Sabedoria Chinesa

Os princípios do Feng Shui

Os princípios do Feng Shui

Os princípios do Feng Shui derivam do clássico chinês I Ching – o Livro das Mutações, cuja autoria é atribuída à Fu Hsi. Os ensinamentos do Feng Shui estão contidos no livro Tao Te Ching, a base do Taoísmo, escrito entre os séculos VI e V a.C. pelo filósofo chinês Lao Tsé, onde se afirma que existe uma energia universal que cria e transforma todas as coisas e com a qual se deve estar em harmonia. As palavras Feng Shui significam, literalmente, Vento e Água. Juntas proporcionam o fluxo ideal dessa energia vital chamada Ch’i. Segundo a teoria chinesa das polaridades tudo tem o seu oposto e nem o Ch’i está livre dessa lei universal, pois o seu oposto é Sha, energia estagnada, geradora de discórdia e frustração. Para neutralizar Sha, dinamiza-se Ch’i e obtêm-se paz e harmonia.

De acordo com a filosofia oriental o universo é composto por cinco elementos: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Apesar de nem sempre perceptíveis, os cinco elementos têm um papel fundamental na nossa vida quotidiana. As nossas emoções, saúde, alimentação, e até a nossa vida espiritual, resultam sempre da interacção entre estas cinco forças da natureza. Segundo esta antiga sabedoria chinesa, a harmonia entre as energias manifesta-se da seguinte maneira: a Madeira serve de alimento ao Fogo, que quando se apaga transforma-se em cinzas que farão parte da Terra, na qual o Metal e outros minerais são formados. Por sua vez, quando liquefeitos, os metais transformam-se em Água, que serve de alimento para os vegetais que nos fornecem a Madeira. Assim, cada um dos elementos tem a sua função específica em relação ao outro. Da mesma forma como podem contribuir para a sua existência mútua, os elementos também podem opor-se uns aos outros. Ou seja: o Metal abate a Madeira, a Madeira penetra a Terra, a Terra controla o fluxo da Água, a Água extingue o Fogo que, por sua vez, derrete o Metal. Podemos assim observar que não há supremacia entre os cinco elementos da natureza. Este mesmo inter-relacionamento existe no corpo humano, onde cada um dos órgãos mais importantes corresponde a um dos elementos: Metal – Pulmões, Fogo – Coração, Madeira – Fígado, Água – Rins, Terra – Baço e Pâncreas. A medicina tradicional chinesa (acupuntura e fitoterapia) recorre a essa correspondência Órgão/Elemento e procura equilibrar as correntes de energia vital que fluem através do corpo humano, a fim de que o homem possa restaurar a sua saúde e mantê-la em equilíbrio. Da mesma forma, cada recanto da nossa casa é regido por um dos cinco elementos e pode ficar doente quando existe um bloqueio ou excesso de energia vital Ch’i. A acupuntura cura o corpo humano por meio de agulhas, a fitoterapia pelas plantas, já o Feng Shui trabalha com objectos e cores, para reequilibrar o ambiente que nos rodeia.

 

AS DIFERENTES ESCOLAS

A Escola da Forma é a mais antiga e tradicional das técnicas do Feng Shui. Tem sempre em consideração o relevo em redor da casa e os pontos cardeais, por forma a determinar o modo de como o Ch’i pode melhor fluir. Após uma análise à topografia do terreno, associa-se cada ponto cardeal a um dos quatro animais, cores, estações e direcções. São eles: Norte: Tartaruga, Preto, Inverno, Fundos. Sul: Corvo, Vermelho, Verão, Frente. Leste: Dragão, Verde, Primavera, Esquerda. Oeste: Tigre, Branco, Outono, Direita. Essa técnica aplica-se quando se está ainda na fase de decisão acerca da construção. O mestre de Feng Shui examina o local e idealiza um Dragão imaginário no local, discernindo a sua cabeça, os seus membros, o corpo e a cauda. É o ponto de partida para a orientação da construção. Danificar o Dragão seria considerado um verdadeiro desastre. Por isso: árvores que definam a sua forma não devem ser cortadas. Regatos, lagos próximos da sua boca devem ser mantidos, pois são as “pérolas da saliva do Dragão”.

