HENRIQUE NUNES

Henrique Nunes, treinador do Benfica de Macau

AFC Cup é o próximo objectivo.

O Benfica de Macau prepara-se para conquistar o tri-campeonato na Liga Elite, feito que muito se deve a Henrique Nunes, para quem o principal objectivo é chegar à AFC Cup e passar a fase do play-off de qualificação. A’O CLARIM o técnico português fala sobre as lacunas do futebol local, a sua passagem pela 1ª Divisão em Portugal, o actual momento do Feirense e do Arouca, sem esquecer as possibilidades da Selecção das Quinas no Euro2016.

O CLARIMO Benfica de Macau está a fazer uma excelente campanha na Liga de Elite. Soma 13 vitórias em igual número de jornadas. É líder do campeonato com 9 pontos de vantagem para o 2º classificado. Pôs a equipa a jogar um futebol vistoso, algo que já não acontecia há muito tempo no território. Prepara-se para ser campeão. Está satisfeito?

HENRIQUE NUNES – Sim, em termos profissionais e olhando para a realidade que encontrei em Macau… Tendo em conta as condições de trabalho durante a semana, penso que a equipa corresponde dentro do campo de forma – diria – quase exemplar. A equipa acaba por praticar um futebol com objectividade. Procura também ter a posse de bola e pressiona muito alto.

CLAs goleadas têm aparecido por números não muito habituais…

H.N. – Aqui [na Liga de Elite] há uma diferença de valores muito acentuada entre as cinco primeiras equipas e as classificadas mais abaixo na tabela. As goleadas aparecem porque essas cinco equipas treinam mais vezes, enquanto que as do fundo da tabela treinam menos. Há uma diferença abismal no ritmo de jogo de umas para as outras equipas. Daí acontecerem essas goleadas que – para mim – não beneficiam o campeonato.

CLFica no clube para a próxima época?

H.N. – O meu contrato vai até à possibilidade de sermos campeões e participarmos na AFC Cup. Daí para a frente ainda não falámos nada sobre a minha continuidade. Não sei quais serão as intenções do Benfica [de Macau], mas é uma situação a ponderar.

CLA AFC Cup é uma aposta sua e também do clube?

H.N. – Foi uma das grandes razões, e um dos grandes objectivos, que me trouxe a Macau. Digo-o com toda a sinceridade. Foi saber que o Benfica tinha sido campeão nos últimos dois anos, com a possibilidade de conquistar novamente o título e poder competir na AFC Cup. Para mim, que estou praticamente no “terminus” da minha carreira, seria realmente a cereja no topo do bolo chegar à AFC Cup e quem sabe – esse é o meu objectivo e do Benfica também – podermos passar a primeira fase, a da pré-qualificação.

CLO que falta ao futebol de Macau?

H.N. – Faltam espaços desportivos para treinar, essencialmente. Todas as equipas debatem-se com este problema semanalmente. Precisamos de um espaço para podermos treinar e não conseguimos. Nestes casos, somos obrigados a ir para a pista [de tartan no Estádio de Macau, na Taipa]… e corremos lá. Isto se quisermos trabalhar. Portanto, há realmente muita falta de espaços desportivos para a prática do futebol. Os campos que temos à disposição nem são bem sintéticos. São pisos extremamente duros. Em termos de articulações, acabam muitas vezes por originar lesões graves.

CLE ao nível da organização?

H.N. – Não me apercebo que haja assim lacunas. Digo isto com toda a sinceridade, falando mais pelo Benfica, que acaba por ser uma equipa organizada. Aliás, a grande vantagem que tem em relação às outras equipas é a sua direcção manter há já alguns anos o núcleo duro de jogadores. Penso que este ano foi uma das grandes vantagens que o Benfica teve em relação às outras equipas.

CLJogou no Feirense em Portugal. Foi ainda técnico do clube na então 1ª Divisão, época 1989/90. Defrontou o FC Porto, de Artur Jorge (treinador), Vítor Baía, Geraldão, Branco, André, Madjer, Rui Águas… Que recordações guarda?

H.N. – A maior recordação que tenho dessa altura… Não há dúvida nenhuma! Foi ascendermos à 1ª Divisão Nacional com jogadores todos portugueses, com idades inferiores a 23 ou 24 anos. Muitas deles estavam comigo desde a formação, desde os juvenis. Acabou por ser um feito, na altura bastante comentado e apreciado no País. No jogo da Antas, perdermos por 3-1. O Vítor Rebelo fez os comentários desportivos para a RTP…

CLNessa temporada a sua equipa desceu de divisão e o FC do Porto sagrou-se campeão. Como vê o Feirense agora?

H.N. – Sou natural de Santa Maria da Feira. O Feirense é a equipa do meu coração. Fiz lá toda a minha carreira como jogador e foi onde comecei depois como treinador. O Feirense luta neste momento para subir à Primeira Liga. Se acontecer, será a sexta vez. Tem excelentes infra-estruturas. Pela primeira vez na sua história fez uma parceria, com um grupo nigeriano, que detém 51% da SAD. Para poder subir e estabilizar na Primeira Liga teria que ter essa parceria. Vamos ver o que irá acontecer.

CLHá poucos anos treinou o Arouca na Liga de Honra. Está surpreendido com o percurso da formação, agora orientada por Lito Vidigal, na Primeira Liga?

H.N. – O Arouca é um caso de sucesso. Não há dúvida alguma! Muito desse mérito está no seu presidente. É um homem que tem uma convicção muito forte sobre o que quer. Neste momento conseguiu estabilizar o Arouca na Primeira Liga, ao ponto de pensarmos que para a próxima época estará nas competições europeias, o que a acontecer será um feito muito, muito grande.

CLQue prognóstico traça para a participação da Selecção das Quinas na fase final do Euro2016?

H.N. – Temos uma boa selecção. Acredito que podemos fazer um bom Europeu, embora também reconheça que a Alemanha e a Espanha têm, neste momento, mais possibilidades de serem campeãs europeias. Portugal tem uma palavra a dizer, sem dúvida. Temos uma equipa jovem, com muita qualidade. Mas também temos jogadores mais preponderantes, casos do Cristiano [Ronaldo] e do [João] Moutinho, que poderão trazer maior estabilidade ao grupo de trabalho. Olhando para os novos elementos que Portugal está a introduzir na equipa, se não for já neste Europeu, julgo que poderá ter uma selecção ainda mais forte no próximo Mundial.

PEDRO DANIEL OLIVEIRA

pedrodanielhk@hotmail.com

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