António Moura

António Moura

Um “Pequeno Cantor”.

António Moura nasceu em 1963, mais precisamente a 4 de Outubro, no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Foi registado na Freguesia da Sé com o nome de António Francisco Xavier Silva Moura.

Os primeiros anos foram vividos nas imediações do Cemitério de São Miguel Arcanjo, «num prédio que ainda hoje existe», como realçou. O pai era funcionário das oficinas do Leal Senado, que ficavam mesmo ao lado do local onde residia.

Aos três anos foi para Portugal, tendo morado «na Amadora até aos cinco ou seis», recorda. Após a curta passagem por Portugal, regressou a Macau, onde esteve até aos vinte anos. A segunda estadia no território foi vivida num apartamento na Avenida Sidónio Pais, que era também propriedade do Leal Senado.

Iniciou a escola, com o Pré-Escolar, no Colégio de Santa Rosa de Lima, enquanto que os Ensinos Primário e Secundário fê-los no Colégio D. Bosco, sendo que os últimos anos do Ensino Secundário foram completados no Liceu Nacional Infante D. Henrique.

Como qualquer jovem, na Macau desse tempo, António passava os tempos livres entre partidas de futebol, corridas de atletismo e as traquinices de infância e juventude. «Muito desporto», lembrou a’O CLARIM, intercalado com brincadeiras próprias da idade. Com os colegas do colégio, jovens da sua idade e filhos dos amigos dos pais, jogava às escondidas, aos polícias e ladrões, e a outras tropelias de rua nas imediações da Sidónio Pais.

Depois de uma infância e juventude gozadas em Macau, aos vinte anos, em 1998, regressou a Portugal. Foi para a Europa movido pelas incertezas quanto ao futuro da comunidade portuguesa e do território que iria “passar” para a China. «Algumas incertezas em relação ao futuro, pensando naturalmente nas filhas. A decisão acabou por não ser a mais correcta em termos pessoais e profissionais», confessou, acrescentando: «Na época havia muito “ruído” em relação à nossa presença em Macau, mais da parte do Governo português do que da parte dos chineses com quem lidava no dia a dia. Mas foi a decisão que tomei e hoje vivo com ela com um certo arrependimento».

Desde a mudança para Portugal, apenas visitou Macau por uma ocasião, mais concretamente no ano passado. Foram três semanas em que visitou a sua terra natal, reviu amigos e matou saudades de locais e vivências que deixou para trás há quase vinte anos. «A partir de agora espero regressar mais vezes, sempre que tiver oportunidade».

Em 2016 António foi encontrar uma cidade completamente diferente daquela que deixou na década de noventa. «A evolução dos tempos», como lhe chamou, salientando que gostou de «rever lugares antigos; lugares que trouxeram à memórias tempos antigos da juventude».

Apesar de aceitar bem as mudanças e de respeitar o evoluir da sociedade, é com «saudade» que se lembra «da Macau dos anos 70 e 80. Lugares, pessoas, cheiros de uma época que já não volta e uma realidade com a qual temos de aprender a viver», explicou, com alguma nostalgia.

A ida para Portugal teve mais a ver com a estabilidade familiar e profissional, face a toda a incerteza que persistia nos anos noventa. António pensou que «seria mais acertado deixar de pertencer aos quadros do Governo de Macau e optar por continuar a carreira profissional em Portugal. Desse modo, daria mais estabilidade à família».

Hoje considera que seria complicado regressar: «Perdi o “fio à meada” da burocracia governamental, especialmente a tudo o que foi criado após a transferência de soberania. Por outro lado, andar sempre em mudanças não traria nenhuma estabilidade à nossa família».

Da vivência em Macau guarda, com especial carinho, o facto de ter pertencido ao grupo dos Pequenos Cantores durante quase oito anos. Daí que tenha criado amizades que ainda hoje preserva. «Muito graças às redes sociais» vai mantendo contacto com os amigos que com ele partilharam a experiência dos Pequenos Cantores. Na última viagem a Macau foi «recebido de braços abertos por todos eles. Os amigos do tempo do D. Bosco e do Infante D. Henrique estavam todos à espera» depois de tantos anos ausente da terra que o viu nascer.

João Santos Gomes

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