Rota dos 500 Anos-Eis os primeiros veleiros

Eis os primeiros veleiros

A chegada dos primeiros veleiros do Atlantic Rally for Cruisers – na passada semana escrevi, erradamente, Atlantic Rally Crossing – marca o início da época da vela nas Caraíbas. Dezembro é, indubitavelmente, o primeiro mês desse período e tudo o que gira em volta dos barcos está pronto e em pleno funcionamento. Aqui em St. Lucia parece que todos ganharam uma nova vida e a azáfama é total.

Mesmo em Macau era estranho para mim o Natal e o fim de ano sem o frio tradicional e a ocasional neve. Sou natural do Litoral de Portugal mas vivi muitos anos na cidade mais alta desse pequeno rectângulo à beira-mar plantado, a Guarda. Cidade onde a neve e as temperaturas negativas são uma constante durante a época natalícia. Agora aqui nas Caraíbas, Natal com calor e praia é mesmo complicado de entender e sempre que vejo um presépio ou uma árvore de Natal fico com sorriso na cara.

Esta semana vamos estar em Nova Iorque e, aí sim, iremos ter a oportunidade de viver um pouco da ambiência do Natal, com temperaturas baixas e, possivelmente, neve. Apesar de não estar muito motivado para a mudança, estou curioso em saber como iremos reagir a uma alteração de temperatura de 30 graus para quase zero, em menos de 24 horas!

A ida a Nova Iorque prendesse com o facto de tanto eu como a Maria precisarmos de renovar o passaporte português e este, infelizmente, não ser renovável à distância como a maior parte dos outros países (Canadá, Estados Unidos, Austrália, etc…). Ser obrigado a gastar milhares de patacas por causa de um documento de viagem era algo que não estava nos nossos planos mas, infelizmente, é a burocracia do nosso país e temos de viver com ela.

Voltando ao Atlantic Rally for Cruisers, participa um veleiro de Portugal que neste momento está no último lugar. Enquanto escrevo esta crónica aportaram os primeiros dois classificados (o da esquerda da foto foi o primeiro e o da direita o segundo), estando o de bandeira portuguesa com um atraso de oito dias relativamente a eles, pelo que deve chegar a St. Lucia por volta do dia 8 ou 9 de Dezembro, estando nós nos Estados Unidos. Espero que quando regressarmos, a 10 de Dezembro, ainda estejam por aqui para que possamos ir conhecê-los e dar-lhes as boas vindas na nossa língua.

Tanto o ARC+, como o ARC (expliquei a diferença entre as duas categorias na última crónica) não são eventos competitivos, pelo que a classificação final é de somenos importância. Este rally tem como objectivo principal dar uma oportunidade aos proprietários de veleiros de atravessarem o Oceano Atlântico de forma organizada. Dando, dependendo do ponto de vista, uma maior sensação de segurança.

Pessoalmente não concordo porque têm que cumprir um rígido programa e isso pode obrigar a partir com condições meteorológicas menos favoráveis, mas quem participa diz que o ambiente que se vive é muito bom e sentem-se mais seguros em grupo.

Goste-se ou não se goste, este tipo de eventos trazem valor acrescentado e são um enorme atractivo de pessoas e de dinheiros para as comunidades por onde passam. St. Lucia, por exemplo, vive nesta altura em redor do ARC e todas as mãos são poucas para ajudar em tudo o que gira em torno do evento. O seu valor económico, pelo que se vai lendo nos jornais e ouvindo na rádio, é incalculável para uma economia que vive do turismo.

Será que em Macau alguém terá visão para tal? A Volvo Ocean Race pára em Hainão. Será que Macau não é capaz de atrair algo semelhante com todos os milhões dos casinos? Faltam as marinas e tudo o resto a elas relacionado, mas com tanto dinheiro não seria difícil de resolver. Eu conheço pelo menos duas pessoas interessadas em fazer esse investimento, se o Governo tivesse os olhos abertos e uma real vontade de diversificar a economia. Mas talvez esteja errado!

João Santos Gomes

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