BANCO DO VATICANO

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IOR não deve alinhar com o sistema financeiro mundial

Uma missão aceite «com alegria», que exige «muita humildade». Foi deste modo que Jean-Baptiste De Franssu comentou a nomeação para presidente do Instituto para as Obras da Religião.

Francês, 51 anos, casado e pai de quatro filhos, De Franssu tem vasta experiência em finanças internacionais. Em entrevista à Rádio Vaticano, disse que vê a nova função «como uma missão» e que espera «atender às expectativas».

Em comparação com o antecessor, Ernst von Freyberg, o novo presidente do IOR reconheceu ter a «grande vantagem» de chegar «depois do trabalho que ele já fez». De Franssu já está envolvido no trabalho da Comissão Cosea desde Agosto de 2013 e no Conselho de Economia desde Maio de 2014. Nesta fase conquistou «um melhor conhecimento e compreensão do funcionamento administrativo e financeiro da organização da Santa Sé» e da «direcção que o Santo Padre quer dar a toda a organização».

De acordo com De Franssu, o Papa Francisco tem em mente um IOR que de acordo com a sua pregação cumpra a missão da Igreja de «ajudar os pobres» e «propagar a fé». Serão abordadas as «ferramentas» confiadas ao IOR para esse fim.

O «segundo elemento» significativo do novo IOR é a «maior transparência», já antes incentivada pelo Papa Bento XVI com a nomeação de Von Freyberg. «O IOR não deve ser diferente dos principais bancos», disse o novo presidente, acrescentando: «mas tem um foco muito importante nos clientes: temos que satisfazer as expectativas do cliente de atender às necessidades das congregações e das dioceses, tanto em termos de qualidade de serviço como de qualidade dos produtos».

De Franssu negou que o IOR vá alinhar-se ao «sistema económico-financeiro mundial», embora tenha sublinhado a necessidade óbvia do respeito «imperativo» pelo «conjunto das regras internacionais».

Como conciliar a necessidade de gerar lucros com o respeito do IOR pela ética e pela transparência? Para o responsável a Santa Sé precisa de uma «instituição equivalente a um banco» e que permita as transacções com o mundo exterior, onde o IOR se limite a ser uma «instituição financeira».

«É desejável e normal que todos os dicastérios, congregações e dioceses se possam relacionar com uma estrutura da Santa Sé em vez de se relacionarem com outros bancos comerciais, com os quais nem sempre compartilhamos todos os valores», referiu.

Quanto à temida perspectiva de encerrar o IOR, afirmou que «foi importante analisar as possibilidades», pelo que depois de se estudar essa hipótese «percebeu-se que o IOR era necessário».

A realidade do mundo financeiro de hoje, em mudança constante e vertiginosa, com destaque para «a falta de um número suficiente de profissionais do sector», faz o Santo Padre ter a intenção de «envolver cada vez mais profissionais em todos os aspectos da vida administrativa e financeira, a fim de ajudar a Igreja», concluiu.

In ZENIT

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