OLHANDO EM REDOR Bandeirada, bandalheira

Olhando em Redor

Bandeirada, bandalheira

A bandeirada dos táxis vai passar a custar 17 patacas a partir de dia 14 de Dezembro. Considero o aumento de duas patacas inoportuno porque surge antes de estarem implementadas medidas eficazes que combatam a péssima qualidade do serviço prestado pela generalidade dos taxistas, já para não falar das cobranças abusivas.

Mais do que acabar com a licitação dos alvarás de táxis (há casos a ultrapassar um milhão de patacas), em benefício do sorteio, é necessário o dobro ou o triplo de táxis, preferencialmente com duas ou três companhias distintas no activo. A concorrência é sempre salutar e evita o despotismo inerente a determinado tipo de monopólios.

Enquanto não existir um mecanismo legal, complementado por uma eficiente fiscalização, vão continuar os abusos dos taxistas. Por esta, e por outras razões, entendo que o presidente da Associação dos Passageiros de Táxi de Macau, Andrew Scott, prestou um mau serviço à população, não só ao defender o aumento da bandeirada, como a sustentar que a tarifa cobrada pelos táxis é bastante baixa.

E porque é irreversível o aumento, também os prémios do seguro obrigatório dos táxis devem imperiosamente ser revistos, até porque a última actualização remonta a 1 de Janeiro de 2009, e a inflação acumulada nos últimos seis anos situa-se nos 25.7%.

Tendo em conta que a sinistralidade dos táxis tem estado nos últimos anos acima dos 100%, sugiro que haja um aumento inicial dos prémios de seguro acima da inflação acumulada desde Janeiro de 2009, passando depois a indexação automática dos respectivos prémios a ser efectuada consoante a taxa da inflação anual.

Nesse sentido, convém lembrar que aumentaram os preços das despesas e reparações dos veículos, e que as indemnizações aplicadas pelos tribunais também reflectem a subida do custo de vida.

Em suma, é natural que a maioria das seguradoras se recuse a fazer a apólice de seguro dos táxis, embora sejam depois obrigadas pela Autoridade Monetária a integrar uma “pool” para a partilha do “risco”.

E como o negócio dos táxis movimenta milhões de patacas é necessário saber se há ou não agentes que recebem uma comissão que pode ir até aos 20% por cada contrato de seguro efectuado directamente nas seguradoras.

 

Animais

Fiquei incrédulo e sem palavras quando li na Imprensa que o Governo defende o direito de todos os cidadãos ao abate de animais em sofrimento, pois considera ser uma medida necessária, entre outras razões porque os funcionários do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais até podem não estar sempre disponíveis.

Como é que um cidadão sem conhecimentos veterinários vai acabar com a vida de um animal? Será com uma faca? Por afogamento? Ao pontapé? Por estrangulamento? Vai injectar-lhe um determinado tipo de drogas ilícitas?

Se a intenção legislativa não for reformulada e vingar no hemiciclo, aquando da votação na especialidade, o Governo e todos os deputados que derem o seu aval a tão descabida redacção nada mais estão a fazer do que contribuir para a legalização da crueldade animal, porque habitualmente as pessoas não têm seringas em casa para ministrarem injecções, nem conhecimentos veterinários para pôr termo à vida desses animais com o menor sofrimento possível.

Estou convencido que a intenção do legislador é tentar dar resposta ao abandono, pois está a permitir que qualquer dono possa desfazer-se com facilidade do seu animal de estimação, bastando para isso invocar o “sofrimento”. E quem faz a supervisão dos casos?

Não se percebe como é que o Governo quer, em pleno século XXI, legalizar o abate de animais por qualquer cidadão. É indigno de uma sociedade civilizada!

O abate deve ser feito exclusivamente por um médico veterinário, mediante relatório clinicamente fundamentado. Actualmente, há profissionais de clínicas veterinárias em Macau que podem atender situações de emergência, por isso qualquer pessoa tem a possibilidade de deixar o assunto ao cuidado dos profissionais do ramo.

Cai assim por terra a questão avançada pela presidente da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Kwan Tsui Hang: o que fazer quando uma pessoas atropela a meio da noite um cão e não há nenhum funcionário disponível do IACM?

A minha resposta é simples: ao contrário do que justificou, não terá que esperar muitas horas, porque pode telefonar a um veterinário que esteja contactável 24 horas por dia. Com as novas tecnologias é fácil obter a informação desejada.

Sobre a forma como o Governo está a dirigir esta matéria só espero que não esteja a abrir o precedente para que futuramente adopte semelhante medida em relação aos seres humanos…

 

Ambiente

O ar respirável em Macau é por vezes insuportável em várias zonas do território, especialmente nas artérias mais movimentadas em horas de ponta.

Custa-me muito a perceber como é que o Governo, os deputados e os empresários oligarcas não perceberam ainda que o futuro do território passa pela implementação massificada de carros eléctricos, em detrimento de veículos movidos a combustíveis fósseis.

Pelas suas dimensões territoriais, a RAEM tem todas as condições para se tornar num exemplo ao nível desta alternativa energética. Mais importante: tanto a Nam Kwong, como outras empresas locais, poderiam encaixar milhões e milhões de patacas com este tipo de negócio. Infelizmente, andam a dormir.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *