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Olhando em Redor

A melhor solução

Se houve algo de positivo com a passagem do tufão Kalmaegi foi ter afugentado as hordas de turistas, ou visitantes, que invadem e descaracterizam Macau. E foi na tarde da passada terça-feira que tive a soberana oportunidade de caminhar descontraidamente por um dos passeios da Avenida Almeida Ribeiro, sem me ver confrontado com o aterrador molho de gente, ora aos encontrões, ora impedindo o meu avanço no terreno.

Contudo, fiquei triste ao ver que o comércio tradicional está cada vez mais arredado deste lugar privilegiado da cidade, em detrimento de certas marcas com maior poderio económico. Já se falou, várias vezes, que a Avenida Almeida Ribeiro deve ser fechada ao trânsito rodoviário, aos fins-de-semana, e ficar aberta à livre circulação de peões. A ideia, na sua generalidade é boa, mas peca por ser bastante simplista.

O (próximo) Governo liderado por Chui Sai On tem aqui uma boa oportunidade para fazer um brilharete, não só ao fechar toda a cintura rodoviária da avenida, como também aproveitar para promover a diversificação do tecido económico.

Por palavras mais concretas, deverá instituir a feira da Avenida Almeida Ribeiro, aos fins-de-semana e feriados, podendo os feirantes candidatar-se a espaços para tendas, bancas e barracas junto do IACM, por forma a que se venda toda uma panóplia de produtos “made in Macau”, tais como bijutaria, comes-e-bebes, doçaria, artesanato, vestuário, etc.

A artéria poderá cumulativamente receber outro tipo de atracções, tais como músicos amadores, contorcionistas, palhaços, grupos de danças e cantares, num pote multicultural que traria boas horas de diversão.

Quanto aos feirantes, as candidaturas estariam abertas a pequenas e médias empresas, bem como a associações culturais, sociais, recreativas e desportivas registadas no território.

E não há que ter medo quando chegar um tufão, ou a chuva fizer das suas, porque é para isso que temos as previsões dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos: sempre que as condições atmosféricas não sejam favoráveis, fecha-se apenas a artéria ao trânsito rodoviário, avisando-se os feirantes com antecedência, por via electrónica ou por outro meio mais adequado.

Convém também elaborar um regulamento que defina muito bem o funcionamento da feira, bem como os deveres dos feirantes e dos visitantes.

 

Imagem que passa

Na noite do último Domingo quem viu o filme “Skyfall”, no canal inglês da estação TVB Pearl, de Hong Hong, terá observado a determinada altura que, ao ser confrontado com uma sedutora mulher num casino de Macau, James Bond concluiu que ela estava a mando de uma tríade com ligações à prostituição. O filme, estreado em Outubro de 2012, já foi visto por milhões de pessoas em todo o mundo.

Numa situação completamente alheia, descrevia a imprensa diária na manhã do dia seguinte que o Ministério Público havia sugerido, na sexta-feira, a revisão da Lei de Venda, Exposição e Exibição Públicas de Material Pornográfico e Obsceno, «por forma a punir esses crimes [tais como a distribuição de panfletos] e construir um melhor ambiente de segurança pública em Macau», acrescentando que o actual regime se encontra «obsoleto» e está desenquadrado da «realidade local», por vigorar há mais de três décadas.

«Os bastidores desses crimes normalmente envolvem o crime organizado, como o controlo e exploração de prostitutas e o controlo mediante o uso de drogas, entre outros», reforçou o MP, adiantando que os crimes de distribuição de panfletos são «cometidos sem escrúpulos» e denigrem a imagem de Macau.

Pelo que li na notícia, depreendi que o filme “Skyfall” não se afastou nem um bocado da realidade local. Aliás, para quem cá vive há já algum tempo sabe muito bem que a distribuição de panfletos obscenos é algo bastante acessório, num problema muito mais complexo, porque algumas personagens, directa ou indirectamente relacionadas com o submundo do crime organizado, até são empresários bastante poderosos.

Depreende-se, assim, por que razão as autoridades policiais têm grandes dificuldades em atacar de frente o problema em determinados hotéis-casino, ou nas casas especializadas em favores sexuais a troco de dinheiro, e por que o Governo da RAEM ainda não conseguiu levar por diante a intenção de aprovar uma lei que criminalize os clientes de prostitutas.

No fundo, enquanto os tubarões continuam a encher os bolsos à conta de um flagelo do qual esta hipócrita sociedade de Macau teima em fechar os olhos, a imagem que passa para o exterior é a de que, para quem aqui chega, (quase) só vai encontrar prostitutas, jogo e crime organizado. Não acreditam? Vejam o “Skyfall”!

 

O futuro

Em breve vamos ficar a conhecer o nome dos secretários que vão acompanhar Chui Sai On no segundo e derradeiro mandato como Chefe do Executivo. Desejo a todos os escolhidos a melhor sorte do mundo, embora saiba à partida que não será por termos caras novas no Executivo que o “status quo” vigente se irá alterar.

Embora sem avançar prognósticos, fico curioso em saber quem vai ser o número dois da hierarquia, o que em certa medida poderá definir o futuro de Macau, ou não tivéssemos um Chefe do Executivo – diria – em baixo de forma.

Nesse sentido, também estou curioso em saber se Chui Sai On irá levar o segundo mandato até ao fim, ou se, por acaso, irá na senda de Tung Chee-wah…

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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