Terço

Origem, evolução e actualidade da oração

Origem, evolução e actualidade da oração

Vivia num mosteiro um velho monge que não sabia ler nem escrever e com grande desgosto não podia acompanhar os seus irmãos na leitura dos salmos. Como era grande o seu amor, amor verdadeiro, aquele que não conhece nem a preguiça nem o egoísmo, após o seu dia de trabalho, aos pés de Maria, rezava cento e cinquenta Ave Marias perfazendo assim o número dos salmos.

Quando, ao raiar do dia, a comunidade se reunia para a Sagrada Eucaristia ficava estupefacta, porque o altar da Virgem estava coberto das mais belas rosas que jamais haviam visto.

Por longo tempo se manteve o mistério da origem das flores e de quem as iria ali colocar, pois eram sempre muito frescas e cada dia mais bonitas e mais aromáticas.

A explicação surgiu quando o santo monge adoeceu gravemente e foi impedido de ir à capela: não apareceram mais rosas. Para confirmar a sua suspeição, o superior seguiu-o até junto do altar de Nossa Senhora, numa madrugada, em que lhe havia permitido levantar-se. Prostrado por terra, cada vez que o monge recitava uma Ave Maria aparecia uma rosa aos pés da Mãe do Céu.

São Domingos de Gusmão, em 1206, dividiu as 150 orações em três grupos, associando-as à meditação de passagens da vida de Cristo: os Mistérios Gozosos: (Anunciação, Visitação a Santa Isabel, Nascimento em Belém, Apresentação do Menino e Perda e Encontro no Templo); os Dolorosos (Oração no Horto, Flagelação, Coroação de Espinhos, Caminho do Calvário e Morte do Senhor) e os Gloriosos (Ressurreição, Ascensão, Descida do Espírito Santo, Assunção e Coroação de Maria Rainha dos Céus e da Terra). Em 2002, o Papa João Paulo II acrescentou os Mistérios Luminosos nos quais se medita a vida pública de Jesus: (Baptismo, Bodas de Canã, Proclamação do Reino de Deus, Transfiguração, Eucaristia).

Em 1569, São Pio V consagrou oficialmente o terço, atribuindo à sua recitação a destruição da heresia e a conversão de muitos pecadores. Pediu aos fiéis que rezassem o terço naquela época gravemente perturbada e aflita por tantas guerras e pela depravação moral dos homens. O Papa Clemente XI, em 1716, instituiu como festa universal da Igreja a comemoração de Nossa Senhora do Rosário, tendo o Papa Pio X fixado a data de 7 de Outubro para sua celebração.

Em 1951, Pio XII (1939-1958) escreveu sobre a oração do terço: “Categoricamente, não hesitamos em afirmar em público que depositamos grande esperança no Rosário de nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo. Porque não é pela força, nem pelas armas, nem pelo poder humano, mas sim pelo auxílio alcançado por meio dessa devoção que a Igreja, munida desta espécie de funda de David, consegue impávida afrontar o inimigo infernal”.

O povo cristão sempre sentiu a necessidade da mediação com Maria, como canal de graça, multiplicando-se, assim, ao longo dos séculos, as devoções marianas, tanto litúrgicas como populares. Com o passar dos anos uma das devoções se destacou claramente: O Santo Rosário, o exercício piedoso por excelência em honra da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Nos últimos tempos contribuíram de uma maneira especial para esta devoção mariana as aparições de Lourdes e de Fátima, onde a Virgem Maria recomendou, com especial empenho, que Lhe rezemos o terço.

Susana Mexia 

Professora

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