Mais portugueses nas Caraíbas

Rota dos 500 Anos-Mais portugueses nas Caraíbas

Temos estado a trabalhar para zarparmos rumo a norte, ao encontro dos amigos do Gentileza. Finalmente chegou a transmissão, que mandámos vir de Martinica, tendo-a já instalado no respectivo lugar. Apesar de recear que viesse a ter o mesmo trabalho de quando a retirei do barco, a empreitada foi mais rápida e com menos arranhões. Uma manhã foi suficiente para limpar o motor e o piso do compartimento que o alberga, pois sempre acumula água e óleo – as fugas são inevitáveis – e para colocar a caixa de 15 quilos.

Sabendo de antemão que tinha de retirar o prato que a segura ao motor, a tarefa tornou-se mais fácil de concretizar. Uma vez instalada, com os seis parafusos apertados, seguiu-se a fixação do resto do sistema. Testado o controlo do leme, com o motor ligado e desligado – a transmissão estava a engatar sem quaisquer problemas – voltei a aparafusar o veio da transmissão à caixa e realizei um segundo teste. Felizmente não foi necessário proceder a qualquer ajustamento na posição do motor. Apenas apertei os parafusos das sapatas do motor, dado que alguns estavam laços e deixavam-no vibrar mais do que o normal. Por último, lubrifiquei a transmissão e substitui o óleo do motor e o respectivo filtro.

Por agora, tudo parece estar em condições. O derradeiro teste terá lugar quando deixarmos Pointe-à-Pitre, rumo ao Norte. Durante o teste efectuado ao motor não içámos a âncora, uma vez que os barcos que têm chegado depois de nós têm sentido enormes dificuldades para enterrar as âncoras. Nós também passámos pelo mesmo, mas fomos capazes de resolver o problema sem grandes complicações. Temos enterradas duas âncoras à proa, não vá o diabo tecê-las.

Instalada a caixa da transmissão, passámos para a substituição do plástico das janelas da cobertura do poço. Começámos o trabalho com a nossa máquina de costura, que a meio da obra decidiu fazer greve e deixou de funcionar. Sem tempo ou paciência para vermos o que tinha de errado, decidimos recorrer à máquina de costura manual. Embora tenha sido mais demorado e laborioso, até que o resultado final não foi mau de todo. Há apenas a lamentar o facto de ter dado um golpe no plástico novo, o que me obrigou a improvisar um remendo. Da próxima vez terei mais cuidado para não repetir o erro. Estava previsto levarmos cerca de um dia, mas com a máquina de costura manual devemos levar uns quatro ou cinco.

Concluída a tarefa das janelas, abastecidos os tanques de água e gasóleo, e tudo arrumado nos devidos lugares, teremos o Dee em condições para prosseguir viagem.

No último fim-de-semana, quando fomos à marina comer um gelado com a Maria, vimos uma bandeira portuguesa no brandal de um dos barcos atracados nos pontões. Curiosos, arranjámos forma de entrar na zona reservada para vermos quem era o proprietário. Descobrimos que se trata de um veleiro, de bandeira belga, de nome Maião, propriedade de um português. A tripulação é constituída por dois velejadores de Lisboa, que vieram de Cabo-Verde há poucos dias. Estiveram em Martinica, onde conheceram o engenheiro português que passou connosco o Natal, estando a planear seguir para Norte, em direcção a Cuba. Ficámos de nos encontrar, pois não conseguimos conversar convenientemente – era tarde, estava a chover e precisávamos de regressar a “casa”.

Nos próximos dias, terminado o trabalho da primeira janela da cobertura do poço, iremos adquirir mais plástico para a outra janela lateral e para a janela central, que ainda não precisa de ser substituída, mas mais cedo ou mais tarde terá de ser. Se na loja houver tecido à prova de água, a bom preço, iremos também comprar alguns metros para fazermos umas cobertas laterais para o poço. Assim, quando estiver a chover, a zona central permanecerá seca e habitável, o que irá aumentar a qualidade de vida a bordo e as reservas de água potável.

A nossa estada em Pointe-à-Pitre tem sido agradável, mas está a prolongar-se demasiado. Posto que os amigos do Gentileza já partiram de Curacao, rumo às Ilhas Virgens Britânicas, é tempo de “levantar ferro”.

Se tudo correr como delineado, deveremos sair de Guadalupe, com paragem em Les Saintes, em direcção a São Bartolomeu, outra ilha francesa. Não haverá tempo para muito mais porque em Maio deveremos voltar a Guadalupe para receber um casal amigo que virá de Portugal. Teremos então a oportunidade de visitar as outras ilhas que faltarem ao itinerário.

JOÃO SANTOS GOMES

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