Vaticano

Vírus do individualismo desafia a Igreja, a família e a sociedade

Vírus do individualismo desafia a Igreja, a família e a sociedade

O presidente do Pontifício Conselho para a Família considerou que o maior desafio que se coloca à Igreja hoje é o «individualismo» que «se exalta» e concentra «todas as instituições em si mesmo, inclusive a família».

«Tudo é possível, qualquer relação estável torna-se muito pesada e então há crise no casamento religioso como no civil e nas uniões de facto. O que vemos crescer, especialmente nos países ocidentais, é o estar sozinho e agora esse – na minha opinião – é o grande desafio», disse D. Vincenzo Paglia.

Para o prelado, este é um desafio espiritual, cultural e antropológico que depois de «resolvido» oferece «cura para tudo».

Na entrevista que antecedeu a terceira Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, D. Vincenzo Paglia frisou que «o vírus não está nos casais, não casados ou nas uniões do mesmo sexo», mas «envenenou a vida antes».

«Hoje diz-se que todas as formas de estar juntos podem ser família. Se “tudo” pode ser família, nada é família e o que permanece é somente o “eu” onde se sacrifica tudo, família, afectos, até mesmo a própria vida», alertou o presidente do Pontifício Conselho para a Família.

Nesse sentido, o arcebispo assinalou à Rádio Vaticano que se vive «uma espécie de criação às avessas» onde pela primeira vez na história há uma «mudança radical de civilização», porque o trinómio «matrimónio-família-vida» nunca tinha sido «destruído» e agora «cada indivíduo reconstrói-o como deseja».

«O Senhor diz à criação: não é bom que o homem esteja só. Hoje vivemos sob a convicção oposta de que é bom que o homem esteja só, ou melhor, que todos pensem em si», analisou o prelado italiano. Para o entrevistado este é o «problema básico» que interessa à família e no qual também está o futuro da humanidade.

«A tarefa da Igreja é de dizer à sociedade que a união entre homem e mulher e a sua geração é um património da humanidade, que não pode ser atingido, caso contrário, teremos a decomposição da própria sociedade», concluiu.

 

Papa propõe liberdade e criatividade

Entretanto, o Papa pediu aos responsáveis da Igreja para trabalharem com «liberdade, criatividade e diligência» em favor das famílias.

«As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo», declarou, na homilia da missa na Basílica de São Pedro, concelebrada pelos padres sinodais.

O Papa alertou para a tentação da ganância na sociedade e na Igreja, referindo que o «sonho de Deus» para a humanidade «embate sempre contra a hipocrisia de alguns dos seus servidores».

«Podemos frustrar o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade», acrescentou.

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