ATÉ AO FIM DOS TEMPOS

Até ao fim dos tempos

Jesus tinha um plano para a sua sucessão?

S. Pedro disse que Deus «deseja que todos os homens se salvem e tenham o conhecimento da verdade» (Timóteo 2:4). Se é assim, então como foi que Jesus Cristo assegurou que o que ele ensinou pudesse chegar a tanta gente quanta fosse possível através dos séculos? Devemos lembrar-nos que Ele disse que era a Verdade, e nesse caso o que estamos a falar é da entrega, não só de alguns ensinamentos, de meras palavras, mas de uma Pessoa. Como é que isto foi possível?

O Evangelho diz-nos que Jesus escolheu certas pessoas a quem ensinou e em quem instituiu autoridade. Três dos Evangelhos (Mateus 10:2-4; Marcos 2:13-19; Lucas 6:12-16) e os “Actos dos Apóstolos” (1:13) referem-nos uma lista de doze homens, escolhidos a dedo por Jesus. Não foram voluntários – «Jesus chamou a si, esses doze homens que escolheu» (Marcos 3:13). Se bem que a sequência dos nomes não apareça exactamente pela mesma ordem nessas quatro listas, repara-se que o nome de Simão Pedro está sempre em primeiro lugar, e o de Judas Escariotes em último, e se dividirmos o grupo dos doze em grupos de quatro nomes, de cada grupo constam sempre os mesmos nomes. O grupo dos doze foi seleccionado de entre os seus seguidores (discípulos): «Ele chamou os seus discípulos e escolheu doze de entre todos, aos quais chamou apóstolos» (Lucas 6:13).

E que responsabilidades Ele lhes conferiu? Entre outras:

Um: «Ele nomeou os doze, para ficarem com ele, para serem enviados a pregar, e tendo autoridade para exorcizarem os demónios» (Marcos 3:14-15).

Dois: Ordenou-lhes que fossem os instrumentos da sua clemência e misericórdia. «E ao dizer isto, soprou sobre eles, dizendo “Recebei o Espírito Santo. Se perdoarem os pecados de qualquer pessoa, eles serão perdoados; se mantiverem os pecados de alguém, eles ser-lhes-ão retidos”» (João 20:22-23).

Três: Ele deu a esses doze não só o poder de ensinar, mas também lhes deu o poder de O fazer presente entre nós de novo. «Isto é o Meu corpo que será entregue por vós. Fazei Isto em memória de Mim» (Lucas 22:19). S. Paulo assegura o sentido literal destas palavras. O que Jesus disse naquele momento não era uma mera parábola. Não é o Cálice da Consagração que nós abençoamos, a participação no Sangue de Cristo? Não é o Pão que nós partimos a participação no Corpo de Cristo? (Coríntianos 10:16).

No início da Igreja isto era uma crença firme. S. Justin (martirizado no ano 165 D.C.), escreveu: «Os apóstolos, as suas lembranças, a que chamamos de Evangelhos, deram-nos o que Jesus lhes ordenou que fizessem. Eles disseram-nos que Ele pegou no pão, deu Graças e disse: “Façam isto em memória de Mim. Isto é o Meu Corpo”. Da mesma forma ele tomou o cálice, deu Graças e disse: “Este é o Meu Sangue”. O Senhor deu esta ordem apenas a eles e a mais ninguém».

A missão que Jesus nos impôs não foi para apenas uma geração, mas para todo o sempre. «Vão e façam discípulos em todas as nações, baptizem-nos em nome do Pai e de Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a respeitarem tudo o que vos ordenei, e assim estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mateus 28:19-20). Para poder haver continuidade, foi concedido aos apóstolos o poder de transmitir esta missão às gerações seguintes, através do ritual da “Imposição das Mãos”. (ver Timóteo 4:14, 5:22, 1:6).

Dos doze escolheu um que seria o chefe – Pedro. E como sabemos isto? Existem provas abundantes desse facto.

