Associação de Danças e Cantares Portugueses, Macau no Coração

Folclore

“Macau no Coração” em Portugal.

A Associação de Danças e Cantares Portugueses, Macau no Coração, esteve mais uma vez em Portugal para participar em vários espectáculos e tentar investigar sobre o Folclore Português. Viagens que, segundo os seus responsáveis, «são de primordial importância para que o reportório melhore e a indumentária reflicta o tradicional folclore de Portugal em terras asiáticas».

O grupo nasceu em Macau no ano de 2007. Desde então «não tem parado de divulgar a cultura portuguesa através das danças e cantares, assim como através dos trajes e acessórios tradicionais de cada região de Portugal. O rancho folclórico tenta representar Portugal num todo, não apenas uma região de Portugal», acrescentaram.

As deslocações à Europa, que se repetiram por três vezes desde Junho de 2014 – «quando ganhámos um prémio da Direcção dos Serviços de Turismo para representar Macau nas Marchas de São João em Lisboa», conforme explicou uma das responsáveis a’O CLARIM – têm dado muitos frutos. Hoje estão mais cientes de que existem regras e regulamentos quando se fala de Folclore Português.

O grupo, composto por jovens e menos jovens com as mais variadas profissões, chegou a Portugal a 19 de Agosto, sendo que alguns dos seus membros só aterraram em Lisboa no dia 26 do mesmo mês. O regresso fez-se igualmente em datas distintas: 5 e 9 de Setembro.

O programa da visita incluiu vários eventos, desde Setúbal (no Casino de Tróia onde o grupo participou numa acção de caridade com o objectivo de angariar fundos para crianças com autismo), a Águeda (onde assinou um protocolo), tendo terminado com uma participação no 45º Festival Nacional de Folclore Vale de Santarém (onde também assinou um protocolo de intercâmbio e desenvolvimento cultural).

«O protocolo assinado em Águeda tem também como objectivo o reforço e o intercâmbio cultural do folclore, das danças e dos trajes, assim como prevê a participação em acções de formação nestes campos nos próximos anos, com vista a melhorarmos os nossos conhecimentos sobre cada região de Portugal», foi sublinhado.

À margem destas iniciativas houve ainda tempo para outras acções de intercâmbio no campo da dança e da cultural presente nos trajes folclóricos de Portugal. Já um pouco fora do âmbito do folclore, mas dentro do campo da cultura que o compõe, o grupo participou num ateliê de pintura de mosaicos, ministrado por um conhecido artista plástico de Águeda. Foi ainda desafiado a confeccionar pastelaria conventual.

Por sua vez, o documento assinado em Santarém prevê, «além da vertente mais ligada ao folclore e à cultura, a promoção desportiva e gastronómica» em terras asiáticas.

Para o “Macau no Coração” as deslocações a Portugal permitem que os seus membros melhorem «os conhecimentos sobre a dança folclórica e outros aspectos da cultura portuguesa, pois só assim podem melhor divulgar e manter a cultura portuguesa na Ásia», referiu a presidente da associação, Ana Manhão.

«Participar em intercâmbios culturais e dar a oportunidade aos membros do grupo de conhecerem Portugal e os seus costumes vai permitir que a divulgação da cultura portuguesa na Ásia possa ser feita de forma mais fidedigna», reforçou Rosita Gaspar, que também pertence aos corpos dirigentes da agremiação.

A Associação de Danças e Cantares Portugueses, Macau no Coração, conta actualmente com mais de setenta membros, que ensaiam todas as semanas na sua sede.

Mas o grupo não é só danças, além do folclore organiza cursos de Português e de Mandarim, e de artes manuais; e visita as escolas e as universidades do território, onde divulga e ensina algumas danças aos alunos. É presença assídua nos eventos do Governo. Participou, a convite da Direcção dos Serviços de Turismo, em várias iniciativas e colabora com entidades privadas e estabelecimentos de hotelaria. No historial conta com algumas apresentações em vários locais da China continental, tendo actuado em programas de televisão e feiras internacionais. No resto da Ásia participou em programas televisivos no Japão, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas, Singapura e Índia.

Questionados quanto à atribuição de subsídios por parte do Governo, nomeadamente no que respeita ao pagamentos das viagens, as pessoas com quem falámos foram unânimes em afirmar que «o Turismo [DST] apoia, mas não chega para tudo». A maior parte das vezes os membros adiantam o dinheiro para as despesas com as viagens e aquisição de trajes e instrumentos. Aliás, a próxima viagem a Portugal, agendada para 2018, ainda não está assegurada, esperando a direcção que tudo se resolva atempadamente.

Curiosamente, em Portugal o grupo contou com o apoio de diversas pessoas e entidades. «Sem a ajuda destas pessoas e entidades em Portugal seria impossível participar em tantos eventos e aprender tanto», concluiu Ana Manhão.

João Santos Gomes

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