nas montanhas em redor havia bases de lançamento de mísseis e que em qualquer altura seria activado o programa de evacuação, caso o então líder norte-coreano, Kim Jong-il, se lembrasse de atacar o lado de cá. E prosseguimos a conversa, dizendo ele que o conflito coreano interessava mais aos políticos do que propriamente ao povo. Este queria, acima de tudo, emprego e saúde física e financeira.

Não tanto pelo discurso em si, mas mais pela serenidade demostrada pelo meu interlocutor, rapidamente fiquei convencido que não era uma guerra que me estragaria as férias.

O Nosso Tempo

Segundo ensaio sobre a cegueira

Segundo ensaio sobre a cegueira

O título desta crónica ocorreu-me quando, lembrando-me do livro de Saramago, me dei subitamente conta de que, vivendo embora no império mundial da hiper-informação, uma nova neblina, densa, quase opaca, desce sobre nós todos, privando-nos do conhecimento objectivo da realidade e conduzindo-nos assim, sem darmos por isso, a novas formas de cegueira. Cegueira cívica. Cegueira intelectual. Porque estamos indefesos no universo global das informações falsas, manipuladas ao sabor de interesses muitas vezes inconfessáveis. E indefesos perante o vasto domínio do ciberespaço, de que o cidadão comum não sabe rigorosamente nada. E não tem, nem nas democracias reputadas como as mais liberais, qualquer capacidade de supervisão e portanto de controlo.

Audiovisuais da Toxicodependência Emocional

Cristina e outras excrescências

Cristina e outras excrescências

Fiquei a semana passada a conhecer uma criatura chamada Cristina F. que, pelos vistos, é tida como uma das mulheres mais influentes de Portugal. E isto, à conta de uma revista de conteúdos femininos, de umas quantas marcas de produtos cosméticos, de uma mui frequentada conta no Instagram e, sobretudo, devido à sua função de apresentadora de programas de televisão, ou melhor, de co-apresentadora, pois a mencionada senhora era até há bem pouco tempo a eminência parda do dinossauro José Manuel Luís Goucha, da parte da manhã, e concorrente directa e a solo do rançoso concurso dirigido pelo anafado Fernando Mendes na auto-denominada “estação pública de televisão”, ao fim da tarde.

Plástico

Vencer uma batalha para perder a guerra

Vencer uma batalha para perder a guerra

Macau juntou-se, em boa hora, ao movimento global que visa banir o chamado plástico descartável e a iniciativa, se mais não for porque teve génese na sociedade civil, merece ser aplaudida, ainda que o foco das boas intenções de quem assinou a petição recentemente entregue ao Governo esteja, a bem dizer, deslocado.

Por um lado, porque coloca o tónus da decisão nos consumidores, quando a única forma de banir palhinhas, cotonetes e empecilhos que tais é, sem apelo e sem agravo, proibir que sejam – pura e simplesmente – fabricados. Por outro lado, porque o plástico – qualquer plástico – é por natureza descartável.

Relação entre Portugal e o Brasil

Tão bastardos que nós somos

Tão bastardos que nós somos

A residir no Brasil há já alguns anos, o jornalista Carlos Fino veio, a propósito do incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, dar-nos conta da postura de um indivíduo brasileiro de nome Robson Lucas de Oliveira (descendente de portugueses, portanto), que da seguinte forma, nas redes sociais, se regozijou com o terrível sinistro que em poucas horas reduziu a cinzas um património de valor incalculável: “Justiça histórica sendo feita pelas mãos do acaso. Acaba de ser consumida em chamas a antiga Casa Grande da família que por anos dominou, massacrou, e explorou o povo brasileiro, além de ser notoriamente conivente com a escravização dos negros africanos”.

Opinião

O “trumpismo” e as nossas escolhas

O “trumpismo” e as nossas escolhas.

Não, não vou falar sobre Trump e as suas últimas “aventuras” na cimeira da NATO, na visita ao Reino Unido ou no seu encontro com Putin, em Helsínquia. Os disparates que disse antes dos encontros são os habituais “fake news” das suas conclusões desses mesmos encontros.

Sobre este tema prefiro interrogar-me sobre a postura submissa dos dirigentes mundiais, face às provocações arrogantes deste Presidente americano, antes de iniciar as suas conversações com os outros líderes. Noutro tempo, metade dos insultos que profere já tinham dado origem a uma guerra!

Olhando em Redor

Vida humanas em risco

Vida humanas em risco

No mundo actual é cada vez maior o grau de incidência de doenças severas no Ser Humano. As razões são várias, entre as quais a crescente poluição atmosférica e a alimentação desregrada e com produtos alterados quimicamente.

Os avanços científicos da Medicina, por outro lado, têm ajudado a que o Ser Humano consiga, na medida do possível, minimizar ou ultrapassar as contrariedades resultantes da vida no planeta.

Opinião

Brexit, o pesadelo dos britânicos

Brexit, o pesadelo dos britânicos

A saída do Reino Unido da União Europeia, prevista para Março de 2019, está a tornar-se num verdadeiro quebra-cabeças para a Primeira-Ministra britânica Theresa May.

