A chutarem (n)a bola dos portugueses

A chutarem (n)a bola dos portugueses

É impossível escrever o que quer que seja sem ter como referência o Euro 2016…

A razão não está apenas no Campeonato Europeu de Futebol, onde participamos, mas também na nossa presença na moeda única, o euro, e naqueles que não estando na zona euro, os ingleses, vão decidir se querem ou não continuar no “campeonato” da União Europeia.

Além disso, o País tem assistido, dentro do nosso “rectângulo de jogo”, a um pontapeado permanente para ver quem marca mais “golos” no “campeonato das escolas” (públicas vs privadas). Embora o árbitro (Governo) já tenha apitado para o final do jogo, a avaliar pelas permanentes manifestações que continuam de ambos os lados, há quem pense que o resultado final desta prova deve passar pela contabilização da quantidade de “jogadores” na rua, ou seja, quem tiver mais manifestantes ganha!?

Ainda dentro das nossas quatro linhas de pontapés, não na bola, mas na Caixa Geral de Depósitos, muito se tem falado do que fazer com o banco do Estado. Todos, ou quase todos, querem saber quem provocou o crédito mal parado na CGD.

A oposição (PSD/CDS), que assinou as contas anuais do banco como boas, durante os últimos quatro anos em que foi Governo, apesar de sempre apresentarem prejuízos, quer um inquérito potestativo, ou seja, um inquérito dirigido por eles e a investigar as responsabilidades de quem quiserem. No entanto, a avaliar pelas informações que têm divulgado os seus “comentadores desportivos” e muito antes de qualquer inquérito aprovado, já têm um bode expiatório. Mais uma vez, o “diabo veste” Sócrates.

O PCP e o BE têm protestado contra o potestativo inquérito da oposição, embora queiram saber quem andou a meter a mão no “pote”. O Governo acha que tudo isto enfraquece a imagem do banco público e serve os propósitos de quem quer privatizar a Caixa. Os portugueses, escaldados dos “jogos” dos “desportivos” banqueiros públicos e privados, começam a pensar se devem “meter baixa pela caixa”, para se livrarem dos problemas dos patrões da CGD, se vão acabar com “uma caixa (de engraxador) na baixa de Lisboa”, ou se têm de atirar a caixa ao Tejo…

Enquanto no País se continuam a atirar “bolas para o ar” na Europa do Euro, a Comissão Europeia não quer acabar o jogo das sanções a Portugal e decidiu dar um “pontapé para a frente”, afirmando que só vai decidir em Julho se marca algum “penálti” contra nós. A este adiamento não devem ser estranhos os sucessivos “empates” das eleições espanholas, com prolongamento marcado para breve (se os jogadores já não estiverem esgotados…) e a decisão dos ingleses sobre a sua permanência no nosso campeonato.

Os “treinadores de bancada” da Comissão Europeia, assumindo o papel de árbitros, supostamente pagos pelas grandes equipas, têm exibido sucessivos “cartões amarelos” às “equipas” mais fracas. Se os resultados dos espanhóis e dos ingleses sancionarem os seus interesses e decidirem mostrar-nos um “cartão vermelho”, vamos lá ver se ainda não acabam com uma “invasão de campo”.

Se bem que vão haver jogos mais complicados do que os de futebol, a atenção nacional está, por agora, centrada nesta competição. No meio desta euforia nacional ninguém pode escapar a falar disso. Por isso…

A chutar para a frente, para trás, para o ar e para o lado (ai,… ai,… Ronaldo), sem meter uns golinhos satisfatórios, anda a Selecção Nacional de futebol.

Neste Euro 2016, que o desejo de um maior orgulho nacional quer transformar-nos em vencedores, temos feito uns jogos “bonitos”, mas não marcamos golos. E sem golos, não há vitórias, e sem vitórias, não chegamos lá.

Já ouvi dizer que a culpa é dos jogadores, do treinador, dos árbitros, do mau estado do relvado e, se calhar, da própria bola. Acho que não têm razão. A culpa é dos adversários que não nos deixam marcar.

Penso, entretanto, já ter encontrado a solução para tanta desfeita. Ela é tão simples e anda na boca de toda a gente. Dizem, em toda a publicidade à nossa selecção, que temos de ser 11 milhões a apoiar a equipa nacional. Pois bem, no próximo jogo com os húngaros temos de ser de facto 11 milhões a apoiá-los, mas dentro do campo!

Para melhor nos motivar a marcar golos podemos ainda colocar na retaguarda da baliza do adversário alguns bonecos com a cara de banqueiros portugueses, de figuras da Comissão Europeia ou de alguns políticos portugueses que não deixaram saudades.

Se mesmo assim não ganharmos, não podemos desanimar. Nos matraquilhos ainda somos os maiores!

LUIS BARREIRA

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