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Semanário Católico de Macau

O que há sobre a Falácia das Premissas Exclusivas?
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Filosofia, uma dentada de cada vez (18)

O que há sobre a Falácia das Premissas Exclusivas?

Agora deixem-nos examinar dois casos: quando ambas as premissas, menor e maior, são afirmativas (regra n.º 5), e quando ambas as premissas são negativas (regra n.º 6).

Regra n.º 5: Se ambas as premissas forem afirmativas, a conclusão também tem que ser afirmativa; não pode ser negativa.

Conforme já vimos, as premissas afirmativas podem ser tanto universais como particulares:

A (afirmativa universal): Cada homem é mortal / Todos os homens são mortais. uS + pP

I (afirmativa particular): Alguns humanos são machos. pS + pP

Deixem-me dar-lhes um exemplo:

A (afirmativa universal): Todos os coronéis são oficiais.

A (afirmativa universal): Todos os oficiais são soldados.

A (afirmativa universal): Logo, todos os coronéis são soldados.

Seria absurdo concluir que Nenhum coronel é soldado.

Simples, não?

Regra n.º 6: As duas premissas não podem ser ambas negativas; pelo menos uma tem que ser afirmativa. Quebrar esta regra conduz-nos à falácia das premissas exclusivas. E isto é bastante fácil de se descobrir. As proposições negativas desligam os termos uns dos outros. Assim, se em ambas desligarmos os termos, não podemos efectuar qualquer conexão; não podemos negar ou afirmar nada nas conclusões. Se tanto o termo menor como o termo maior não tiverem nada a ver com o termo médio, então não poderemos saber qual a relação entre os termos menor e maior.

É por essa razão que de duas premissas negativas não há possibilidade de conclusão.

Relembremos que as premissas negativas podem ser tanto universais como particulares.

E (negativa universal): Nenhum homem é um anjo / Todos os homens não são anjos. uS – uP

O (negativa particular): Alguns humanos não são machos. pS – uP

Exemplo:

E (negativa universal): Nenhum judeu é muçulmano.

E (negativa universal): Nenhum muçulmano é cristão.

E (negativa universal): Então os judeus são cristãos.

A conclusão não é possível.

Agora deixem-nos considerar cuidadosamente o seguinte silogismo:

Tudo o que não é metálico não tem capacidade para gerar uma forte influência magnética.

(Todos) os carvões não são metálicos.

Logo, (todos) os carvões não são capazes de gerar uma forte influência magnética.

Este é um silogismo complicado porque as frases são longas. E todas as frases parecem ser negativas, assim sendo não deveria haver conclusão, certo? Errado! O que é isto?

Existe uma frase que apenas parece ser negativa mas de facto é afirmativa. Qual delas é? Vamos descobrir.

Na primeira proposição qual é o sujeito? “Tudo o que não é metálico”. E a ligação? “não é”. E o predicado? “capacidade para gerar uma forte influência magnética”. Reparem que “tudo o que não é metálico” é o termo médio. Esta proposição é negativa.

E sobre a segunda proposição? Qual é o sujeito? “Carvão”. E a ligação parece ser “não é”. Mas se olharmos para o predicado “metálico”, que é suposto ser o termo médio, não corresponde ao termo médio da primeira proposição “Tudo o que não é metálico”. De facto a palavra “não” não pertence à ligação mas sim ao predicado/termo médio (o qual deveria ser “não é metálico”). Então, a ligação é o vocábulo “é”, e assim a segunda proposição é afirmativa. Com isso podemos chegar a uma conclusão.

E (negativa universal): Tudo o que não é metálico não tem capacidade para gerar uma forte influência magnética.

A (afirmativa universal): (Todos) os carvões não são metálicos (são não metálicos).

E (negativa universal): Logo, (todos) os carvões não são capazes de gerar uma forte influência magnética.

Pe. José Mario Mandía

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