Rota dos 500 anos-Dias de piscina e pouco Sol

Dias de piscina e pouco Sol

Esta semana foi preenchida com muita chuva, vento e também algum bom tempo que possibilitou uma visita de carro a metade da ilha de Grenada e muitas idas à piscina da marina.

Aproveitámos o facto do nosso casal amigo brasileiro ter alugado um carro para irmos visitar a parte central da ilha. Foi uma viagem que durou grande parte da manhã e algumas horas depois de almoço, que nos permitiu ficar a conhecer outra face deste país. Até houve tempo para dar um mergulho numa queda de água.

Grenada, que foi outrora uma colónia britânica, foi invadida nos anos oitenta pelas forças armadas americanas, numa tentativa de evitar que se transformasse numa nova Cuba, de acordo com a justificação dos americanos na época. Washington olhava para Grenada e para o seu Governo como uma ameaça comunista, pelo que decidiu invadir a ilha para que essa ideologia política não tivesse oportunidade de se estabelecer nesta zona das Caraíbas. Ainda hoje os grenadinos não vêem com bons olhos os americanos, apesar de dependerem deles em termos económicos. O turismo e as trocas comercias estão muito dependentes do mercado norte-americano.

Por outro lado, como que em contrabalanço, um pouco por toda a ilha se pode ver a influência da Venezuela e do seu, até há pouco tempo, poderio financeiro. Obras com apoio da Venezuela abundam na ilha, desde infra-estruturas a projectos sociais e de cariz religioso. A própria embaixada e departamentos consulares de Caracas em St. George são exemplos da opulência e da ostentação que caracterizava o regime de Hugo Chávez. Uma face que tão pouco era conhecida fora da sua esfera de influência e que fazia a população venezuelana opor-se ao Governo de Chávez. Hoje em dia os locais desdenham da decadência da economia venezuelana, mas reconhecem que, em tempos de fartura, o dinheiro vindo de Caracas era um balão de oxigénio que ia mantendo a ilha a flutuar perante a crise que vem afectando o turismo, principalmente depois da crise económica ter atingido os Estados Unidos e ter causado um corte drástico no número de turistas que visitam a ilha anualmente. Até muito recentemente, cerca de 80 por cento dos turistas que visitavam Grenada eram provenientes da América do Norte.

A nossa visita à ilha terminou na baía de Prickly Bay, onde está ancorado o catamaran da família portuguesa que viveu em Macau e o outro veleiro brasileiro. Não nos foi possível estar com eles mas conseguimos falar via rádio com o capitão português. Ficou combinado um encontro em St. George ainda esta semana. Mesmo estando apenas separados por meia dúzia de quilómetros, os dois locais são pouco acessíveis porque o sistema de transportes públicos não é muito eficiente. Para quem – como nós – vive com um orçamento reduzido, alugar carro está fora de questão. O custo diário ronda os 60 dólares americanos, sem contar com os custos de combustível, comida e outros.

Como tem chovido e feito muito vento não tem sido possível nadar na praia. Em contrapartida, temos frequentado de forma assídua a piscina na marina onde a tripulação brasileira do Gentileza tem o veleiro. Visto sermos seus convidados podemos usufruir da piscina sem quaisquer entraves. A Maria tem andado no paraíso indo para a piscina diariamente ao fim do dia. Ali brinca e nada com a nova amiga brasileira. É com prazer que ficamos na sombra a vê-las saltar para a água – até nos esquecemos que a Maria tem apenas dois anos e meio (a amiga tem quatro). Até há pouco tempo a nossa bebé tinha medo de saltar para a água e só nadava com o pai ou com a mãe. Agora, se não temos cuidado, salta sozinha para a água sem braçadeiras.

Entretanto, a bordo, como relatava na semana passada, metemos mãos aos trabalhos de substituição dos cabos eléctricos. Depois de um dia enrolado em cabos de várias cores e espessuras confirmámos que havia problemas com os cabos antigos. Depois de substituir grande parte dos fios e das ligações o aproveitamento da energia produzida subiu substancialmente. No entanto, não fomos capazes de instalar o novo controlador do alternador, que esperávamos vir a contribuir também para uma melhoria geral. Temos de voltar a tentar quando instalarmos o separador de baterias que ainda está dentro da caixa.

A nível mecânico continuamos a deparar-nos com um problema que nos tem dado dores de cabeça. A transmissão do motor, quando temos o motor a funcionar ao final do dia para carregar as baterias, tem tendência a engatar passado algum tempo em alta rotação. Como podem imaginar tal não é muito confortável porque, se não estivermos com atenção, pode fazer o veleiro sair da posição e arrancar a âncora. Já experimentámos substituir o cabo que liga a transmissão ao manípulo no poço do veleiro; já tentámos mudar a afinação do cabo na caixa de transmissão e na sua ligação no poço; já tentámos bloquear o manípulo no poço com uma pequena corda, mas nada resolve o problema! Todas as intervenções que fizemos deram resultados durante meia dúzia de dias mas depois o problema regressa.

Aceitamos sugestões dos nossos leitores experientes em motores a gasóleo.

João Santos Gomes

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