CONCILIADORA E FIRME

Conciliadora e Firme

A Madre Rosa vista pelos seus alunos.

«A madre Rosa era especial». É assim que Isaías do Rosário, engenheiro mecânico que cresceu em Macau, sintetiza a influência que Maria Adolfa Rosa Serafina Rodrigues, irmã da Congregação das Franciscanas Missionárias de Maria, falecida a 8 de Fevereiro, teve sobre o seu percurso de vida.

A religiosa, nascida na ilha da Madeira a 6 de Maio de 1925, foi a primeira educadora de infância de várias gerações de residentes do território que iniciaram o seu percurso escolar no Colégio de Santa Rosa de Lima, e foram vários os antigos alunos do estabelecimento que fizeram questão de se associar, na passada quarta-feira, às cerimónias fúnebres da antiga professora.

Radicado em Portugal, Isaías do Rosário não pôde comparecer, mas fez questão de homenagear a madre Adolfa Rosa num tributo que partilhou nas redes sociais, em que lembra a irmã das Franciscanas Missionárias de Maria como alguém sempre presente. «Cheguei a Macau a 18 de Agosto de 1966, tinha eu dois anos. Quando, em Outubro, começaram as aulas no Colégio de Santa Rosa de Lima, a madre Rosa foi quem me recebeu. Foi a minha primeira professora», disse a’O CLARIMo antigo piloto de automóveis. «Convivi com a madre Rosa não só no infantário, mas também na catequese. O que me ficou na memória é o seu sorriso. Sempre que a via estava a sorrir e mais tarde, sempre que nos encontrávamos, exibia sempre uma grande alegria», salientou Rosário.

«Já crescido, fui passar um fim-de-semana numa colónia de férias onde a madre Rosa tomava conta das crianças e vi a preocupação dela, não só com as crianças, mas também comigo e com os meus amigos. Foi um fim-de-semana inesquecível», recordou o engenheiro mecânico, com raízes familiares nos territórios da antiga Índia Portuguesa.

Amorosa e meiga, a irmã era inflexível e firme em termos morais e uma educadora sempre atenta às necessidades dos alunos que acolhia. Quem o diz é Vicente Pereira Coutinho, que frequentou o Colégio de Santa Rosa de Lima nos anos que antecederam o 25 de Abril e recorda o empenho e a dedicação que a religiosa devotava aos alunos com maiores necessidades. «Perdia tardes inteiras a acompanhar certos alunos que teriam dificuldades a nível familiar e possuía o dom de quebrar as barreiras linguísticas e as barreiras culturais que potenciavam alguns dos pequenos conflitos e desentendimentos que existiam na altura», contou a’O CLARIM.

A exemplo do que sucedeu com Isaías do Rosário, Vicente Pereira Coutinho também se voltou a cruzar com a madre Rosa na catequese e, mais tarde, nas iniciativas desenvolvidas pelo Movimento dos Focolares no território, do qual foi uma das impulsionadoras. «O impacto que a madre Rosa teve na minha formação foi excelente. Era dura e forte quando necessário, meiga e directa na maior parte das ocasiões», notou. «Foi minha professora durante dois anos, estive com ela na catequese e no Movimento Focolare e todas estas experiências acabaram por marcar a minha formação», admitiu.

Maria Adolfa Rosa Serafina Rodrigues desempenhou também funções na Cáritas Macau e em diversos serviços paroquiais. Faleceu no início do mês, aos 94 anos.

Marco Carvalho

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