Gruta é janela para o Céu

Igreja Católica celebrou a 11 de Fevereiro as Aparições de Nossa Senhora em Lourdes

Gruta é janela para o Céu.

Na passada segunda-feira, dia 11 de Fevereiro, a comunidade católica no mundo acordou com mensagens pelo dia festivo de Nossa Senhora de Lourdes e com o desejo de celebrar a efeméride. Em Macau não poderia ser diferente. O dia encheu-se de Maria Santíssima. Houve troca de mensagens electrónicas com ilustrações e orações, e encontros de amigos e familiares, numa partilha de amor e união à Santa Mãe.

A devoção mariana está bem presente em Macau. Em parte devido à cultura católica da fé do povo português, que foi acariciado em 1917 com uma aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria, em Fátima. Em algumas igrejas do território os fiéis reúnem-se com práticas comunitárias de devoção à Mãe de Deus. Seguem os conselhos de Nossa Senhora, como a oração do terço, que vezes sem conta a Mãe Celeste nos tem pedido, como o fez em Lourdes rezando-o com a Santa Bernadette na sua primeira aparição, a 11 de Fevereiro de 1858.

Na igreja da Sé Catedral os fiéis são convidados a rezarem o terço em comunhão na fé. Em língua portuguesa é recitado todos os dias (excepto ao Domingo), às 17 horas e 30. É normalmente rezado junto do Santíssimo Sacramento, que está exposto durante o dia num altar lateral da nave central da Sé Catedral, anexo à sacristia. Aqui, junto a Jesus sacramentado, também a comunidade de língua chinesa reza o terço pelas 20 horas.

Em Macau há pelo menos duas réplicas da gruta de Lourdes, em espaços públicos. Certamente haverá outras no domínio privado. As réplicas da gruta de Lourdes encontram-se na igreja da Penha e no pátio do Seminário de São José.

No livro “Toponímia de Macau”, da autoria do padre Manuel Teixeira, há um texto dedicado à Ermida da Penha, lugar de culto católico, prestes a perfazer quatro séculos, tendo a primeira capela ali sido edificada em 1622. Sobre a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, que está junto à igreja actual – construída em 1934-1935 –, diz o livro: “A gruta foi construída em 1908, por iniciativa de D. João Paulino de Azevedo e Castro, bispo de Macau (1903-1918)”.

O MILAGRE DE LOURDES

A 11 de Fevereiro de 1858, Nossa Senhora apareceu numa gruta em Lourdes (França) a uma menina de catorze anos, de seu nome Bernadette Soubirous, simples, humilde e pobre, que mal sabia ler e escrever. Juntamente com uma irmã e uma vizinha recolhiam lenha perto da gruta de Massabielle. Tinham que passar descalças por um riacho e Bernadette, que sofria de asma, não queria por os pés na água fria. Por isso, deixou-se ficar na margem. Foi então que ouviu um barulho nas árvores e uma corrente de ar envolveu-a, ao mesmo tempo que via uma senhora muito bonita, radiosa, vestida de branco com uma faixa azul, sorrindo. De seguida, as duas rezaram o terço.

A família de Bernadette era muito pobre. À medida que a comunidade ia sabendo do sucedido aumentavam as pressões e as reacções desagradáveis por parte do povo, pois muitos duvidavam da jovem menina. A família viveu momentos de tensão e falta de paz, tendo inclusivamente a polícia levado Bernadette para interrogatório sem o consentimento dos pais. De tanto chorar e impelida interiormente para voltar à gruta, acabaria por obter autorização dos pais para regressar ao local.

Na terceira aparição, ocorrida a 18 de Fevereiro do mesmo ano, Nossa Senhora apareceu e sorrindo falou-lhe pela primeira vez: «Quer ter a bondade de vir aqui durante quinze dias? Não lhe prometo a felicidade neste mundo, mas no outro». Durante as aparições pediu-lhe que rezasse pelos pecadores e convidou os fiéis à oração e penitência.