De acordo com a Escola da Forma, a casa ideal deve ter uma montanha a norte, um monte a leste, outro a oeste e uma planície a sul. Quando não é possível obedecer aos pontos cardeais prevalecem então as direcções: o Corvo deve estar sempre na entrada, mesmo que esta não esteja voltada para sul; a Tartaruga atrás, o Dragão à esquerda e o Tigre à direita. O ideal é que os quatro animais estejam presentes na topografia. Caso isso não seja possível, o Dragão ou o Tigre podem servir para estabelecer a presença simbólica das quatro criaturas. É prioritário que o Dragão esteja presente.

A Escola da Bússola é a mais difundida na China. Os seus mestres utilizam o Lo Pan, uma bússola magnética rodeada por um disco que contem os Pontos Cardeais, os Trigramas do Ba-Guá, os Números do Lo Shu e os Ciclos da Astrologia Chinesa. Esse método valoriza a interacção das pessoas com os respectivos lares, considerando os seres humanos como a energia mais importante do Meio Ambiente. De acordo com essa escola, para proceder a um ajuste no equilíbrio dos elementos é necessário ainda conhecer as direcções pelas quais se regiu a construção. Segundo a tradição chinesa, as construções devem obedecer aos quatro pontos cardeais e às características geográficas do terreno. Nas grandes cidades nem sempre é possível obedecer à essas direcções, o Feng Shui, então, faz as correcções necessárias, com o auxílio de uma bússola e pêndulos, definindo a partir da identificação do norte da casa quais as direcções auspiciosas e quais as não auspiciosas. São elas: Auspiciosas: Sheng Chi, “o regenerar da respiração” (prosperidade), atrai dinheiro e prosperidade. Nien Yen, “longevidade com ricos descendentes” (relacionamentos), local que promove os relacionamentos. Tien Yi, “doutor no paraíso” (saúde), bom local para os problemas de saúde. Fu Wei, “harmonia para todos os lados” (espiritualidade), indica o local de paz e boa sorte. Não auspiciosas: Ho Hai, “acidentes e contratempos” (perdas), local de perdas financeiras. Lui Sha, “seis assassinatos” (doenças), causador de doenças e dificuldades. Wu Kwei, “cinco fantasmas” (má sorte), local de perigo de incêndios, roubos e conflitos. Chueb Ming, “total perda de familiares” (desastres, doenças, e má sorte). Esta última é a pior das áreas. Nunca posicione a sua porta de entrada nessa área.

Além de conhecer as direcções correctas é necessário calcular os números pessoais de cada morador para serem colocados no centro do “Ba-Guá pessoal”. Esse número irá indicar qual direcção é a mais auspiciosa para cada morador, a fim de efectuar as correcções no ambiente onde elas passam a maior parte do tempo.

A Escola do Chapéu Negro, fundada pelo mestre chinês Lin Yun , conquistou o Ocidente pela sua simplicidade. Unindo os preceitos do Feng Shui à filosofia do Budismo Tântrico, Lin Yun fez milhares de seguidores por todo o mundo. Segundo a Escola do Chapéu Negro, existem determinados pontos no nosso lar aos quais chama Guá. São eles: Prosperidade, Sucesso, Relacionamentos, Criatividade, Amigos, Trabalho, Espiritualidade e Família.

Cada um dos Guá estão relacionados com os cinco elementos, responsáveis por manter o equilíbrio de Ch’i. A ausência do elemento certo num determinado Guá pode provocar o desequilíbrio de Ch’i, resultando em efeitos negativos. Uma casa limpa e organizada é o ponto de partida. No (Guá) do centro da casa é onde ocorre o fluxo e refluxo das energias. As casas de banho são os locais de maior escoamento de energia. Para segurar o Ch’i nesses ambientes há que manter a porta, ralos e a tampa da sanita fechadas. Existem amuletos para se colocar nesses locais, a fim de selar o escoamento de energias.

Joaquim Magalhães de Castro

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