LEÃO XIV CHEGOU ONTEM À TURQUIA. SEGUE-SE O LÍBANO

LEÃO XIV CHEGOU ONTEM À TURQUIA. SEGUE-SE O LÍBANO

Primeira viagem apostólica sob o espírito de Niceia

O Papa chegou ontem a Ancara, após pouco mais de duas horas de voo desde Roma, para iniciar a sua primeira viagem apostólica internacional, com uma mensagem de «unidade» e um apelo à «paz em todo o mundo».

À sua chegada, Leão XIV foi recebido por duas crianças vestidas com trajes tradicionais, que lhe ofereceram flores, antes de um breve encontro com responsáveis do Governo turco.

O Papa seguiu de carro para o Mausoléu de Atatürk, primeira paragem desta viagem, que incluiu encontros com o Presidente da República turca, Recep Erdogan, bem como representantes civis e diplomáticos, para o primeiro discurso da viagem.

“Agradeço a Deus por poder visitar a Turquia e invoco sobre este país e o seu povo uma abundância de paz e prosperidade”, escreveu no livro de honra do museu.

A bordo do voo que descolou de Roma, o Pontífice dirigiu-se aos 81 jornalistas presentes, sublinhando o simbolismo da visita, que celebra os mil e 700 anos do Concílio de Niceia.

«Eu desejei muito esta viagem pelo que ela significa para todos os cristãos, mas também porque é uma grande mensagem para o mundo inteiro», afirmou Leão XIV, acrescentando que a presença da Igreja nestes territórios visa «anunciar, transmitir, proclamar a importância da paz».

Numa saudação marcada pela emoção da sua primeira saída de Itália após a eleição pontifícia, a 8 de Maio, o Papa reforçou a necessidade de fraternidade universal.

«Para além das diferenças, para além das diferentes religiões, das diferentes crenças, somos todos irmãos e irmãs e esperamos promover a paz e a unidade em todo o mundo», declarou.

Sendo o primeiro Papa norte-americano da história, Leão XIV desejou um «feliz Dia de Acção de Graças» aos jornalistas compatriotas, num ambiente de proximidade que incluiu momentos de humor e troca de presentes.

Segundo o portal Vatican News, a decana dos vaticanistas, Valentina Alazraki, saudou o Papa dando-lhe as boas-vindas à «jaula dos leões» e ofereceu-lhe um ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, «para um Papa da América do Norte, mas com coração latino-americano».

Leão XIV recebeu uma carta de Ignacio Gonzálvez, um jovem espanhol com doença oncológica grave internado no Hospital Bambino Gesù, cuja situação tem acompanhado de perto.

Questionado sobre futuras viagens, o Pontífice deixou em aberto uma visita à Espanha – após receber o brasão dos seus antepassados maternos, de origem cantábrica – e confidenciou o desejo de visitar a Argélia.

A viagem, que decorre até 2 de Dezembro, inclui etapas em Ancara, Istambul e Iznik (antiga Niceia), terminando no Líbano, onde o Papa pretende confortar uma população «ferida por guerras e crises».

A primeira etapa da viagem – termina este Domingo, 30 de Novembro – é assim a Turquia, um país onde a comunidade católica é uma minoria, representando apenas 0,04 por cento da população (cerca de 33 mil católicos num universo de 85,8 milhões de habitantes).

O logótipo da visita à Turquia destaca o mote “Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo”, com o desenho da Ponte dos Dardanelos a simbolizar a união entre a Ásia e a Europa.

Segue-se o Líbano, país com mais de dois milhões de católicos (cerca de 45 por cento da população) e uma estrutura eclesiástica composta por 24 circunscrições e mais de mil paróquias.

Sob o lema “Bem-aventurados os obreiros da paz”, esta etapa visa manifestar solidariedade à população libanesa e encorajar a reconciliação num contexto regional complexo.

Francisco visitou a Turquia em 2014 e Bento XVI esteve no País em 2006, seguindo os passos de Paulo VI, em 1964, e João Paulo II, em 1979.

Três Papas visitaram o Líbano, na época contemporânea: Paulo VI, em 1964; João Paulo II, em 1997; e Bento XVI, em 2012.

PROGRAMA DE DIÁLOGO

O cardeal D. José Tolentino Mendonça considera que a primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV, com destino à Turquia e ao Líbano, define um «programa de diálogo» para o Pontificado.

«É uma viagem onde o diálogo é necessário. O diálogo inter-religioso, o diálogo com as outras igrejas cristãs», disse aos jornalistas o prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação (Santa Sé).

À margem da apresentação do seu novo livro, na sede da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, o cardeal português destacou a importância simbólica desta deslocação.

Para D. José Tolentino Mendonça, a escolha destes destinos propõe a Igreja Católica como «lugar de encontro para a Humanidade nesta hora do mundo», sublinhando também a dimensão da celebração dos mil e 700 anos do Concílio de Niceia, um evento que «marca profundamente o Cristianismo».

A antiga cidade de Niceia recebeu em 325 o primeiro Concílio Ecuménico, com a missão de preservar a unidade da Igreja, perante correntes teológicas que negavam a plena divindade de Jesus Cristo e a sua igualdade com o Pai, reunindo cerca de trezentos bispos, convocados pelo Imperador Constantino.

Os participantes acabaram por definir o “Símbolo de fé”, o Credo, que ainda hoje se professa nas celebrações eucarísticas dominicais.

D. José Tolentino Mendonça, que participou no Conclave de Maio, partilhou a sua visão sobre os primeiros meses de Pontificado de Leão XIV, descrevendo uma evolução na relação com os fiéis.

«Tenho visto o quanto ele tem uma vontade sempre maior na relação, como a empatia cresce sempre mais. Há uma espécie de intimidade na relação dele com os peregrinos», observou.

In ECCLESIA

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *