celebração da Solenidade de Cristo Rei do Universo

MACAU JUNTOU-SE À IGREJA UNIVERSAL NA CELEBRAÇÃO DA SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO

Da Santa Sé a Timor-Leste na unidade da fé

A celebração da Solenidade de Cristo Rei do Universo, no Vaticano, ficou marcada por vários momentos. Só no último Domingo, o Papa Leão XIV presidiu ao Jubileu dos Coros e Grupos Corais, associou-se ao Dia Mundial da Juventude, publicou a Carta Apostólica In unitate Fidei e promulgou os novos Regulamentos Geral e do Pessoal da Cúria Romana. Em Macau, a Missa Dominical em Português, na igreja de São Domingos, foi celebrada pelo padre Mouzinho Lopes, natural de Timor-Leste, país que em 1996 foi consagrado a Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Macau voltou a celebrar a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, no passado Domingo, 23 de Novembro.

Na paróquia da Sé Catedral, a Missa em Português foi celebrada na igreja de São Domingos pelo padre timorense Mouzinho Lopes, que se encontra em Macau a estudar na Universidade de São José.

Em 1996, o Governo da Indonésia ofereceu a Timor-Leste uma estátua de Cristo Rei, com 27 metros de altura, que pode ser visitada em Díli, a capital do País. No dia da inauguração, o então bispo da Diocese de Díli, D. Ximenes Belo, SDB, consagrou Timor-Leste a Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Na homilia que proferiu, o padre Mouzinho Lopes começou por comparar tudo aquilo em que a palavra “Rei” nos faz pensar com o que foi a glória de Jesus. «Quando dizemos a palavra “Rei”, imaginamos palácios e coroas de ouro, exércitos poderosos ou alguém distante que governa por meio da força», disse, acrescentando: «No entanto, Jesus foi aquele homem, que sendo filho de Deus, foi crucificado, ferido, humilhado e insultado pela multidão – uma multidão que lhe gritava: “Salva-te a ti mesmo! Desce da cruz, se és o filho de Deus…”».

Segundo o padre Mouzinho, a glória de Jesus não foi provada satisfazendo-se a vontade da multidão, mas sim na conversão de quem com Ele foi crucificado. «Um dos ladrões que com Jesus foi crucificado, pediu-lhe: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Ao que Jesus respondeu que “no final daquele dia haviam de estar juntos no Paraíso”», recordou o sacerdote, para quem a mensagem a retirar deste episódio é a importância dada pelo ladrão à vida eterna, em detrimento da vida terrena: «O ladrão não pediu a Jesus para descer da cruz, mas para ser levado com Ele, mesmo tendo que passar por todo o sofrimento».

A concluir a homilia, o padre Mouzinho pediu: «Todos aqueles que carregam a sua cruz, não deixem de olhar para o Rei na cruz». «Vamos aproximar-nos deste rei. Um rei cujo trono é o altar, cuja coroa é o pão e o vinho consagrados e cujo poder é o amor que nos dá por completo», apelou.

E NO VATICANO…

A Solenidade de Cristo Rei foi rica de iniciativas no Vaticano.

Leão XIV presidiu ao Jubileu dos Coros e Grupos Corais, que apresentou como exemplo de «Igreja em caminho» e sinodal, pela capacidade de fundir várias vozes num único canto. «Cantar lembra-nos que somos Igreja em caminho, autêntica realidade sinodal, capaz de partilhar com todos a vocação ao louvor e à alegria, numa peregrinação de amor e esperança», disse o Papa, na homilia da Missa Dominical a que presidiu na Praça de São Pedro.

Leão XIV comparou a dinâmica de um coro à própria natureza eclesial, descrevendo-o como um «símbolo da Igreja» que caminha na História. «Fazer parte de um coro significa avançar juntos, tomando os irmãos pela mão, ajudando-os a caminhar connosco e cantando com eles o louvor a Deus», referiu.

Perante milhares de músicos e coralistas oriundos de vários países, o Pontífice sublinhou que o serviço litúrgico exige «preparação, fidelidade» e uma «vida espiritual profunda».

No mesmo dia, o Santo Padre associou-se à celebração do Dia Mundial da Juventude, que este ano foi assinalado nas dioceses católicas dos cinco continentes.

«Abençoo e abraço espiritualmente todos aqueles que participam nas diversas celebrações e iniciativas. Na Festa de Cristo Rei, rezo para que cada jovem descubra a beleza e a alegria de seguir o Senhor e de se dedicar ao seu reino de amor, justiça e paz», afirmou Leão XIV, após a recitação do Ângelus.

A 7 de Outubro, o Papa publicou a sua primeira mensagem para a Jornada Mundial da Juventude, apelando ao compromisso dos jovens, do voluntariado à “caridade política”, para construir “novas condições de vida para todos”.

A 40.ª Jornada Mundial da Juventude foi celebrada meses após o Jubileu dos Jovens, a que Leão XIV presidiu em Roma no início do mês de Agosto. «Obrigado pela alegria que transmitistes quando viestes a Roma para o vosso Jubileu e obrigado também a todos os jovens que, em oração, se uniram a nós a partir de todas as partes do mundo. Foi um evento precioso para renovar o entusiasmo da fé e partilhar a esperança que arde nos nossos corações», recordou.

Na referida mensagem, deixou votos de que o grande encontro de Roma tenha sido mais do que um «evento isolado», pois – no seu entender – tratou-se de um caminho de preparação até ao próximo grande encontro internacional, a Jornada Mundial da Juventude de 2027, em Seul, na Coreia do Sul.

O dia dedicado a Cristo Rei serviu também para o Sumo Pontífice publicar a Carta Apostólica In unitate Fidei (“Na unidade da Fé”), por ocasião dos mil e 700 anos do Concílio de Niceia. No documento pede que os cristãos sejam “sinal de paz e instrumento de reconciliação. (…) Na unidade da fé, proclamada desde os primórdios da Igreja, os cristãos são chamados a caminhar em concórdia, guardando e transmitindo com amor e alegria o dom recebido”.

A Carta foi assinada a poucos dias da primeira viagem de Leão XIV ao estrangeiro. A primeira paragem é a Turquia, lugar onde decorreu o primeiro Concílio Ecuménico no ano de 325. A deslocação visa encorajar «um renovado impulso na profissão da fé», tendo em conta que o Credo formulado no Concílio de Niceia é «património comum dos cristãos», explicou o Papa. Depois da Turquia, segue-se o Líbano.

Para além da publicação da Carta In unitate Fidei, o Santo Padre promulgou os novos Regulamentos Geral e do Pessoal da Cúria Romana, em que se estabelecem normas sobre contratações, horários de trabalho e incompatibilidades, as quais entrarão em vigor a 1 de Janeiro de 2026.

As primeiras alterações promovidas por Leão XIV ao nível dos organismos centrais de governo da Igreja Católica foram aprovadas “ad experimentum” (provisoriamente), por um período de cinco anos e visam assegurar que quem trabalha na Cúria preste um “serviço eclesial, marcado por um carácter pastoral e missionário”.

J.M.E. com ECCLESIA

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