Fórmula 1 – Época de 2018

Depois da lotaria de Baku, a incerteza da Catalunha

Depois da lotaria de Baku, a incerteza da Catalunha

Este fim-de-semana a Fórmula 1 regressa a Espanha, mais concretamente a Barcelona e ao “Circuit de Catalunya”. Este autódromo tem sido usado para os testes oficiais de pré-temporada há muitos anos e as equipas já conheciam todos os cantos à casa. Sim, “conheciam”. O facto do piso ter sido totalmente refeito, com um asfalto mais polido e suave para os pneus, levou a que as equipas voltassem aos simuladores de testes de pista, para entenderem o que foi alterado. O frio siberiano que se fez sentir também não ajudou em nada na recolha dos dados técnicos.

No que respeita ao campeonato corrido até ao momento, ao fim de quatro provas a hierarquia ainda não foi estabelecida. Afirma-se que a Mercedes está melhor do que a Ferrari, mas aparentemente é exactamente o contrário. Sebastian Vettel, em Ferrari, amealhou duas vitórias seguidas, na Austrália e no Bahrain, mas estragou tudo com a sua fogosidade, tanto na China como em Azerbaijão.

Em Xangai, Daniel Ricciardo, com a Red Bull, usou os “cotovelos” e roubou a vitória a Valtteri Bottas. Já em Baku, um circuito onde a Fórmula 1 foi imposta a martelo e onde é visível que os carros não se sentem à vontade, os dois Red Bull fizeram o favor de se eliminarem mutuamente. Quem foi o culpado? Ou o mais culpado? Tanto podia ser Verstappen como Ricciardo. Culparam o holandês! Talvez porque fechou a porta ao companheiro de equipa, a andar visivelmente muito mais. Mas a culpa também podia ser do australiano, que supostamente se precipitou.

A corrida estava no fim e as equipas de limpeza fizeram um mau trabalho. Eram bem visíveis os pontos pretos dos pedacinhos de carbono deixados na pista por outros carros, somente à espera de um encontro em terceiro grau. Calhou a Bottas e ao seu Mercedes acertarem num pedaço de carbono, invisível para o piloto. A fazer uma prova impecável, afastado das paredes o suficiente por forma a ser muito rápido, alheio a todas as confusões de uma autêntica Caixa de Pandora, previa-se uma vitória limpa para o piloto finlandês. A sorte acabou por sorrir a Lewis Hamilton, também em Mercedes, que ganhou em Baku depois de Bottas desistir com um furo no pneu traseiro do lado direito. No meio de tanta confusão, Kimi Raikkonen reforçou o estatuto de piloto mais consistente este ano. Soma três pódios em quatro possíveis.

Sem escapatórias dignas desse nome, qualquer toque em Baku, por mais pequeno que seja, é uma chamada ao “safety car”. O circuito tem a segunda recta mais longa do calendário, com mil e 200 metros, onde os carros voam literalmente até aos 350 quilómetros por hora, uma velocidade normal para Baku. As equipas de limpeza não estão à altura de um evento com estas características e levam muito tempo a retirar os carros e, especialmente, os destroços espalhados na pista, sendo que não a conseguem limpar na totalidade. Bottas foi a única vítima, mas podia ter havido outras.

Os carros de Fórmula 1 deste ano, como todos os outros desde há quase vinte anos, têm vindo a sofrer de excesso de apoio aerodinâmico. Muitos foram os que advogaram a restrição do apoio aerodinâmico, se se queria ver corridas mais disputadas. Todas as temporadas, desde há dez anos pelo menos, milhares de pessoas consultadas pelas empresas de opinião defenderam a redução ao mínimo do apoio aerodinâmico. Nunca houve qualquer resposta, tanto da FIA (Federação Internacional do Automóvel) e do seu braço desportivo, FISA (Federação Internacional do Desporto Automóvel).

Agora, um pouco abruptamente, a FISA e a Liberty Media concordaram com o que já se dizia há muito. No próximo ano o apoio aerodinâmico vai ser drasticamente reduzido. As asas dianteiras serão profundamente simplificadas, com um apoio muito menor sem aquelas dezenas de “barbatanas” em carbono um pouco por todo o carro. Mas serão de maiores dimensões e colocadas um pouco mais baixo no nariz dos carros. As condutas de ar para os travões terão um novo desenho, ainda não especificado, o que irá reduzir a quantidade de ar disponível para arrefecer os travões. Para terminar, a asa traseira terá maiores dimensões. Deste modo, o DRS deixará de existir, pois não vemos como poderá ser colocado numa asa de grandes dimensões. Se a asa se abrir em locais de alta velocidade, poderá causar turbulência adversa.

Fernando Alonso, bicampeão do mundo de pilotos de Fórmula 1, na sua busca da Tripla Coroa (já venceu o Grande Prémio do Mónaco, falta conquistar as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Indianápolis), depois de uma auspiciosa estreia em Indianápolis em 2017 – quando liderava a prova, desistiu com problemas de motor – venceu no passado Domingo as Seis Horas de Spa, na Bélgica, com um Toyota híbrido. Curiosamente, Alonso nunca venceu em Spa com um carro de Fórmula 1. Em Junho, o piloto espanhol da McLaren estará ao volante do mesmo carro em Le Mans, para tentar mais uma vitória que o deixe perto do almejado título.

O fim-de-semana do Grande Prémio de Espanha está assim escalonado (horário de Macau): Treinos livres 1, hoje, 17:00 horas – 18 horas e 30; treinos livres 2, hoje, 21 horas – 22 horas e 30; treinos livres 3, sábado, 18 horas – 19 horas. Provas de qualificação: Sábado, 21 horas – 22 horas. Corrida: Domingo, 21 horas e 10.

Manuel dos Santos

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