Curso Avançado em Estudos de Turismo e Hospitalidade

Aveiro “serve” Guizhou

Aveiro “serve” Guizhou

No seguimento das conversas d’O CLARIM com académicos da Universidade de Aveiro, soubemos da existência do Curso Avançado em Estudos de Turismo e Hospitalidade, dedicado a alunos chineses, mais propriamente da Universidade Normal de Guizhou. Damos-lhe todos os pormenores.

O “Advanced Course on Tourism and Hospitality Studies” (denominação em Inglês, visto o curso ser totalmente ministrado nesta língua, embora tenha uma componente de Português) foi organizado no último ano lectivo, entre Setembro de 2014 e Junho de 2015, tendo contado com a participação de quinze alunos provenientes da Universidade Normal de Guizhou.

Metade dos nove meses do curso foram ocupados com teoria, com os participantes a assimilarem algumas bases de língua portuguesa, a aprenderem a avaliar projectos e a aumentarem o conhecimento em diversas áreas ligadas ao Turismo. Na segunda parte do programa tiveram a oportunidade de colocar em prática o que aprenderam, através de estágios em hotéis, restaurantes, na delegação de Turismo da Região de Aveiro e no Museu de Aveiro.

O curso, findo o qual os alunos receberam um certificado, foi bem recebido pelos estudantes e pelas instituições envolvidas. No entanto, este ano (2016-2017) não foi organizado por falta de inscrições. Para Carlos Costa, director do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo da Universidade de Aveiro, tal facto deve-se «à falta de promoção e falta de conhecimento do público alvo». Com o objectivo de inverter a situação, a UA vai «tentar fazer uso das parcerias existentes com universidades da China, nomeadamente com a Universidade de Macau, Instituto Politécnico de Macau e Instituto de Formação Turística, e também com diversas instituições do interior da China que mantêm estreitos contactos com a Universidade de Aveiro noutros campos».

Depois deste esforço os responsáveis esperam que o número de alunos aumente e que o curso possa ser organizado anualmente. Segundo Carlos Costa, há a «consciência» que se trata de «um projecto arrojado», pois o investimento por parte dos alunos é avultado. No primeiro curso cada estudante teve de pagar três mil e 500 euros (valor suportado pela Universidade Normal de Guizhou), para além de ter acarretado com os custo da viagem, do alojamento e da alimentação. Carlos Costa reconhece que «para um aluno sem apoios, torna-se um pouco pesado e retira algum poder atractivo ao projecto», ressalvando, contudo, que se trata de um curso «reconhecido em toda a União Europeia. Os alunos devem olhar para ele como um investimento no futuro e não apenas como mais um certificado. É um curso que pode ajudar a abrir portas na Europa ou em qualquer outro local do mundo».

O acordo com a Universidade Normal de Guizhou, que deu origem a este programa avançado, foi firmado em 22 de Novembro de 2012. Para além da matéria curricular, previa todos os aspectos relativos à estadia dos alunos, como a participação em actividades exteriores e o alojamento. O acordo tem a duração de cinco anos, podendo ser renovado por igual período.

Como consequência da parceria firmada pelas duas universidades, em Junho de 2013 foi assinado um protocolo entre a Universidade de Aveiro, a província de Guizhou e o Ministério da Economia e do Emprego de Portugal que prevê a criação de projectos de investigação e de desenvolvimento, envolvendo cientistas e estudiosos dos dois países em áreas de interesse mútuo. Prevê também a organização de simpósios, conferências e seminários, onde os especialistas possam partilhar experiências e dar a conhecer o trabalho efectuado.

A’O CLARIM, Carlos Costa confessou que «o curso é apenas mais um passo para o estreitar de relações entre a Universidade de Aveiro e a China», tendo voltado a realçar a importância do protocolo assinado com a província de Guizhou.

O responsável explicou que Guizhou «aposta fortemente no turismo, mas não tem uma universidade que forme profissionais nesta área». Daí que a parceria com a Universidade de Aveiro assuma uma posição de destaque, estando envolvida na criação da Escola Internacional de Turismo da província de Guizhou.

À semelhança de outros projectos da UA relacionados com a China, também este tem o intuito de abrir as portas de outros países asiáticos, entre os quais a Tailândia, país cuja empatia com Portugal poderá servir de mote para um grande número de estudantes quererem aprofundar os seus estudos na área do Turismo, inseridos numa instituição europeia do Ensino Superior. A Malásia e as Filipinas são outros dois países que estão nos planos dos responsáveis da Universidade de Aveiro.

Sendo o curso leccionado em Inglês, o potencial de estudantes é muito grande, faltando apenas divulga-lo ainda mais junto das universidades asiáticas. Este ano lectivo a UA irá fazer um esforço com vista à captação de alunos na Ásia, através de uma melhor difusão da informação.

Quanto a Macau, dada a existência de protocolos com várias instituições de ensino do território, nomeadamente com o Instituto de Formação Turística, Carlos Costa gostaria que a Universidade de Aveiro «viesse a contar com a participação de alunos macaenses nas próximas edições do programa».

A promoção tem sido o grande calcanhar de Aquiles do projecto, pelo que os alunos do primeiro curso realizaram um vídeo promocional, direccionado ao público chinês (https://vimeo.com/143241730).

JOÃO SANTOS GOMES

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