Fórmula 1 – Época de 2017

A Nova Fórmula

A Nova Fórmula

Será, na realidade, uma nova Fórmula 1, aquela que irá testar os seus novos carros no Circuito da Catalunha, Barcelona. Nova… em muitos aspectos.

Os novos regulamentos técnicos foram feitos com o único intuito de travar o voo das “Flechas de Prata” da Mercedes Benz. Os carros da marca de Estugarda dominaram tudo e todos durante os últimos três anos, devido ao extenso conhecimento da tecnologia turbo. Três anos, três campeonatos do mundo de construtores e outros tantos de pilotos, foi o saldo positivo da Mercedes. Como se viu, os pilotos da equipa alemã davam-se ao luxo de lutarem entre si, ao ponto de destruírem os carros em absurdos incidentes de corrida. E ainda assim ganhavam. O domínio era tão escandaloso que o único interesse que os mundiais da Fórmula 1 tiveram nos últimos dois anos foi saber se o filho de Keke Rosberg, Nico, seria capaz de vencer o seu companheiro de equipa. O piloto finlandês, que corria com uma super licença alemã, foi muitas vezes prejudicado pelos comissários, com decisões no mínimo polémicas, sobre incidentes de corrida.

No ano passado, Rosberg venceu, finalmente e taxativamente, o seu companheiro de equipa, o britânico Lewis Hamilton. Rosberg conseguiu realizar o seu sonho de criança… e anunciou a retirada das competições, quatro dias depois. A Fórmula 1 tremeu, algumas pessoas da sua ex-equipa ficaram muito zangadas, até que o presidente da Mercedes Benz, Dieter Zetsche, disse que achava muito normal e mesmo «bem» a decisão de Nico. E com isto a Mercedes foi ao mercado à procura de um piloto que pudesse substituir o novo (ex) campeão do mundo de pilotos. O escolhido, sem quaisquer surpresas, foi Valtteri Bottas, piloto da Williams, que usa motores alemães. Assim, o brasileiro Felipe Massa, o outro piloto da equipa de Sir Frank Williams, que até já tinha feito a festa de despedida, regressou. Dizem as más línguas que devido à oferta de um chorudo cheque por parte de alguém…

Os novos carros – pensa-se – serão muito mais rápidos que os seus predecessores. Com pneus maiores, mais largos, e que devem durar mais tempo antes de serem substituídos, aliados a diferentes apoios aerodinâmicos, mais reduzidos. Os novos bólides serão mais rápidos, por volta, em cerca de cinco a seis segundos. Óptimo! Vamos ter carros a andar tanto como os carros do período entre 2004 e 2007.

Se na pista tudo parece estar diferente, já nos bastidores muita coisa acontece, ao minuto, desde que a Liberty Media acabou de pagar os oito mil milhões de dólares americanos para ser tornar na nova entidade “dona e senhora” da Fórmula 1. Aqui tudo mudou, realmente! A Liberty Media mudou de nome para “Formula One Group”. Bernie Ecclestone, “o Senhor Fórmula 1” foi despedido, ao fim de quarenta anos aos comandos da maior série do desporto motorizado mundial (400 milhões de tele-espectadores e 600 cadeias de televisão a difundir a Fórmula 1). No seu lugar foi colocado o ex-presidente da 21st Century Fox, Chase Carey, que fartou de elogiar o trabalho do seu antecessor, e afirmou a vontade de que todos juntos (quem?) possam fazer melhor, pensa-se que ao “american style”. Não se sabe bem o quê, ou como. Mas sabe-se que Gunther Steiner, chefe de equipa americana Haas F1, já alertou para a necessidade de não se mexer demais no que existe, com o perigo de «partir se se poder tudo».

Para dirigir as operações no terreno foi escolhido um nome sobejamente conhecido da Fórmula 1. Nada mais, nada menos, que Ross Brawn, o ex-estratega das vitórias de Michael Schumacher e o único construtor/chefe de equipa de Fómula 1 a estrear-se nos campeonatos e a desaparecer, logo a seguir, como vencedor. Brawn será o homem forte que lidará com a FIA (a Federação Internacional do Automóvel – órgão que regula o desporto automóvel mundial através do seu braço desportivo, a FISA – Fédération Internationale du Sport Automobile). Veremos como se vai dar.

A saída, esperada, de Bernie Ecclestone levantou uma onda de rumores de que o ex-patrão da Fórmula 1 estaria já a pensar em estabelecer uma nova série de corridas de automóveis tipo Fórmula 1; rumores que o próprio Ecclestone já veio a público desmentir. Será? A possibilidade não é virtual, pois, neste caso, tudo o que existe foi criado por Bernie que conhece, como ninguém, todos os contratos, todos os circuitos e os seus responsáveis, todas as equipas e patrocinadores, companhias de aviação, etc., etc. E tem o que é preciso para juntar tudo ao seu redor: Dinheiro, muito dinheiro!

Juntando a isto está o facto da “Formula One Group” ter sofrido, recentemente, uma fuga de informações que colocou nas mãos dos jornalistas o que é conhecido como a “página 34”. Esta página, que se pensa ser do contrato da ainda Liberty Media, lista uma quantidade apreciável de riscos concretos e reais, que pode deitar por terra toda a operação F1 da Liberty Media/Formula One Group, incluindo a possibilidade de que alguém possa aliciar equipas, pilotos e circuitos, e assim constituir uma série concorrente.

Nos finais deste mês, indiferentes aos “diz que disse” e às “possíveis possibilidades”, as equipas apresentarão os novos carros, os novos pilotos, as novas cores, e a nova Fórmula 1 estará nas pistas, arrancando, como de costume, pelos testes livres de Barcelona, para encanto ou desencanto dos aficionados. Até lá!

Manuel dos Santos

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