A Faculdade de Estudos Religiosos faz 10 anos

Teologia Sagrada em Macau

A Faculdade de Estudos Religiosos faz 10 anos.

Na passada semana a Faculdade de Estudos Religiosos da Universidade de São José fez 10 anos. Em 2007, após um interregno de quase meio século, os estudos teológicos regressaram a Macau pela mão da Universidade de São José em colaboração com a Universidade Católica Portuguesa.

No passado estiveram sediadas em Macau as duas instituições, o Colégio de São Paulo e o Seminário de São José, que durante séculos foram as únicas responsáveis pelo ensino da teologia católica no Extremo Oriente. Após um incêndio em 1835 que destrui por completo o Colégio de São Paulo, o Seminário de São José passou a ser a única instituição que em Macau continuou a ensinar teologia, até que nos anos 60, devido à influência da Revolução Cultural Chinesa, teve também ele de fechar portas.

A Faculdade de Estudos Cristãos, que recentemente passou a Faculdade de Estudos Religiosos, ao cumprir a tarefa de trazer de volta a Macau os estudos de teologia, alicerça-se numa longa tradição que se desenvolveu nestas ilhas ao largo de vários séculos. O facto de que neste momento a FER esteja instalada no edifício do próprio Seminário de São José representa, sem dúvida, mais um vínculo a essa tradição histórica que os missionários portugueses iniciaram por estas partes do mundo.

Assim, na passada sexta-feira a FER comemorou o seu décimo aniversário com a celebração de uma missa votiva em honra de São Francisco Xavier (o padroeiro da Faculdade), na capela do Seminário, onde aliás se encontra a relíquia do fémur do santo. Sob o semblante sereno da imagem de São Francisco Xavier colocada no altar-mor, o Santo Sacrifício da Missa foi presidido pelo reitor da USJ, padre Peter Stilwell, e entre os concelebrantes encontravam-se dois ex-alunos da FER, um verbita do Vietname e um dominicano da Birmânia. Encontravam-se também entre os fiéis sete irmãs missionárias que terminaram os seus estudos de teologia na FER o ano passado. Estas envergavam com orgulho o hábito dominicano, símbolo do brio e da alegria com que se ofereceram para o serviço de Deus e da sua Santa Igreja.

Depois da missa, houve convívio cultural e desportivo, sem esquecer, como não podia deixar de ser, o tão importante almoço.

O evento tinha uma identidade verdadeiramente católica no sentido etimológico da palavra, isto é “universal”, na medida em que estavam juntas raças, nacionalidades, língua e culturas diversas, todos debaixo da mesma fé em Jesus Cristo e na sua Igreja. Reflexo desta universalidade foi ouvir-se na missa tanto o Latim da velha Roma como o Tétum do quase recém-nascido Timor independente ou, no convívio cultural, ver ao lado um do outro, o canto gregoriano e o pop moderno cantado em Chinês, Vietnamita, Birmanês ou Inglês. Os diferentes grupos nacionais que engrossam a calda da FER tiveram a oportunidade de mostrar do que eram capazes – e se o fizeram… – dançaram, cantaram, representaram, fizeram trinta por uma linha!; houve danças da Birmânia, de Timor-Leste, do Vietname, das Filipinas, e até da Indonésia.

As actividades desportivas da tarde não ficaram nada atrás e era do outro mundo assistir às novas freirinhas de habito, com véu e tudo, a jogar basquete, voleibol, etc.; afinal o habito não estorva!!!

Um momento importante nas comemorações foi o lançamento da revista Orientis Aura: Macau Perspectives in Religious Studies, a revista da FER que se apresenta como mais um instrumento na tarefa de voltar a trazer Macau para o centro da investigação teológica, lugar que já ocupou no passado. A revista pode ser consultada em: https://hub1.usj.edu.mo/index.php/orientisaura/index

A celebração dos 10 anos da FER da USJ e o lançamento da Orientis Aura são prova de que em Macau há mais vida para além do jogo.

Roberto Ceolin 

Universidade de São José

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