Uma delas: Jesus mudou-lhe o seu nome. Anteriormente chamado de Simão, Jesus deu-lhe o novo nome de “Kephas” ou “Cephas” (em Hebraico) o que traduzido para Grego será “Petros” e Peter em Inglês (em Português – Pedro) (ver Mateus 16:18 e João1:42). No Antigo Testamento, quando Deus escolhia um homem para uma tarefa importante, dava-lhe um nome novo: Abrão para Abraão e de Jacó para Israel.

Desejam mais provas?

No capítulo 22 de Lucas (versículos 31-32) Jesus diz a Simão (usaremos sempre os nomes em Português para melhor entendimento): «Simão, Simão, acautela-te, Satanás tentará apanhar-vos, ele tentará separar-vos como se faz ao trigo, mas Eu rezei por ti, para que a tua fé não ceda; quando regressares, de novo convertido, fortalecerás os teus irmãos».

E aquela conversa emotiva entre Jesus e Pedro depois da Ressurreição, onde Jesus pergunta a Pedro e apenas a Pedro; “Amas-me?” depois de cada resposta, Jesus diz-lhe «alimenta as minhas ovelhas» ou «alimenta os meus cordeiros» (ver João 21:15-17).

Nos quatro Evangelhos e nos Actos dos Apóstolos o nome de Pedro (que inclui também “Simão” e “Simão Pedro”) é citado 184 vezes. Segue-se-lhe João, com apenas 30 citações.

Pedro toma a iniciativa em muitas ocasiões, frequentemente falando (Mateus 16:16; Marcos 8:29; Lucas 9:20); em nome dos apóstolos (ver Mateus 19:27, assim como Marcos 10:28, Lucas 18:28 e João 6:68); é ele que pede ao Senhor que lhes explique o sentido das parábolas (Mateus 15:15); ele pergunta se a parábola é só para o grupo, ou para todos em geral (Lucas 12:41); ele acredita e professa que Jesus é o Messias (Mateus 16:16; Marcos 8:29; Lucas 9:20); ele confronta Jesus quando Jesus antecipa a sua paixão e morte (Mateus 15:22; Marcos 8:32); dos três apóstolos que Jesus levou para a montanha durante a transfiguração, é Pedro quem propõe que se ergam as três tendas (Mateus 17:4; Marcos 9:5; Lucas 9:33); depois Jesus diz que tudo o que eles desligassem na terra seria desligado no céu, e tudo o que eles ligassem na terra seria ligado no céu (Mateus 18:18); é Pedro quem pergunta quantas vezes eles têm que perdoar (Mateus 18:21); ele promete manter-se fiel no meio das perseguições (Mateus 26:33; Marcos 14:29; João 13:37); ele sente ser seu dever defender Nosso Senhor quando os soldados o vêm prender (João 18:10); ele corre para o túmulo de Cristo depois de ter sido informado da Ressurreição pelas mulheres (Lucas 24:12; João 20:3); e João deixa-o entrar primeiro, mesmo que tenha chegado ao túmulo mais cedo (João 20:4-5); outras pessoas também reconheciam Pedro como o líder dos doze: os cobradores da taxa de meio shekel (Shekel = moeda de Israel no tempo de Jesus) (ver Mateus 17:24); os Anjos no túmulo (ver Marcos 16:7); e os próprios restantes discípulos (ver Lucas 24:34).

Pedro teve sucessores?

Desde os primeiros registos cristãos que se pode seguir a lista dos sucessores de Pedro ou Papas. St. Ireneu de Lyon (130/140-203 D.C.), na sua obra “Adversus Haereses” (Contra os Hereges), lista os sucessores de Pedro até ao ano 180 D.C. S. Optatus, no “De Schismate Donatistarum”, amplia a lista até ao ano 366 D.C. St. Agostinho (354-430) aumenta os nomes da lista até ao ano 400 D.C.

Será que Jesus tinha um plano para a sua sucessão? Podem apostar que tinha!

Pe. José Mario Mandía

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