Filosofia, uma dentada de cada vez (33)

Como é que a Filosofia nos ajuda a analisar os problemas?

Como é que a Filosofia nos ajuda a analisar os problemas?

Resolver problemas é algo que fazemos todos os dias: em casa, no trabalho ou na escola, na igreja, no meio social em que nos inserimos… Quando temos um problema tentamos encontrar uma explicação: porque é que isto aconteceu? Podem surgir discussões devido a opiniões conflituosas. Mas se ouvirmos com mais atenção os argumentos de cada uma das partes poderemos ver que muitas das razões apresentadas são compatíveis umas com as outras. O único problema é que são apresentadas como “causas”. E é aqui onde as dificuldades por vezes se encontram. Porque nem todas as explicações e argumentos apresentados são causas.

Ora, a Filosofia pode ser uma grande ajuda. A Filosofia ensina-nos que há diferenças entre um princípio, uma causa, uma condição e uma ocasião. Deixem-nos começar com o mais abrangente de todos estes conceitos.

Um princípio, nas palavras de São Tomás, é “tudo aquilo de que alguma causa de qualquer modo procede”. Por exemplo, uma linha de partida é o princípio ou o começo de uma pista de corridas. Um outro exemplo: a Fé Católica ensina-nos que na Santíssima Trindade o Pai é o princípio do Filho. E ambos, Pai e Filho, actuam como o princípio do Espírito Santo. O Filho procede do Pai e o Espírito Santo procede de ambos, Pai e Filho.

Uma causa é uma espécie de princípio que real e positivamente influencia alguma coisa, de tal forma que essa coisa (o efeito) depende dela (a causa) de uma certa maneira. Uma causa influencia o “Ser” de algo. O carpinteiro é a causa da cadeira, os pais são a causa do filho. O carpinteiro afecta realmente a cadeira, porque se o carpinteiro não agir a cadeira não será construída. Os pais realmente afectam o “ser” do filho, porque sem a existência dos pais o filho não poderá existir. Ao analisarmos um problema é importante conhecer-se a causa, ou as causas.

Uma condição é algo necessário para que a causa produza efeito. Em si própria não faz com que algo aconteça. Por exemplo, uma sala de aula é uma condição para que o ensino ali tenha lugar, mas ter-se uma sala de aula não significa necessariamente que um estudante aprenda algo ao entrar numa sala de aula. Ou que salários baixos sejam uma condição para descontentamento ou baixa productividade.

Algumas condições são condições “sine qua non” e são absolutamente necessárias a que a causa seja exercida, e sem a qual a causa não pode agir: Por exemplo; uma pessoa necessita de se arrepender antes de ser perdoada? Porquê? Porque arrepender-se implica admitir que alguém ofendeu outro alguém. Só quando alguém admitir esse facto e lamentar tê-lo feito poderá receber o perdão. Uma pessoa que não admita ter pecado não sente a necessidade de ser perdoado.

A ocasião é algo que favorece a acção de uma causa livre. Por exemplo, um jantar festivo é uma ocasião para que alguém se embebede. A festa não foi a causa desse alguém se ter embebedado; muitas outras pessoas estavam na festa e ficaram sóbrias. Nem a festa foi uma condição para se embebedar, porque pode embebedar-se sozinho em casa.

Muitos cristãos sabem que foram chamados à santidade, mas a grande maioria pensa erroneamente que pode alcançá-la em ocasiões muito excepcionais. Na realidade, a Santíssima Virgem Maria e São José mostraram-nos que cada simples momento ou circunstância da nossa vida diária é uma ocasião para praticar as virtudes – uma oportunidade para se ser Santo.

Pe. José Mario Mandía

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