Vale a pena o Poder?

Olhando em Redor

Vale a pena o Poder?

O mundo está cheio de guerras. No Médio Oriente (e parte de África), no Ocidente e no Oriente. No primeiro caso é uma ideologia sanguinária que usa erradamente uma religião para subverter toda uma ordem que garante a estabilidade nesta parte do globo.

No segundo caso são as guerras políticas e económicas a fazerem os seus ditames em prol de uma elite que mais parece um bando de criminosos. No Oriente são as instabilidades apoiadas por um tentáculo invisível e omnipresente que nada tem a ver com qualquer religião ou filosofia não-teísta.

O poder é como o dinheiro: cega as pessoas. Em pleno século XXI, quando o mundo devia caminhar para a preservação dos valores morais e para a solidariedade entre os povos, eis que surgem sinais deveras preocupantes que potenciam a desigualdade, a corrupção e a desumanidade.

No Médio Oriente, e numa determinada zona de África, há três organizações terroristas em actividade que subvertem o Islão a favor de uma atroz barbárie que se apoderou daquela região num curto espaço de tempo. No caso do Iraque e da Síria, causa-me espanto como é que os satélites norte-americanos que nos vigiam constantemente ainda não deram com os autores das carnificinas praticadas a céu aberto, quando até foram eficazes a descobrir uma agulha no palheiro em Abbottabad (Paquistão).

É certo que na caça a Bin Laden contribuíram sobremaneira as “inteligências” no terreno, porém, o rastrear dos movimentos de quem comete crimes contra a humanidade a “olhos vistos”, pelo menos para os satélites, devia ter medidas mais efectivas que não dependessem quase exclusivamente dos drones.

Não duvido que tais organizações terroristas até enfraqueçam mais o Islão do que a cristandade. Todavia, não será esta a razão primordial que afasta a principal potencia ocidental de dar uma resposta mais cabal.

 

Contradições

No Ocidente, expoente máximo da democracia, há uma total ausência de valores morais, pois o fútil, o despudor e a falsidade tomaram conta da vida de muitos povos. A falta de ética da classe política sobrepõe-se, regra geral, à boa governança, porque a mentira e o engano estão de mãos dadas com a máxima “os meios justificam os fins”.

A democracia é invariavelmente posta na gaveta para ser lembrada em tempo de eleições, porque nas outras alturas nada mais tem servido do que para encher os bolsos de quem tem responsabilidades acrescidas no garante da paz e da estabilidade social.

A maior parte dos povos europeus e do continente americano anda inebriada por um manto turvo que não lhe deixa ver a realidade com clareza, porque uma promessa acalenta sempre a esperança de algo melhor. Ou não fosse o Homem cobiçoso por natureza, no bom e no mau sentido. Houvesse boa governança e não teríamos países, por vezes cumulativamente, com taxas de desemprego altas, com défices preocupantes, com taxas de criminalidade assustadoras e com desigualdades sociais galopantes.

No Oriente nota-se um claro antagonismo em relação à República Popular da China por parte dos Estados Unidos. A razão é óbvia: há que manter o predomínio da liderança mundial, que também significa financiar a sua economia a partir de fora, com o subterfúgio de garantir a estabilidade e a paz mundial.

A tese de quem assim pensa cai por terra se respondermos a estas duas questões: em quantas guerras estão os Estados Unidos envolvidos pelo mundo fora? E a República Popular da China?

Convém ainda desmistificar o seguinte: é errado pensar-se que a ditadura norte-coreana está apenas a favorecer os interesses da China. É óbvio que também favorece o interesse americano, porque enquanto a família Kim governar o país mais isolado do mundo os Estados Unidos têm o pretexto de estacionar a sua força naval no Pacífico (as disputas nos Mares do Sul e do leste da China reforçam esta tendência). Percebe-se por que razão foi célere a capitulação de Saddam Hussein no Iraque, enquanto a família Kim dura, dura e dura no poder.

 

Democracia

A RPC, onde a maior parte da população não professa qualquer religião, entendeu que a ameaça ocidental pode trazer-lhe danos irremediáveis à estabilidade interna, não através da guerra, mas sim pela ausência de valores promovida pelos Estados Unidos que até têm grande aplicabilidade em muitos países europeus. Para evitar o contágio, a RPC defendeu-se com a educação patriótica e com a imposição de regras para o avanço da reforma democrática em Hong Kong, que depois terá repercussão em Macau.

Enquanto vigorar a Lei Básica nas duas RAE estou certo que nunca haverá sufrágio universal para a eleição dos Chefes dos Executivos, sem uma triagem de candidatos. O avanço da reforma democrática no País será conforme o modelo idealizado pelo Poder Central, devendo a sua implementação acontecer quando lhe parecer mais favorável. Os activistas Joshua Wong, Jason Chao e quejandos deviam pensar em pedir à CIA passagens de avião para os States.

 

Números

Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pelo instituto “Pew Research Center”, sedeado em Washington D.C., mostra que os ateus e agnósticos somaram no ano passado 31% da população, contra 25% em 2007. Já os cristãos diminuíram 7,8% e os muçulmanos registaram uma ligeira subida de 0,4% para 0,9%. Ainda segundo estimativas do mesmo instituto, os adultos sem religião rondavam os 56 milhões, um crescimento de 19 milhões em sete anos. A margem de erro do estudo é de 0,6%. Em jeito de conclusão: não é à toa que no país ocidental com maior número de cristãos as religiões estejam a perder terreno para os ateus e agnósticos.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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