Celebrou-se no dia 15 de Agosto a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Elevada ao céu em corpo e alma

Elevada ao céu em corpo e alma.

O último dos quatro dogmas marianos é o da Assunção em corpo e alma ao céu de Maria, proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de Novembro de 1950. Esta verdade de fé é uma consequência lógica da maternidade divina de Maria. Maria é uma criatura de Deus Criador, por isso mesmo teve um início e um final de vida na terra. No início, temos a sua conceição imaculada, em previsão da sua maternidade divina. No final, temos a sua assunção gloriosa, como coroamento de uma vida humana vivida sem pecado, «cheia de graça» (Lc., 1,28), íntegra no corpo e na alma, inteiramente consagrada à missão para a qual Deus a escolhera.

Na curta fórmula usada pelo Papa Pio XII para proclamar o dogma da Assunção de Maria, que vem dentro da constituição apostólica “Munificentissimus Deus”, são explicitamente citados os outros dogmas marianos: a conceição imaculada, a maternidade divina e a virgindade perpétua. A solene fórmula é esta: “Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

O Papa Pio XII, na mesma constituição, faz, logo no início, uma longa referência ao nexo entre Maria assunta e Maria Imaculada: “O privilégio da assunção brilhou com novo fulgor, quando o nosso predecessor Pio IX, de imortal memória, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De facto, estes dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo baptismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte. Deus, porém, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte quando chegar o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa. Mas Deus quis exceptuar desta lei geral a Bem-aventurada Virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular, ela venceu o pecado com a sua conceição imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos. Quando se definiu solenemente que a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a conceição de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais nova esperança de que em breve o Supremo Magistério da Igreja definiria também o dogma da Assunção corpórea da Virgem ao céu”.

Se o dogma da Assunção é recente, a devoção a Nossa Senhora Assunta faz parte da piedade popular desde os primeiros séculos da Igreja. Nos primeiros séculos haviam muitas celebrações em honra de Maria, mas nenhuma dessas celebrações separava Maria do Seu Filho glorioso, no entanto já divergirem as opiniões sobre a morte da Mãe de Jesus.

No século V, temos vários documentos da festa da Assunção, no dia 15 de Agosto, e a festa vem enumerada junto com as festas da Natividade, da Apresentação, da Anunciação e da Purificação de Maria. E era por ocasião destas festas que os Santos Padres pronunciavam as suas homilias marianas, fixando assim, através dos séculos, uma doutrina teológica que, seguramente, foi sustentada, alimentada e celebrada pela piedade popular. O Papa Pio XII, na constituição apostólica para a declaração do dogma, lembra que “nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, os santos Padres e os grandes doutores falavam de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seus sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que a festa tem em vista: não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo do Seu Unigênito Jesus Cristo”.

Um desses Santos Padres, é São João Damasceno (650-750), o qual refere que: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda a corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em Seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda a criatura como mãe e serva de Deus”.

O Santo Padre cita vários outros grandes autores antigos e conclui: “Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas consequências, Ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente ao Seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do Seu Filho, o imortal rei dos séculos”.

Logo depois de proclamar o dogma da Assunção em corpo e alma ao céu, o Papa Pio XII rezou uma oração composta por ele. Destaco apenas dois tópicos, para encerrar a nossa reflexão: “Ó Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Mãe dos homens, cremos, com todo o fervor de nossa fé, em vossa assunção triunfal em corpo e alma ao céu, onde sois aclamada Rainha por todos os coros dos anjos e todas as legiões dos santos, e a eles nos unimos para louvar e bendizer o Senhor, que vos exaltou sobre todas as demais criaturas, e para vos oferecer as expansões da nossa devoção e do nosso amor. Cremos que, na glória, onde reinais, revestida do sol e coroada de estrelas, sois, depois de Jesus, a alegria e o júbilo de todos os anjos e de todos os santos. E nós, desta terra onde somos peregrinos, confortados pela fé numa futura ressurreição, volvemos nossos olhos para vós, nossa vida, nossa doçura e nossa esperança”.

Frei Clarêncio Neotti, OFM (*)

(*) Texto editado

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