No dia 25 de Fevereiro (nona aparição), a pedido de Nossa Senhora, Bernadette cavou com as mãos o chão junto à gruta, de onde a Mãe dos Céus fez brotar uma fonte de água. Posteriormente, disse a Bernadette para beber da fonte, que se viria a revelar milagrosa. Ainda hoje milhares de peregrinos ali vão, idos dos cinco continentes, para se banharem e beberem daquela água. Muitos deles têm sido curados, unidos à sua fé, de forma milagrosa.

Nossa Senhora pediu ainda a Bernadette que no local fosse construída uma igreja, para ali distribuir as suas bênçãos. A menina levou a mensagem ao pároco de Lourdes e este, céptico, pediu-lhe que perguntasse o nome à Senhora que lhe aparecia. Queria, pois, uma prova que o fizesse acreditar no que ouvira. Na aparição do dia 25 de Março, Nossa Senhora disse a Bernadette, no dialecto falado na região de Lourdes: «Eu sou a Imaculada Conceição».

Havia passado apenas quatro anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por parte do Papa Pio XI. Agora, Nossa Senhora confirmava-o em Lourdes. Logo de início, Bernadette não entendeu a mensagem. Pensou que fosse ouvir: “Eu sou Maria”. De modo a não se esquecer, foi todo o caminho até ao pároco a repetir a frase “Eu sou a Imaculada Conceição”. Este apanhou um susto quando Bernadette disse o nome da Senhora, pois sabia que a pobre menina não tinha condições de “criar” ou entender o nome. Depois de reflectir acerca dos acontecimentos, entre os quais o anúncio do dogma, o bispo de então promoveu a construção da igreja, que viria a dar origem a um dos mais belos santuários marianos no mundo, fonte de muitos milagres e conversões, e local de acolhimento de fiéis dos mais variados países.

As aparições de Nossa Senhora em Lourdes ocorreram entre 11 de Fevereiro (quinta-feira) e 16 de Julho (sexta-feira) de 1858, num total de dezoito aparições.

CIÊNCIA COMPROVA LOURDES

O padre René Laurentin, teólogo, académico, exegeta e historiador, é uma referência mundial em Mariologia e no fenómeno das revelações privadas. Os seus numerosos estudos sobre Lourdes tornaram-no um historiador de referência das aparições marianas. O seu trabalho e estudo sobre Lourdes encontra-se reunido em diversos livros, aos quais se somam vários volumes de documentos. Muitos destes são provas científicas e certificadas. Há, entre outras peças, documentação de relatórios de curas, sendo que os médicos que as atestaram comprovam a falta de meios científicos para explicar o desaparecimento de doenças incuráveis e terminais, como incapacidade física e mental.

Recorde-se o episódio de um médico que viria a ser Nobel da Medicina em 1912. Falamos de Alexis Carrel, que acabou por converter-se ao Catolicismo graças aos milagres que presenciou em Lourdes, desde 1903, quando ainda era um jovem médico ateu.

Na época, um colega de profissão que iria acompanhar um grupo de peregrinos a Lourdes pediu-lhe, por razão de força maior, que o substituísse. Carrel aceitou, pensando que assim teria a oportunidade de comprovar a falsidade dos supostos milagres. No entanto, viria a ser testemunha de um milagre, acabando por se converter.

O médico observou, analisou e acompanhou todos os sintomas de uma mulher tuberculosa, já no leito da morte. Não teve dúvidas de que ela morreria a qualquer momento. Contudo, uma vez transportada até à gruta, a doença da mulher foi-se desvanecendo, quando colocada em contacto com a água da fonte, diante dos olhos incrédulos do jovem médico.

Neste local de graça todos os anos são testemunhadas inúmeras curas, tanto do foro físico como espiritual, que transcendem a percepção humana e reduzem o Homem à sua dimensão limitada perante Deus.

Para o Senhor sim, nada é impossível, como disse o anjo Gabriel à Virgem Santíssima, na anunciação da encarnação do Verbo (Lucas 1:37).

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

NOTA: Justamente no dia 11 de Fevereiro de 2013, o agora Papa emérito Bento XVI, na celebração da memória de Nossa Senhora de Lourdes, estremeceu o mundo católico com a notícia da sua renúncia à Cadeira de Pedro. Há mais de 600 anos que tal não acontecia….

Miguel Augusto 

 com Aleteia e Felipe Aquino

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