Experiências pastorais em Sichuan

Uma igreja que sai para fora

Experiências pastorais em Sichuan

O tempo voa! Assim passaram as grandes férias de dois meses. Estou de volta ao Seminário para repensar as minhas experiências pastorais nestas férias, com momentos muito comoventes. Em primeiro lugar, tenho que agradecer a Deus que me desse como companheiro o padre José Angel Hernandez, um sacerdote estudioso e virtuoso, para que eu tivesse a oportunidade de aprender muito com este pastor da vontade de Deus.

Em 5 de Agosto, o padre Hernandez recomendou-me para uma zona montanhosa longínqua, para visitar os cristãos e crianças de lá, porque eles deixaram de ver padres há dezenas de anos e têm grande ânsia de os ter como visita.

Quando tomávamos pequeno almoço, o padre Hernandez disse que o pão era muito bom e pediu ao cozinheiro para lhe dar mais alguns a fim de matar a fome durante a viagem que duraria cerca de nove horas. No meio do caminho, chegámos a uma estação de descanso, onde o padre Hernandez tirou o pão e uma garrafa de água, e começou a comer, como se fosse o seu almoço. Insisti a comprar-lhe um almoço que ele recusou, pois entendia que o dinheiro poupado podia ajudar as pessoas carecidas.

Após um curto descanso, continuámos o nosso caminho. O tempo estava muito quente. A longa secura daquela região murchava muitas culturas. O padre viu esta triste cena e disse-me: «– Vamos orar a Deus que dê abundante chuva para esta terra». Começámos a rezar o terço, pedindo a chuva para o povo. No dia seguinte, começou a chover. Eu disse então ao padre que Deus ouviu as nossas preces, dando chuva a esta terra. O padre respondeu-me: «– Irmão, lembras-te de confiar em Deus sempre na tua vida, pois Ele é que é a nossa força. Agradeces e louvas sempre a Deus».

Chegando ao destino, os velhos cristãos prepararam-nos jantar, durante o qual comparticiparam connosco a história de evangelização dos antigos missionários, que me comoveu muito, dando-me ao mesmo tempo forças para prosseguir os seus passos.

Quando refrescámos, o padre falou aos fiéis e crianças a doutrina de Deus, ensinando os cânticos religiosos, para que eles louvem a Deus no meio da alegria do amor de Deus. Dos seus olhares ingénuos e risos alegres, podemos ver a confiança que eles depositam em Deus.

À noite, fiquei no mesmo quarto com o padre que me levou a rezar e agradecer ao Senhor e fazer um exame aos trabalhos do dia.

No dia seguinte, o padre disse-me para cantar, agradecer e louvar a Deus, assim como entregar-me ao Senhor nesse novo dia. Pude sentir a presença de Deus através da pessoa do padre que julgo ser um homem de grande devoção, fiel e confiante.

Há naquela aldeia uma doente de oitenta anos que não consegue cuidar de si há mais de dez anos. Quando o padre entrou no quarto dela, ajoelhou-se diante do leito e ouviu a passagem da sua fé. Esta senhora já há muitos anos não via um sacerdote, mas ainda mantém viva a sua fé e a confiança em Deus. Para cumprir o desejo e para a salvação dela, o padre celebrou uma missa de Acção de Graças diante do leito dela. Durante a missa, a senhora pôs sobre o altar o rosário, os livros velhos de oração e as imagens santas que ela guardou há muitos anos. Fui muito comovido pelo acto desta senhora e pelo respeito que o padre tem com as pessoas carecidas, como pelo espírito pastoral dele. Os cristãos já há muitos anos que não eram visitados por nenhum pastor, mas eles continuam a ser fiéis à sua religião, mantendo a confiança em Deus. Isto tudo faz-me ainda amar mais a Deus.

No fim, os fiéis locais levaram-nos a visitar as sepulturas dos missionários que lá ficaram. Quando o padre viu que não havia quaisquer sinais católicos nas sepulturas, procurou uns ramos secos, atou-os como uma cruz e pô-los sobre as campas, dizendo que Deus ama toda a agente, ama esta terra, e por isso mandou os missionários para levar as mensagens e alegrias do Evangelho, para que eles pudessem conhecê-Lo e alcançar a vida eterna.

A notícia da visita do padre espalhou-se por aquela região e centenas de cristãos vieram a ver o padre, que aproveitou a ocasião para pregar, dar comunhão e distribuir imagens santas. Além disso, o padre não se esqueceu das crianças, oferecendo-lhes bolas, biscoitos e outros objectos mais necessitados. O padre aconselhou aos fiéis e crianças que devem confiar em Deus, pois Ele é a nossa força, conforto e protector, só Ele é que nos guia por um caminho correcto e não nos deixa seduzidos no mundo perverso de hoje.

Em convivência de poucos dias com o padre, sinto a existência de Deus no meio dos cristãos e o amor divino comigo. Se bem que se pareça que eu estava acompanhar o sacerdote, na verdade, Deus mandou o seu enviado para me acompanhar nesta visita pastoral, para que eu possa crescer espiritualmente e viver na abundância de graças divinas. Através deste servo amado de Deus e dos féis bondosos, compreendi que Deus quer que eu perceba que uma pessoa deve ter amor para poder seguir o Senhor e servir o seu povo. Fiquei também a perceber que devo saber que Deus está ao nosso lado, a nossa vida não está somente a depender de nós próprios, mas da confiança no Senhor. Agradeço a Deus que me desse estas experiências tão proveitosas, rogando que me ampare sempre na minha vida.

Irmão Chen

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