«Sozinho sem ninguém, apenas contigo, meu Deus»

Oração Mental e Meditação – II

«Sozinho sem ninguém, apenas contigo, meu Deus»

«Sozinho sem ninguém, apenas contigo, meu Deus». São estas as palavras que começam um hino atribuído a São Columba (521-597), que aos 25 anos já tinha instituído 27 conventos na Irlanda. São palavras que se podem usar no tempo de meditação. Mas, o que é Meditação?

O Compêndio do Catecismo (nº 568) diz-nos que existem três tipos de orações: «oração vocalizada (falada), meditação e a oração contemplativa. O elo comum a todas elas é o facto de nos recolhermos no nosso coração». A meditação (ou oração mental) constitui-se por isso numa forma de oração.

Qual é a importância da oração mental? «Aquele que descurar a oração mental não precisa do demónio para o levar para o Inferno. Ele vai por si só». Foi o que disse Santa Teresa de Ávila.

E no que consiste essa oração? Significa estar na presença da Santíssima Trindade, estar só com Deus.

São Ambrósio (340-397) diz-nos: «O apóstolo ensinou-nos a rezar em qualquer lugar, enquanto que o nosso Salvador diz-nos: “Vão para o vosso quarto” – mas é preciso entender que este “quarto” não é o quarto com quatro paredes que nos circunda o nosso corpo, quando estamos em casa, mas um espaço secreto dentro de nós, onde os nossos pensamentos se encontram guardados e onde as nossas sensações são recolhidas».

«É esse o nosso quarto de orações, sempre connosco, onde quer que estejamos, sempre secreto onde quer que estivermos, e onde a única testemunha presente é Deus» (Caim e Abel).

Significa isto que se não pudermos encontrar uma igreja para rezarmos podemos meditar em qualquer lugar onde nos encontrarmos. O que é importante, no entanto, é desligar os ruídos (sim, temos que desligar ou ignorar o Facebook, o WeChat, o WhatsApp, e outras distracções semelhantes). O que interessa é estar firmemente consciente de estarmos na presença de Deus: «Meu Senhor e Deus, acredito firmemente que Vós estais aqui comigo – que me vês e que me ouves». São João Paulo II disse que quando rezamos deve existir um “EU” e um “Vós”. Se não estivermos conscientes do Outro, poderemos estar apenas a falar sozinhos…

“Adoro-Vos com a mais profunda reverência”. Esta frase coloca os factos numa perspectiva correcta. Reconhecendo quem e o que sou, e realizando quem é o Outro, leva-me a dobrar os meus joelhos e prostrar-me em oração. Se Ele é Deus e eu a criatura, não sou eu que Lhe devo dizer o que fazer. Não estou aqui para pedir nada – estou aqui para descobrir o que Ele quer que eu faça por Ele.

“Peço-Vos perdão dos meus pecados”. São Josemaría dizia que nós sabemos que estamos a falar com Deus se conseguimos ver as sombras da nossa vida. Deus é luz, e quando essa luz cai sobre nós revela todo e qualquer pequeno recôndito do nosso ser, e mostra os locais onde a sujeira se acumulou, ela descobre os pecados.

Felizmente encontro-me na presença Do que me pode limpar, purificar, curar e reparar, O que – apesar de mim próprio – pode tornar-me santo. Estou em boas mãos!

Pe. José Mario Mandía

(Tradução: António R. Martins)

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