Guardado está o bocado para quem o há-de comer

Guardado está o bocado para quem o há-de comer

Portugal está no seu melhor! Após ano e meio de governação, a chamada “geringonça” não pára de dar boas notícias aos portugueses.

No domínio das finanças, da economia e do bem-estar social, este Governo socialista, apoiado no Parlamento pela CDU e pelo Bloco de Esquerda, conseguiu inverter a situação do País, tornando-o mais próspero, mais controlado financeiramente e em conformidade com as regras que nos têm sido determinadas pela União Europeia, à qual queremos pertencer, sem a deixarmos de a poder criticar.

Mas, se bem que as preocupações económicas e financeiras têm sido alvo de muita atenção pelo Governo, outras preocupações foram constantes, nomeadamente em melhorar as condições de vida das camadas mais desfavorecidas da população, aumentando salários e baixando impostos, diminuindo constantemente o desemprego e tendo a preocupação fundamental em acabar com os empregos precários, responsáveis pela desorientação das camadas mais jovens da população trabalhadora, face ao futuro da sua constituição familiar.

A nova decisão de Bruxelas em decidir que Portugal deve sair do Procedimento de Défice Excessivo (PDE), como consequência dos seus bons resultados económicos e financeiros, veio acelerar a conquista de todo um conjunto de meios materiais, até aqui impedidos pelas regras europeias e pelos mercados financeiros, que permitirão um real relançamento do desenvolvimento da nossa economia, garantindo um país melhor, dentro das regras de bom senso que a situação exige e dos obstáculos que ainda teremos de ultrapassar.

Para espanto de muitos que, no plano interno e externo, duvidavam ou mesmo negavam qualquer hipótese de sucesso para este Governo, a realidade demonstrou até agora que Portugal conseguiu ultrapassar alguns dos maiores desafios que lhe foram impostos pela Troika, saindo do atoleiro do primado da austeridade em que se encontrava e dando ao povo deste país um nova esperança.

Bem certo que a dívida pública portuguesa, estimada em cerca de 130,4 por cento do PIB nacional, está muito acima dos valores considerados razoáveis pela União Europeia. Esta situação, que depende muito dos juros acumulados dos empréstimos, da nossa capacidade de crescimento económico e actividades ligadas à exportação de bens e serviços e, nomeadamente, do controlo das despesas do Estado, vai durar ainda umas décadas a estabilizar. No entanto, fora do PDE e enquanto o Banco Central Europeu mantiver a sua actual política de compra da dívida soberana, Portugal tem, pela possibilidade de aumentar o investimento produtivo, melhores condições de diminuir essa dívida, desde que continue a manter o rigor das suas políticas financeiras. Também é de esperar que, a uma melhoria económica, o Governo continue a fazer corresponder uma melhoria social, sem ultrapassar os limites de segurança que podem fazer perigar o sucesso económico.

Se até agora, e depois de um ponto de partida tão doloroso, não tem havido motivos para duvidar da eficácia desta governação, parece pouco provável que, em muito melhores condições, o País derrape para um passado a que ninguém quer voltar.

Essa é agora a ameaça da oposição! Acabado o discurso do “desastre nacional”, do “vem aí o Diabo” e do arrazoado de disparates sem conteúdo, com que a oposição tem brindado o actual Governo desde o seu inicio, sem apresentar alternativas sólidas que não fossem o continuar da austeridade até sufocar a população, a oposição, pelo descrédito da sua narrativa face à realidade dos factos, começa a modificar os seus slogans, admitindo que a actual situação do País é boa. No entanto, consideram que com tantas vitórias no plano político e económico-financeiro o Governo está a “embandeirar em arco” e a deixar-se conduzir pela vaidade, colocando em risco os resultados obtidos, que só foram possíveis pelo trabalho desenvolvido pelo anterior Governo.

Tal como antes, quando enfatizavam a catástrofe iminente, custa a acreditar que esta oposição continue a considerar os portugueses ingénuos ao ponto de aceitar o seu novo discurso. É evidente que uma oposição existe para se opor, mas é igualmente verdade que não o pode fazer com base numa argumentação que a ninguém convence.

Ao admitir que o País está melhor, deviam pedir desculpa pelo que antes afirmaram. Depois de acusarem o actual Governo de ter arrasado todas as reformas que foram feitas pelo anterior, como podem dizer agora que a boa situação que se vive é resultado da anterior governação.

De contradição em contradição, a oposição demonstra estar a sofrer de um PDI (Processo de Deterioração Interna, na sua versão mais conveniente…) que corre o risco de se agudizar nas próximas eleições autárquicas, culminando com uma célebre frase do líder da oposição, de há uns meses atrás: «Se a estratégia do Governo resultar, defenderei o voto no PS, no BE e no PC».

Como diz o povo, “guardado está o bocado para quem o há-de comer”.

LUIS BARREIRA

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