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OLHANDO EM REDOR Os animais da sociedade
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Olhando em Redor

Os animais da sociedade

«O justo olha pela vida dos seus animais; porém as entranhas dos ímpios são cruéis» (Provérbios 12:10)

Há alguns dias abri a Bíblia, na passagem referente à Arca de Noé, e constatei que o ser humano está a caminho da destruição total do planeta onde habita, ao ponto de fazer com que Deus use a punição severa como reprimenda maior de todo e qualquer pecado. E percebi que não há qualquer tipo de respeito e consideração pela milenar aliança que Deus selou com o Homem.

Em Macau são conhecidos os problemas relacionados com a protecção dos animais, pois não há uma lei que regule, por exemplo, a crueldade de quem domina o Meio Ambiente para saciar, a seu bel-prazer, a luxúria, a cobiça e o devaneio gratuito.

O mal maior, dizem, recai no Governo liderado por Chui Sai On, porque à imagem do seu antecessor pouco ou nada fez para garantir a existência de uma lei básica – não confundir com Lei Básica – que enche de orgulho qualquer sociedade dita civilizada.

Em termos gerais, estou convicto que os cidadãos do território tratam bem os seus animais de estimação, pois é vê-los ao principio da manhã, ou ao fim da tarde, a passear os cãezinhos, munidos de garrafas com água e folhas de jornais nas mãos.

Também os idosos, especialmente de etnia chinesa, se deleitam na companhia dos seus pássaros de estimação. É vê-los pelos jardins com gaiolas nas mãos, dando cumprimento à rotina diária de se entreterem com aves tão maravilhosas.

Não sei o que se passa no interior da casa dos donos, mas é de supor que há animais de estimação presos por correntes, com pouco espaço livre de movimentos e por vezes alvo de maus tratos.

Por outro lado, compreende-se pelos piores motivos por que razão não acabaram ainda as corridas de galgos no Canídromo, ou as corridas de cavalos no Jockey Club, pois a ganância do lucro, por vezes recorrendo a maus tratos dos animais, mas também ao uso de “doping”, soa mais forte do que poderá ditar o senso comum.

Mais do que a insensibilidade de particulares e de companhias voltadas para o lucro está a cumulativa total falta de responsabilidade do Governo da RAEM, e da Assembleia Legislativa, por demorarem uma eternidade a legislar sobre lei tão fundamental. Será que para aqueles lados ninguém lê a Bíblia?

 

O pecado original

Quando o homem foi criado à imagem de Deus recaiu sobre ele a seguinte responsabilidade: «Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra» (Génesis 1:28).

Quer isto dizer que o homem tinha que cuidar da Terra, com autoridade sobre tudo o que foi criado, ou seja, podia não só assumir o controlo como assegurar também a protecção de toda a criação de Deus.

Tudo se alterou com o Pecado Original, que teve como protagonistas Adão e Eva, mais a diabólica serpente. A partir de então a morte passou a fazer parte do homem e da mulher, e tiveram que tomar agasalho de roupas e comer certos animais e ervas do campo.

A Bíblia não diz, porém, que os animais são para usufruto de uma vontade dúbia, circense, especulativa, desportiva ou outra qualquer que vá para além da alimentação, como meio de subsistência, ou da contemplação e protecção animal. Voltando a Macau: Que gente é esta que tem os bolsos cheios de patacas, mas é tão pobre de espírito?

 

Noé

No tempo de vida do justo Noé havia no mundo muita violência e grassavam os maus actos do Homem. «Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra. Faz para ti uma arca de madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume» (Génesis 6:13-14), isto para impermeabilizar o gigantesco barco.

De igual forma, disse-lhe: «Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expirará. Mas contigo estabelecerei a minha aliança; e entrarás na arca, tu e os teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo» (Génesis 6:17-18).

Deus também não esqueceu os animais de toda a espécie, que Noé fez entrar na arca para serem conservados vivos com ele, machos e fêmeas, mais a comida necessária para a sobrevivência em condições tão difíceis.

O dilúvio chegou e aniquilou todos os seres vivos e plantas que estavam fora da arca, e quando amainou a tempestade e as águas baixaram, já a terra estava livre dos ímpios, Deus falou a Noé, e seus filhos: «E eu, eis que estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós. E com toda a alma vivente, que convosco está, de aves, de gado, e de todo o animal da terra convosco; com todos que saíram da arca, até todo o animal da terra. E eu convosco estabeleço a minha aliança, que não será mais destruída toda a carne pelas águas do dilúvio e que não haverá mais dilúvio para destruir a terra» (Génesis 9:9-11).

E continuou Deus: «Este é o sinal da aliança que ponho entre mim e vós, e entre toda a alma vivente, que está convosco, por gerações eternas» (Génesis 9:12). Para bom entendedor…

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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