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Três dias com São Lucas
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Cartório da Sé acolheu “Workshop”sobre Sagrada Escritura

Três dias com São Lucas

O Evangelho de São Lucas juntou trinta pessoas – leigos, sacerdotes e religiosas – entre os dias 27 de Fevereiro e 1 de Março para um “workshop” no Cartório da Sé, dedicado ao estudo das Sagradas Escrituras.

O padre Armindo Vaz, doutorado em Sagrada Escritura, foi convidado pela Diocese – aproveitando a sua passagem por Macau – para conduzir os trabalhos, levando os participantes a conhecer o Evangelho de São Lucas. O sacerdote falou da mensagem implícita e dos pontos-chave para a leitura bíblica e sua exegese, tendo em conta a contextualização histórica e cultural da época, tanto do Antigo (AT), como do Novo Testamento (NT).

As palestras, que abordaram alguns versículos do Evangelho de Lucas, para além de darem a conhecer a mensagem bíblica, serviram também para despertar ou reavivar o interesse pela leitura da Palavra de Deus.

Entre outros aspectos, o professor Armindo Vaz abordou o método da “Lectio Divina” (do Latim “leitura divina”). Os princípios da “Lectio Divina” datam do século III. Os monges católicos diziam que «a “Lectio Divina” é a escada espiritual dos monges, mas é também a de todo o cristão».

O padre Armindo falou dos passos que pautam a “Lectio Divina” e no modo de iniciar esta leitura orante – primeiro invoca-se o Espírito Santo com a oração: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos rectamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor. Amém”.

A “Lectio Divina” divide-se em diferentes momentos: Lectio (Leitura); Meditatio (Meditação); Oratio (Oração); e Contemplatio (Contemplação).

A “Lectio Divina”, tradicionalmente, é uma oração individual. Porém, pode-se rezá-la em grupo. O Papa Bento XVI disse num discurso em 2005: «Eu gostaria, em especial, de recordar e recomendar a antiga tradição da “Lectio Divina”, a leitura assídua da Sagrada Escritura, acompanhada de oração que traz um diálogo íntimo em que na leitura escuta-se Deus que fala e, rezando, responde-lhe com confiança a abertura do coração».

O Concílio Vaticano II promoveu, com toda a sua autoridade, a restauração da “Lectio Divina”, que teve um período de esquecimento por vários séculos na Igreja.

São Jerónimo, nascido no século IV, conhecido por ter traduzido a Bíblia para Latim, a qual ficaria com o nome de “Vulgata” – o texto mais utilizado pela Igreja nos séculos posteriores – afirmava que «ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo».

Esta iniciativa foi organizada no âmbito das actividades de Formação Católica da diocese de Macau.

Miguel Augusto

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