Fórmula 1 – Época de 2018

Luta na terra dos czares e ortodoxos

Luta na terra dos czares e ortodoxos

Na Rússia a religião cristã é – sem dúvida – a mais representada no País. Este conta com uma população aproximada de 144,5 milhões de habitantes, estando a população cristã estimada entre cerca de 76 por cento (valor adiantado pelo censos realizado em 2012 pela agência Levada Center) e 65 por cento (valor anunciado pela estatal Public Opinion Foundation, em 2013).

Entre os cristãos, deverão existir entre 600 mil e 1,5 milhões de católicos – valores superiores aos censos oficiais, que indicam haver apenas 140 mil fiéis à Igreja de Roma.

Mesmo tendo em conta que a presença da Igreja Católica é fortemente obliterada pela Igreja Ortodoxa Russa, foi criada a arquidiocese da Santa Mãe de Deus, que dá apoio a outras três dioceses: São Clemente (Saratov), São José (Irkutsk) e Transfiguração (Novosibirsk). Há ainda a Prefeitura Apostólica de Yuzhno Sakhalinsk.

A terceira força cristã na Rússia é composta por cerca de um milhão de fiéis, provenientes de denominações protestantes. Ao todo são perto de três mil e 500 organizações reconhecidas pelo Estado russo.

Este fim-de-semana disputa-se o Grande Prémio da Rússia, em Sochi, mais precisamente no Sochi Autodrom. Localizado junto ao “resort” turístico com o mesmo nome, é a primeira instalação construída de raiz para o desporto motorizado. Foi inaugurada no mesmo ano em que a Rússia organizou os Jogos Olímpicos de Inverno. O traçado foi pensado pelo arquitecto alemão Hermann Tilke, o “pai” de quase todos os autódromos modernos. Embora seja um dos circuitos mais rápidos do calendário, contempla muitas zonas técnicas. As velocidades máximas ultrapassam os 330 quilómetros por hora.

No ano passado Valtteri Bottas subiu pela primeira vez ao degrau mais alto do pódio, juntamente com Kimi Raikkonen, que não ficava entre os três primeiros desde o Grande Prémio da Áustria, em Julho de 2016. Se bem que tenha melhorado bastante desde 2017 e seja actualmente o “ganha pão” da Ferrari, somando pontos de forma muito consistente, o ex-campeão do mundo de pilotos em 2007, precisamente pela Ferrari, será relegado para um dos carros menos cotados – senão mesmo o menos cotado – indo pilotar um Sauber Alfa Romeo, equipado com motor Ferrari…

Por outro lado, muito por força de dois factores de peso, será Charles Leclerc (o menino prodígio) a sentar-se no segundo Ferrari ao lado de Sebastian Vettel. O primeiro factor, contando talvez com 60 por cento no peso da decisão agora tomada, é que o falecido presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, assim o desejava. E, de facto, de nada valeu a amizade entre Raikkonen e Louis Camilleri, o novo CEO da Ferrari. O segundo argumento de peso é o próprio Leclerc. É que o rapaz é mesmo um óptimo piloto! Durante os testes de pneus da Pirelli, realizados há dias, Leclerc passou sem quaisquer problemas no exame de admissão à Scuderia de Maranello. Cumpriu sem mácula a distância equivalente a dois Grandes Prémios.

O mercado de piloto, ao contrário do que aqui havíamos anunciado, “explodiu” com algumas mudanças provocadas por vários factores imprevistos. A decisão de Fernando Alonso em deixar a Fórmula 1 e a mudança de Daniel Ricciardo para a Renault, impuseram o caos no “paddock”. O segundo piloto da Red Bull será Pierre Gasly, que actualmente alinha pela Toro Rosso, o “junior team” da Red Bull. Deste modo, a Renault fica com um piloto a mais. Ora, ou dispensa Carlos Sainz Jr. ou Nico Hulkenberg. Pensamos que Sainz será o elo mais fraco e acabará por ser descartado.

A ex-Force India (ainda não tem nome oficial), adquirida pelo consórcio liderado pelo milionário Lawrence Stroll, muito provavelmente irá inscrever o seu filho Lance, que vive descontente com os fracos resultados alcançados na Williams. Com a chegada de Lance Stroll à ainda Force India, Esteban Ocon entra na “dança das cadeiras”, uma vez o mexicano Sergio Perez irá permanecer na equipa.

Para a Toro Rosso perfilasse o nome de Daniil Kvyat. Se o piloto russo for repescado, poderá fazer parelha com Brendon Hartley. Acontece que também este piloto não está com o futuro assegurado, dado que não teve uma temporada fácil e proveitosa. Poderá pois dar o lugar a outro piloto, caso surjam jovens com patrocínios interessantes.

Ao que tudo indica, a Williams manterá Sergey Sirotkin, a quem a gestora da equipa e filha de Frank Williams não hesitou em chamar de “pay driver”. O russo terá a como companheiro o veterano Robert Kubica, que estará curado dos ferimentos resultantes do espantoso acidente que sofreu num rali de segunda categoria, o “Ronde di Andora”, em 2011.

Com mais coragem e sacrifício do que juízo, o piloto polaco regressou às estradas e venceu um pequeno e quase desconhecido rali em Setembro de 2012. Em 2014 passou de novo às pistas e venceu a prova inaugural do novíssimo Campeonato do Mundo de Ralis, ao volante de um Ford Fiesta especialmente adaptado. Desde então, o sonho de Kubica era voltar à Fórmula 1. O tempo pacientemente gasto como terceiro piloto da Williams parece estar – finalmente – a dar frutos. O sonho de Kubica está apenas dependente da confirmação da saída de Lance Stroll.

A agenda do Grande Prémio da Rússia está assim escalonada: Treinos livres 1, hoje, 11:00 horas – 12:30 horas; treinos livres 2, hoje, 15:00 horas – 16:30 horas; treinos livres 3, sábado, 12:00 horas – 13:00 horas. Provas de qualificação: Sábado, 15:00 horas – 16:00 horas. Corrida: Domingo, 14:10 horas.

Manuel dos Santos

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