O CENTRO E A RAIZ DA VIDA CRISTÃ – I

O Centro e a Raiz da Vida Cristã – I

Missa diária. Alguém está interessado?

«Também vós quereis ir embora? (João 6:67)», perguntou Jesus aos doze, depois de muitos dos Seus ouvintes «se terem retirado e já não O acompanharem (João 6:66)». Eles consideraram as Suas palavras sobre comerem da Sua carne e beberem do Seu sangue um pouco demasiado para os seus gostos. Rabi maluco! Ele está completamente louco!

Jesus disse que nós não podíamos fazer nada sem Ele, e assim Ele entregou-Se a Si próprio como alimento, e desce sobre o Altar sempre que se diz a Missa. Cada Missa possui um valor infinito, porque o Celebrante (aquele que oferece a Missa) e a Vítima (aquele que é oferecido) é Jesus Cristo.

E não existe no mundo oração que contenha mais poder do que a que é oferecida pelo próprio Jesus. É essa a razão porque os Santos amam o Sagrado Sacrifício do Altar.

O bispo D. John McGee, que foi secretário de três Papas (o Bem-Aventurado Paulo VI, João Paulo I e São João Paulo II), diz-nos que muito pouco depois de João Paulo I se ter tornado Papa pediu a monsenhor McGee: «– Poderia fazer-me um favor amanhã de manhã?»

«– Tudo o que o senhor desejar Santo Padre».

«– Poderá celebrar a Missa para mim?»

«– Santo Padre, eu tenho celebrado diariamente a Missa para si».

«– Não, não me refiro a isso. Poderia celebrar a Missa e deixar-me ser o seu acólito?»

«– Santo Padre, eu não poderei fazer isso!»

«– Mas é o Papa quem lho pede!»

E foi assim que o arcebispo D. McGee acabou por ter um Papa como seu acólito.

Uma vez, São João Paulo II, ao falar com alguns seminaristas, disse que quer seja um Papa, um bispo ou um padre, a coisa mais importante que devem fazer é poderem celebrar Missas e ouvir Confissões.

São Josemaría ensinou-nos que a Missa «é o centro e a raiz» da Vida Cristã. O Concílio Vaticano II confirmou estes ensinamentos, ao declarar a Missa como «a cimeira e a fonte» da vida da Igreja.

Na Missa não somos espectadores passivos. Jesus Cristo solicita-nos a nossa participação activa. E como? Tornando-nos nós próprios em Ofertantes e Oferendas.

São Pedro Crisólogo (380-450) disse: «Como é maravilhoso o sacerdócio de um Cristão, pois ele é a vítima oferecida em seu próprio lugar e o sacerdote que faz a sua oferta. Ele não necessita de procurar para além dele próprio, em busca do que tenha que imolar a Deus: nele e com ele próprio carrega o sacrifício a fazer a Deus, por ele próprio».

E Origen (págs.184/185 – 253/254) escreveu: «Se renunciar a tudo o que possuo, se carregar a minha Cruz e seguir a Cristo, terei efectuado uma oferenda no Altar de Deus. Ou, se eu imolar o meu corpo no fogo da caridade…, terei efectuado uma oferenda no Altar de Deus…, se eu mortificar o meu corpo e me abstiver de toda a concupiscência, e se o mundo for crucificado em mim e não eu crucificado no mundo, então terei efectuado uma oferenda no Altar de Deus e tornar-me-ei no celebrante do meu próprio sacrifício».

E, para acabar, um apelo a todos. Um dia São Josemaría escreveu: «Peço encarecidamente a todos os Cristãos que rezem por nós, padres, para que aprendamos a celebrar o Sacrifício da Missa de uma forma sagrada. Peço-vos que demonstrem um amor profundo para com a Sagrada Missa, e dessa forma nos encorajem a nós, padres, a celebrá-la respeitosamente, com dignidade humana e divina: Cuidando da limpeza das nossas vestes e dos outros objectos usados durante as orações, com devoção, sem pressas. Para quê ter pressa? As pessoas que se amam têm pressa de se despedirem? Elas parecem que se separam, mas depois não se separam. Afastam-se uma e outra vez… e ainda uma vez mais, e repetem palavras comuns, como se apenas agora tivessem descoberto o seu sentido…» (Homília “Um Sacerdote Sempre”).

Pe. José Mario Mandía

jmom.honlam.org

Tradução: António R. Martins

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