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Sorte, muita sorte e aselhice
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Fórmula 1 – Época de 2018

Sorte, muita sorte e aselhice

Albert Park, Melbourne, Austrália. Foi a primeira corrida do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 deste ano. Depois dos testes de Barcelona tudo eram sorrisos, confiança e certezas. Os verdadeiros favoritos? Ah! Esses eram os mesmos de sempre. Mercedes, Ferrari e Red Bull. As outras sete equipas, aparentemente, só teriam de fazer o seu papel de “figurantes” e ver o tempo passar.

As duas “prima donas”, Lewis Hamilton pela Mercedes e Sebastian Vettel pela Ferrari, digladiaram-se desde os primeiros treinos livres. Hamilton conseguiu ser mais rápido que todos, sem surpresa de ninguém (será?) e instalou-se na sua posição favorita: a “pole position”.

E Valtteri Bottas? Partiu o carro, cinco segundos depois de sair para a última sessão de qualificação. Ninguém percebeu muito bem o que aconteceu. E aqui começam, ou continuam, os disparates das penalizações por avaria nos motores ou por qualquer peça da lista das que (uma vez substituídas) oferecem de bandeja uma penalização. Neste caso foi a despromoção na grelha de largada, penalização que vai ser mais do que muitas vezes usada este ano, devido ao facto de um senhor “inteligente” ter dito e imposto que este ano, para 21 corridas, três motores e os outros acessórios ser mais do que suficiente.

Ora, uma temporada de Fórmula 1 não é só as 21 corridas, mas também 69 treinos livres e 21 sessões de qualificação. Os carros que chegarem à terceira qualificação, para efeitos de formação do “grid”, rodarão ainda mais que os restantes adversários, isto sem contar com os testes de Verão e de Inverno da FIA… Claro está que vamos ser presenteados com aberrações como a ocorrida em Azerbaijão no ano passado, quando o “rookie” Lance Stroll foi promovido à “pole position” com fanfarras e honras de herói, sendo que nunca foi, nem nunca ali deveria ter estado! Onde está a verdade desportiva?

O recém-chegado Sergey Sirotkin (Williams) deu uma volta e meia ao circuito; depois parou devido à conduta de ar de refrigeração de vários componentes ter ficado entupida com um saco de plástico de uma sanduíche. O jovem russo manteve a calma – já revelada em outras situações, nomeadamente em provas de outras categorias – e desabafou que «a sanduíche não estava dentro do saco». Sem surpresa, Pierre Gasly viu o motor Honda do Toro Rosso dar o último suspiro à terceira volta.

Surpresa foi o que aconteceu aos dois carros da Haas – Fernando Alonso diz que são «Ferrari replicas» dos carros do ano passado – pois estavam a andar como nunca… até mudarem de pneus. Primeiro Kevin Magnussen, à 23ª volta, e depois Romain Grosjean, à 25ª, viram um pneu dos seus carros declarar “independência”. Para eles a corrida estava terminada, mas a impressionante prestação dos dois carros de Gene Haas levantou muitas suspeitas. Então estes carros nunca andaram e agora já andam? Esquecem-se que têm motores – alegadamente – iguais aos dos Ferrari de Vettel e Raikkonen.

No entanto, ninguém falou mal dos McLaren que ressuscitaram com os novos motores da Renault, a ponto de Fernando Alonso afirmar que estão em condições de lutar com os Red Bull (equipados com os mesmos motores). De facto, os Red Bull de Max Verstappen e Daniel Ricciardo nunca atingiram a velocidade suficiente para melhorarem as suas posições, o que ainda assim também não teria sido muito vantajoso, segundo Verstappen: «Mesmo que tivéssemos um carro mais rápido, em um ou dois segundos, é impossível ultrapassar no circuito de Albert Park».

De acordo com muitos e variados sectores, a corrida foi um desastre. Eventualmente, Vettel e Raikkonen terão ensanduichado Hamilton, depois do piloto da Mercedes ter sido ultrapassado durante o tempo em que o VSC (Virtual Safety Car – Carro de Segurança Virtual) esteve accionado. A fazer fé nas palavras da Mercedes, Hamilton foi prejudicado por um defeito num programa informático.

Após a primeira prova da temporada foram muitos os pilotos que demonstraram vontade de lutar por esta ou aquela posição, sendo de destacar os pilotos da Red Bull, McLaren e Renault. Esperamos para ver como tudo se irá desenrolar entre hoje e Domingo, no Circuito Internacional do Bahrain.

Os dois Haas lá estarão em Sakhir, desta vez com muitas horas de treino de mudança de pneus, para que não aconteça algo tão estúpido como o ocorrido em Melbourne. A Haas está enfrentar um muro de acusações, pois suspeita-se que os seus carros estão ilegais. Talvez tão ilegais como a Mercedes, que foi acusada por Vettel de utilizar um “party engine”, isto é, um motor apenas para as qualificações, como acontecia nos anos 80 e 90. Como hoje tal é impossível, a Ferrari avançou então com a suspeita de que os motores da Mercedes possam ter um programa informático que aumenta, e muito, a prestação dos carros. Pensamos que é possível, embora seja muitíssimo arriscado. Como referimos anteriormente, cada carro tem direito a apenas três motores para 21 corridas. O mais pequeno erro ou falha desse dispositivo poderia comprometer o esforço de toda uma temporada.

A agenda para a segunda prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 está assim escalonada, em horas de Macau. Treinos livres 1, hoje, 19 horas – 20 horas e 30; treinos livres 2, hoje, 23 horas – 24 horas e 30; treinos livres 3, sábado, 20 horas – 21 horas. Provas de qualificação: Sábado, 23 horas – 24 horas. Corrida: Domingo, 23 horas e 10.

Entre o Grande Prémio do Bahrain e o Grande Prémio da China não há fim-de-semana de interrupção, pelo que o Circuito Internacional de Xangai recebe a categoria máxima do desporto automóvel entre os dias 13 e 15 de Abril. Entre a capital financeira da China e Macau não há diferença horária. Treinos livres 1, sexta-feira, 10 horas – 11 horas e 30; treinos livres 2, sexta-feira, 14 horas – 15 horas e 30; treinos livres 3, sábado, 11 horas – 12 horas. Provas de qualificação: Sábado, 14 horas – 15 horas. Corrida: Domingo, 14 horas e 10.

Manuel dos Santos

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