Rota dos 500 Anos-Ilha das especiarias

Ilha das especiarias

E chegámos, finalmente, à ilha de Grenada! Estamos com os nossos amigos do veleiro brasileiro Gentileza e com um casal alemão/americano que tivemos o prazer de conhecer nas Ilhas Virgens Americanas, com quem temos mantido contacto regular desde então. Depois de St. Thomas já tinham estado connosco em St. Lucia, após terem sido apanhados pelo último furacão do ano passado, em St. Kitts e Nevis.

A viagem de Carriacou para a ilha de Grenada foi feita sem grandes problemas, sempre com ventos fortes, o que nos proporcionou uma travessia de apenas seis horas, ao invés das dez horas que pensávamos demorar.

Em Grenada decidimos ficar pela capital, St. George, em vez de seguirmos até ao lado sul da ilha, onde se encontra a maior parte dos veleiros nesta altura do ano para se protegerem das tempestades. O nosso plano inicial era ficarmos uns dias e irmos também para o lado sul mas, pelo menos até Setembro, iremos estar por aqui, pois o veleiro Gentileza – veio de propósito dos Estados Unidos da América para se juntar a nós – tem a marina paga por três meses. Isto já depois de termos alterado os planos ao decidirmos não prosseguir para as ilhas holandesas em Maio. Assim que tiver de sair da marina e se todos os trabalhos no nosso veleiro estiverem concluídos, iremos decidir se zarpamos então para Sul, ou se ficamos todos por aqui até ao momento de rumarmos ao Panamá. O catamaran da tripulação portuguesa que irá acompanhar-nos já está em Prickly Bay, no sul da ilha de Grenada, esperando por nós para começarmos a preparar a travessia pelo Canal do Panamá.

Nos próximos dias vamos colocar uma cobertura em cima do poço e proceder a outros melhoramentos por forma a tornar a vida a bordo mais confortável e segura. A cobertura, depois de nos terem pedido vinte mil euros em Martinica, irá ficar muito (mas muito) mais barata, uma vez que vai ser feita por mim e pelo nosso amigo alemão. Não ficará perfeita, mas concebê-la dar-nos-á muito prazer. Mais tarde darei notícias sobre o desenvolvimento deste projecto. Assim que a cobertura estiver pronta serão instalados todos os painéis solares e, possivelmente, mais dois, aumentando a nossa capacidade de produção de energia.

Enquanto aqui estivermos iremos também substituir grande parte dos cabos eléctricos, nomeadamente os que ligam o motor, o alternador e conectam as baterias. Tencionamos instalar um novo controlador de carga do alternador, um controlador de carga para as baterias e um isolador, para melhorar o sistema de carga e tentar proteger e prolongar a vida das baterias AGM que adquirimos em Martinica.

Se houver tempo e orçamento vamos tratar da instalação do segundo gerador eólico (que temos armazenado) e mudar as “cortinas” do poço, porventura por janelas fixas em alumínio, se for mais barato do que usar tecido e “flexiglass”.

Relativamente a Grenada, ainda pouco conhecemos mas sabemos que é denominada por “spice island” (ilha das especiarias). Faz da fama cartaz turístico, especialmente com a noz moscada, que é indígena destas paragens. Praticamente todos os pratos tradicionais – principais e de sobremesa – levam noz moscada, dando-lhe um sabor característico. Um problema para quem, como a minha mulher, não gosta desta especiaria. Felizmente há muitos outros tipos de comida, também local, que não leva noz moscada. Logo não passará fome quando comermos fora.

João Santos Gomes

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