Partidas, despedidas e novos amigos

Rota dos 500 Anos-Partidas, despedidas e novos amigos

Estamos de partida das Ilhas Virgens Americanas. Para nossa surpresa, saímos a meio da festividade do Carnaval! Pois é, caros leitores, o Carnaval por aqui nas Caraíbas é mesmo quando o “homem quer”.

Já perdi a conta a quantos Carnavais encontrámos nestas ilhas do mar do Caribe desde o início do ano. Até parece que combinam entre si para que acabe numa e comece na seguinte, fazendo com que todos os meses exista um Carnaval algures. Aliás, depois de todo o tempo que aqui temos passado, cada vez mais nos convencemos que festa é o que esta gente gosta. A música e o álcool são uma presença constante e diária na vivência destas ilhas.

Esta crónica está a ser redigida dois dias antes de levantarmos âncora, para rumarmos a sul, mais precisamente à ilha de Guadalupe. A viagem deve levar cerca de quatro dias, o que faz com que não haja muito tempo para enviar o texto a fim de ser publicado.

Temos planeado sair no sábado, para chegarmos a Guadalupe, se tudo correr de feição, na terça ou quarta-feira.

Ainda não sabemos se os ventos nos irão proporcionar uma viagem directa, mas de qualquer forma, com ou sem paragens, a rota será percorrida junto à cadeia de ilhas. Se nos apetecer parar para descansar um ou dois dias, poderemos fazê-lo para que tudo corra sem grandes problemas. Também no caso de acontecer algum imprevisto, ou se as condições meteorológicas se deteriorarem, podemos sempre procurar abrigo e esperar por uma melhor oportunidade.

Os últimos dias foram passados com o amigo Jeff, do veleiro Selah, que por aqui vai ficar mais algum tempo antes de zarpar sem rumo definido. Possivelmente, muito ao seu estilo – adora viagens longas e solitárias – irá directamente para Grenada, onde irá passar a próxima época dos furacões. Nós, se tudo correr como planeado, iremos estar fora da zona afectada pelas intempéries, ancorados nas Antilhas Holandesas ou já no Panamá. Estamos mais inclinados para sairmos directamente de Guadalupe (ou mesmo de Martinica) para Curacao, e dali seguirmos para o Panamá.

Num dos dias passados com o Jeff aproveitámos para almoçar pizza pela última vez. Existe aqui um restaurante típico americano de pizzas, em tudo semelhante aos que se encontram em muitas esquinas de Nova Iorque, com as suas pizzas de tamanho gigante. Para terem uma ideia, a pizza mais pequena é muito maior do que a maior que a Pizza Hut vende em Macau. Eu que adoro pizza não consigo comer mais do que duas fatias, ou três com algum esforço. Em Macau comia sozinho uma pizza familiar da Pizza Hut, se estivesse com fome.

Depois do almoço visitámos a feira do Carnaval de St. Thomas, num enorme parque de estacionamento que foi transformado em feira de diversões, ao estilo Feira de Março (em Aveiro) ou Feira Popular (em Lisboa), com todo o tipo de atracções para as crianças e graúdos. E, claro está, com os habituais comes e bebes, ao som de música, sendo que esta dura até altas horas da noite. Quando não é muito barulhenta, ajuda a embalar-nos para o sono visto que estamos ancorados a poucas centenas de metros do local.

A ida à feira foi uma alegria para a Maria, que teve o privilégio de pela primeira vez na vida experimentar as emoções fortes das antigas máquinas de diversão Só faltaram os carrinhos de choque.

Terminada a folia voltámos para a marina, onde tínhamos o bote, mas não sem antes pararmos para refrescarmos as gargantas num dos cafés do Yacht Haven Grand. À semelhança de outras ocasiões, uma senhora de idade estava acompanhada de uma senhora asiática e um menino, também ele de feições asiáticas. Como ficámos sentados algo próximos cumprimentámos a senhora de idade, que sempre gostou de falar com a Maria. Conversa puxa conversa, acabámos por descobrir que a senhora asiática, nora da senhora de idade e mãe do menino, era tailandesa. Como já vem sendo apanágio da nossa viagem, acabamos sempre por conhecer tailandeses ou portugueses nos últimos dias…

A paragem no café, que deveria ser de apenas alguns minutos, prolongou-se por quase duas horas, dando para a NaE desenferrujar a língua materna, para a Maria mostrar que sabe falar Tailandês e para a mãe do menino levar a NaE a sua casa, que ficava a cinco minutos de carro, para lhe oferecer ervas tailandesas, que planta no jardim para poder preparar pratos tailandeses. A NaE trouxe basílico fresco e sementes para plantarmos a bordo, e assim aumentarmos a variedade de ervas que temos em vasos improvisados, feitos de garrafas de plástico recicladas.

Antes de terminar o encontro – estava a ficar escuro e não tínhamos trazido a luz do bote, nem ligado a luz da âncora do nosso veleiro – ficou combinado uma nova reunião no dia seguinte. Tal aconteceu como combinado, tendo as senhoras tailandesas ficado a falar como se fossem amigas de longa data.

Ficámos a saber que a nossa nova amiga é proveniente do Nordeste da Tailândia (Isan), filha de pais oriundos do Laos, e que vivia e trabalhava em Banguecoque num hotel, até ter conhecido o marido e mudado para St. Thomas. Disse-nos que não é a única tailandesa na ilha e que o marido é advogado, estando a planear voltar para a Tailândia assim que ele se reformar.

Convidámo-los a passarem alguns dias connosco quando estivermos no Panamá, ou nas Antilhas Holandesas, e eles disponibilizaram-nos a sua casa, se um dia voltarmos a St. Thomas.

JOÃO SANTOS GOMES

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