Os bons, os maus e os assim, assim

Os bons, os maus e os assim, assim

De um tórrido e prolongado Verão que secou Portugal e criou condições para uma das maiores vagas de incêndios, que mataram dezenas de portugueses e desfizeram em cinzas uma grande parte das florestas, casas, fábricas e gado, passando pela recente tempestade denominada “Ana” que, ao passar pelo País, causou um morto, vários feridos e bastantes prejuízos materiais, Portugal tem sido uma vítima bem castigada pelas alterações climáticas, que alguns responsáveis pelo actual estado de coisas tentam minimizar.

Neste Inverno antecipado em que vos escrevo, o frio, a chuva e o muito vento voltaram ao quotidiano, aliviando alguns males e criando outros, embora muito menos graves do que os anteriores e nada que uns bons resguardos e um sólido chapéu de chuva não consigam amenizar.

Quem não quer amenizar é o “manda-chuva” dos Estados Unidos, o mister “America First”, que antes se deveria denominar “Trump First”.

Já não vou falar da sua demissão dos “Acordos de Paris”, relativos às alterações climáticas, para favorecer os seus amigos dos combustíveis fósseis ou do alívio de impostos imobiliários, para favorecer os mesmos e (muito…) ele próprio, entre outros casos polémicos. Tudo isso foi suficientemente comentado.

Na mesma senda “incendiária” que tem caracterizado a sua presidência, o “Trump First” surpreendeu o mundo ao decidir realizar mais uma das suas proezas provocadoras, colocando a embaixada dos Estados Unidos em Israel, em plena Jerusalém! Uma cidade considerada santa para as três grandes religiões monoteístas do globo: Católica, Judaica e Islâmica – palco de conflitos com milhares de anos e que o Conselho de Segurança da ONU tem tentado pacificar, considerando-a como uma cidade internacional e não pertença de nenhuma nação.

Pois bem, o senhor Trump determinou considerá-la a capital de Israel, colocando ali a embaixada dos Estados Unidos e desafiando tudo e todos (excepto Israel…), numa clara manobra para desviar a atenção da opinião pública do seu país, cada vez mais interessada nas denúncias sobre o comprometimento de Trump com os russos durante a sua campanha eleitoral, e com esta atitude dar “uma colher de chá” ao poderoso lóbi judaico dos Estados Unidos. Resultado: um isolamento internacional cada vez maior dos Estados Unidos face ao resto das nações (excepto uma qualquer dependente “república das bananas” que também aceite colocar a sua embaixada nessa cidade) e mais um agudizar dos conflitos inter-religiosos daquela zona, que os Estados Unidos, “antes”, queriam moderar.

Noutro continente, África, nomeadamente em Angola, muita gente tem sido igualmente surpreendida com as atitudes do seu recentemente eleito Presidente, João Lourenço, vice-presidente do MPLA que, em nome do combate à corrupção que grassa no País, não tem parado de fazer demissões em todas as estruturas do Estado e alguns “apeamentos”, entre os quais, o mais notado, foi o da Isabel dos Santos, filha do anterior Presidente Eduardo dos Santos.

Embora se soubesse que Angola teria de modificar a sua péssima imagem externa, para obter os meios internacionais essenciais ao seu desenvolvimento, poucos pensariam que o novo Presidente João Lourenço, vice do MPLA e indigitado pelo anterior, entrasse “a matar” para lavar a cara ao regime de que sempre fez parte. Razão que instalou a dúvida se todas as suas acções não se destinariam apenas a mudar “as moscas”. Mas, o mais surpreendente nisto tudo, foi a recente declaração de Eduardo dos Santos ao seu partido, afirmando que o MPLA deve liderar o combate à corrupção em Angola! O que me leva a perguntar: mas, quem é que escreveu o guião desta aparente comédia e quem são os actores deste filme?

Voltando a Portugal, que a muitos viu nascer, para além do frio que nos faz tremer o queixo, já pouco ou nada nos surpreende.

Enquanto a oposição anda à procura de um líder, segundo a estatística oficial, em Outubro, o desemprego em Portugal atingiu o nível mais baixo desde há nove anos, o Governo português vai restituir antecipadamente e até ao fim do ano mais mil milhões de euros ao FMI (perfazendo dez mil milhões de euros restituídos ao financiador com as mais altas taxas de juro) e Portugal foi distinguido com 37 prémios turísticos pelo World Travel Awards, entre os quais o de melhor destino turístico do mundo.

Com a economia no bom caminho, uma estabilidade política entrecortada aqui e além por episódios destinados ao ainda longínquo confronto eleitoral (2009), a população a ver restituído o seu poder de compra, muitos portugueses à frente dos destinos de grandes instituições mundiais, o Ronaldo com mais uma bola na colecção e o turismo a despejar milhões de estrangeiros no território luso, pergunto: o que é que falta caminhar? Respondo: na verdade, ainda muito. Mas, sobretudo, não tropeçar!

LUIS BARREIRA

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