“Aqui estou, Senhor”

Depois do primeiro minuto heróico

“Aqui estou, Senhor”

Na última semana falámos sobre o Minuto Heróico. Se eu conseguir sair imediatamente da cama quando o despertador toca, venci o que São Josemaría chamava de «a primeira escaramuça do dia» (“Caminho”, nº 191). E o que se segue? A dedicação matinal. É algo como se o comandante de um navio verificasse os mapas antes de se fazer ao mar, ou um piloto de um avião escolhesse o seu plano de voo antes de descolar rumo aos céus.

A dedicação matinal é como se disséssemos: “Bom dia, Pai!” e lhe comunicássemos que lhe dedicamos o dia inteiro por amor a Ele, basicamente porque Ele «nos amou primeiro» (João 4:19), «com um amor eterno» (Jeremias 31:3).

Na dedicação matinal oferecemos a Deus o nosso dia, consagramo-lo, tornamo-lo santo por respeito aos outros. «Et pro eis ego santifico meipsum», ou seja, «Para eles me santifico» (João 17:19). “Santifico” deriva do Grego “hagiazo”, que se pode traduzir por “santifico”, “consagro”, ou “dedico”. Dedicamos ou oferecemos ou consagramo-nos a Deus para nos tornarmos santos, não apenas para nós próprios, mas por respeito para com os outros.

São João Maria Vianney explicava porque é que temos que oferecer tudo a Deus: «Tudo o que fazemos sem o oferecer a Deus é desperdiçado». Assim, é aqui que começa a santidade: nos primeiros momentos da manhã.

Jesus apareceu a Santa Mechtild (1241-1298) e disse-lhe: «Quando acordares de manhã, que o teu primeiro acto seja saudar o Meu Coração e ofereceres-te a Mim […] quem quer que se dedique a Mim do fundo do seu coração, quando acordar de manhã e Me pedir que o ajude em todas as suas tarefas durante o seu dia, ter-Me-á com ele».

Não existe uma fórmula fixa para a dedicação matinal. São Josemaría usava uma oração que aprendera com a sua mãe: “Ó minha Senhora, Ó minha mãe, ofereço-Vos eu própria inteiramente a Vós. E como prova do meu amor filial, consagro-Vos os meus olhos, os meus ouvidos, a minha língua e o meu coração… numa palavra, tudo o que sou. E, como sou inteiramente Vossa, Santa Mãe, guarde-me e proteja-me com se eu fosse Sua propriedade e posse. Amém”.

Antes de rezar esta oração ele inclinava-se até ao chão e beijava-o (algo que o Papa São João Paulo II fez sempre que chegava a um novo país, assim que saía do avião) e dizia “Serviam!” (expressão latina para “Servirei”). Conta a tradição que esta foi a resposta dada pelo arcanjo Miguel quando Deus o pôs à prova, ao contrário da resposta de Lucífer (Satanás): “Non serviam” (“Não servirei”). Assim, depois desta dedicação matinal, São Josemaría beijava uma imagem da Santa Mãe de Deus e um pequeno crucifixo que tinha ao lado da sua cama. E isto marcava o tom para todo o dia.

Pode-se usar a dedicação matinal ao Sagrado Coração de Jesus, composta pelo padre François-Xavier Gautrelet, SJ, em 1844 (o padre Gautrelet iniciou o Apostolado da Oração): “Ó Jesus, através do Imaculado Coração de Maria, ofereço-Vos as minhas orações, o meu trabalho, alegrias e sofrimentos deste dia, em união com o Sagrado Sacrifício da Missa em todo o Mundo. Eu ofereço-os por todas as Vossas intenções do Vosso Sagrado Coração; a salvação das almas, o desagravo pelos pecados, a reunião de todos os Cristãos; Ofereço-os pelas intenções dos nossos Bispos e todos os membros do Apostolado da Oração, e em particular por aquelas intenções recomendadas pelo Santo Padre este mês. Amém”

Pe. José Mario Mandía

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