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Semanário Católico de Macau

O que os Transcendentais nos ensinam sobre as Prioridades?
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Filosofia, uma dentada de cada vez (32)

O que os Transcendentais nos ensinam sobre as Prioridades?

Já vimos que os Transcendentais são maneiras de descrever alguns aspectos do “ser”, de forma a podermos dizer que qualquer “ser” é uno, verdadeiro, bom e belo. Também dissemos que existem diferentes graus de “ser”. Os diferentes graus de “ser” implicam diferentes graus de unidade, cognoscibilidade (verdade), desejabilidade (bondade) e prazer (beleza). Quanto maior for uma coisa no seu grau de “ser”, mais conhecível é, e mais merece ser conhecida. Também é mais bondade, e merece mais a pena amá-la. E tal merece ser mais apreciado e proporciona mais prazer.

Por outras palavras, há uma hierarquia no seio dos “seres”. Assim sendo, existe uma hierarquia nas verdades que podemos conhecer, bens que podemos amar e coisas belas que podemos apreciar.

Os seres que estão mais acima que outros na hierarquia são mais conhecíveis que os seres abaixo deles. Há mais a conhecer numa borboleta que num pedaço de mármore. Podemos descobrir mais coisas num ser humano do que num cão. Isso também significa que alguns seres merecem ser mais conhecidos do que outros. E há aquele que merece ser conhecido por todos: o Ser Supremo. De facto, a nossa limitada mente humana nunca chegará a conhecê-Lo totalmente, mesmo quando estivermos no paraíso. Surpresas infinitas esperam por nós, lá.

Da mesma forma, há graus de bondade nos seres. Alguns seres são mais desejáveis que outros. Um gato é mais desejável que uma bactéria, uma pessoa merece mais amor que um carro. E há um ser que merece ser desejado e amado, e de facto, deve ser amado por todos, o Ser Supremo. E quanto mais o nosso pobre intelecto humano descobre sobre Ele, mais aumenta o nosso amor por Ele.

O que dissemos sobre a verdade e bondade aplica-se à beleza, mas devemos perceber que a beleza também necessita que usemos não apenas os nossos sentidos exteriores mas também o nosso intelecto. Porque existe uma coisa que é a beleza interior, que é invisível aos nossos olhos. A nossa mente ajuda-nos a ver que algumas coisas que não nos parecem belas à primeira vista, são verdadeiramente belas no seu interior. Também descobriremos a hierarquia da beleza no mundo que nos rodeia. E há Aquele que nos proporciona o supremo deleite e contentamento: o Ser Supremo. Encontrarmo-nos nos Seus braços será para nós, nas palavras do Papa Bento XVI “o supremo momento de satisfação”. (Spe Salvi, 12).

O facto de existirem graus de verdade, de bondade e de beleza à nossa volta faz com que nós próprios precisemos de uma hierarquia interior, uma ordem interior, para saber, para amar, para apreciar ao máximo essas verdades, bondades e as coisas belas. Precisamos estabelecer prioridades na nossa vida porque essas prioridades determinarão a quantidade de atenção que dispensaremos nas nossas actividades diárias; quanto tempo gastaremos em cada uma, qual o esforço que exerceremos e quantos sacrifícios faremos para conseguirmos alcançar os nossos objectivos. Frequentemente cansamo-nos e preocupamo-nos com muitas coisas, e no fim verificamos serem coisas de pequeno valor. Temos a tendência de nos rodearmos de um conjunto desordenado de coisas, que na realidade não precisamos, e é por isso que existe uma enorme confusão nas nossas cabeças e nos nossos corações.

A virtude da “ordem” é um bom hábito que nos ajuda com as nossas prioridades, separa as coisas mais importantes das triviais e aquilo que na realidade é mero capricho. É bom saber e relembrar-mos a nós próprios que fomos criados por um Ser, uma Verdade, uma Bondade e uma Beleza, que é muito maior do que nós somos.

Pe. José Mario Mandía

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