Mal tinha acabado de convencer os seus ministros eurocépticos a aceitarem o seu plano de negociações para as tarifas comerciais com a União Europeia, com o objectivo de tentar convencer esta última a uma parceria comercial entre as partes, naquilo a que se convencionou chamar de “soft Brexit”, eis que o seu ministro responsável pelas negociações do Brexit, David Davis, e o seu adjunto, decidiram demitir-se por discordarem da proposta.

Opinião

A Quadratura do Círculo Europeu

A Quadratura do Círculo Europeu.

Os europeus, através das resoluções tomadas pelo Conselho Europeu da semana passada, tomaram consciência do quão difícil é resolver entre si o problema das constantes migrações que chegam à Europa, oriundas do continente africano.

No centro desta discussão estava, para uns, a política europeia de Asilo Comum dos migrantes, enquanto para outros o que estava em causa era a travagem completa dessas migrações.

Opinião

De Erdogan a Marcelo, no intervalo do futebol

De Erdogan a Marcelo, no intervalo do futebol

Erdogan, o Presidente da Turquia, foi reeleito, assumindo o poder executivo do País. O partido “Aliança do Povo”, que o apoia, ganhou a maioria no Parlamento. A partir de agora podem decidir sozinhos o orçamento, legislar como querem e até nomear todos os juízes. Está aberta a porta a mais uma futura ditadura tratada com pinças, não fora a Turquia um dos membros da NATO (mas que anda a comprar muito armamento à Rússia…).

Tratado com pinças está igualmente o novo Governo conservador da Itália, que juntamente com Malta recusa receber mais emigrantes oriundos do Norte de África, abandonando todos aqueles infelizes à deriva no Mediterrâneo e fugindo às decisões que, sobre essa matéria, foram aprovadas na União Europeia.

Olhando em Redor

“Bamos lá cambada”

“Bamos lá cambada”

Não estava lá, mas é como se estivesse! Na quarta-feira à noite (hora de Macau) houve “jogo grande” entre Portugal e Marrocos, a contar para o Campeonato do Mundo de Futebol que decorre na Rússia.

Algumas horas antes fui convidado para assistir à partida pela televisão nas instalações do Instituto Português do Oriente (IPOR), recebendo também outro convite para ir à APOMAC. Não fui ao IPOR, mas pelas fotografias que fui recebendo, via WhatsApp, tive noção que foi grande o entusiasmo e a emoção, tanto de portugueses, com destaque para o cônsul-geral Vítor Sereno, como de alguns chineses, o que denota a sã convivência reinante nesta parte do globo.

Olhando em Redor

Dois heróis, duas sensibilidades

Dois heróis, duas sensibilidades

O vídeo está na Internet e tornou-se viral nas redes sociais. Mamoudou Gassama, de 22 anos, era até há poucos dias um desconhecido africano com estadia ilegal em França.

A sorte deste maliano mudou no passado sábado, quando salvou uma criança que estava na iminência de cair de uma varanda situada no quarto andar de um prédio em Paris. E como fez ele este acto heroico? Escalou quatro andares em menos de um minuto.

Opinião

Legalização da eutanásia? Comigo não contem!

Legalização da eutanásia? Comigo não contem!

Os deputados portugueses votaram a não legalização da prática da eutanásia no nosso país. A minha posição está expressa no título deste texto. Reconheço que não se trata de um tema fácil. Porém, sinto-me no dever de partilhar algumas razões da minha posição. Declaro, desde já, que o meu não à eutanásia em nada tem a ver com a minha opção religiosa. O sentido da dignidade da vida e da morte transcende religiões, sistemas filosóficos ou ideológicos. Sendo realidades radicadas no direito natural que, por serem intrínsecas à existência humana, são intocáveis.

Ninguém pediu para nascer. Só por situações erróneas é que a vida não resulta de um acto de amor.

Opinião

Quando leões saem da jaula

Quando leões saem da jaula

Como já tive ocasião de afirmar antes, não sou adepto de nenhum clube de futebol em particular, embora nutra alguma simpatia por alguns. Já foi ver jogos aos estádios do Porto, do Benfica, do Sporting e do Belenenses, mas prefiro assistir aos jogos no sofá da minha sala. Não sou um “doente” da bola, mas vibro de alguma maneira sempre que assisto aos jogos da Selecção Nacional ou de clubes portugueses, indiferentemente de quem são, sempre que jogam com clubes estrangeiros. Acho que há sempre coisas mais importantes em que pensar, que não o futebol, mas não posso deixar de considerar que esta actividade desportiva é um enorme polo de atenção social e, como tal, deve merecer o meu reparo.

Da Gentrificação à OPA

DA GENTRIFICAÇÃO À OPA

O país que já não é meu.

Chegar a um país que já não é meu. Os anúncios nos aeroportos – primeiro em Baku; depois em Budapeste – ao Banco da China e ao renmimbi, pré-anunciando uma paridade ao dólar há muito desejada, serviriam de interlúdio ao “outdoor” à entrada do metro de Saldanha referente a uma exposição em grande dos guerreiros de terracota de Xian. Será que há melhor metáfora para definir quem é já um dos mais influentes novos senhorios deste rectângulo à beira-mar naufragado? Dou um doce a quem adivinhar… Pensando bem, não dou nada, até porque é demasiado fácil perceber quem ele é e também não é nada difícil deduzir que nenhum dos outros candidatos é português.