Fórmula 1 – Época de 2017

“Oh dear…”

“Oh dear…”

As primeiras três corridas dos campeonatos do mundo de Fórmula 1 – pilotos e construtores – já são história e muito se pode agora dizer sobre as possíveis ambições de cada equipa.

A Ferrari, pela mão de Sebastian Vettel, mostrou que quer esquecer o passado recente. Desde 2007, com a vitória de Kimi Raikkonen, que a Ferrari tem visto os seus carros serem desfeiteados – repetidamente – por outras equipas. A marca de Maranello tem estado apagada, apesar de ter grandes pilotos e carros fantásticos, mas por uma ou outra razão a vitória tem iludido a Scuderia.

Dizem a más línguas que os regulamentos foram alterados, em 2014, para dar uma oportunidade à Ferrari de bater a oposição oferecida pelos carros com motores Mercedes (2008, 2009, 2014, 2015 e 2016) e Renault (2010, 2011, 2012 e 2013). Aparentemente, também o último conjunto de alterações aos regulamentos foi feito com a intenção expressa de tornar o desporto mais competitivo, mas mais uma vez são muitas as vozes que dizem que tem como objectivo levar a Ferrari a ganhar campeonatos.

A primeira corrida deste ano, ganha por Vettel com alguma sorte na mudança de pneus, deixou um ar de euforia a pairar nas hostes italianas. Já no Grande Prémio da China, em Xangai, o domínio das “Flechas de Prata” voltou, tendo um dos Mercedes dominado facilmente os acontecimentos. Lewis Hamilton deixou Vettel a nove segundos de distância, mesmo depois de ter abrandado nas últimas voltas da corrida. Valtteri Bottas cometeu vários erros e pagou por isso, apesar de uma recuperação só ofuscada pelo grande espectáculo da tarde, dado por Max Verstappen com outro “festival de condução” à chuva.

No Bahrain as dúvidas voltaram a pairar no “paddock”. Os Ferrari e os Mercedes equivaleram-se, com Vettel – sempre ele – a desafiar os Mercedes, enquanto que estes estiveram iguais a si próprios. A Ferrari contestou a supremacia alemã a “solo”, com Raikkonen a chegar sempre um pouco mais tarde à bandeira de xadrez. Vettel fez de novo a diferença e venceu, mas não convenceu. Uma situação “déjà vu” dos tempos em que Michael Schumacher andava, literalmente, com o cavalinho às costas. Pode-se dizer que Vettel venceu em Sakhir, não a Ferrari.

No Bahrain todas as equipas tiveram problemas, de maior ou menor intensidade, durante todo o fim de semana. Os responsáveis apontaram o dedo ao calor e ao vento do deserto que trazia pó de areia para a pista, o que danificou os motores e reduziu a aderência dos carros.

A saga McLaren Honda conheceu novos episódios. Apesar da fábrica nipónica dizer que os problemas estão a ser resolvidos, o facto é que no Bahrain Stoffel Vandoorne nem sequer vestiu o fato de piloto e ficou a ver a corrida do camarim da Honda, enquanto o carro n.º2 ficou a enfeitar as boxes da McLaren.

Há rumores de que Fernando Alonso, desiludido com as “melhorias” do motor Honda, terá decidido competir em Indianápolis, com o objectivo de vencer a mítica Indy 500, nem que para tal tenha que voltar para o próximo ano, ou no outro a seguir. O plano do piloto espanhol, ex-bicampeão do mundo de Fórmula 1, passará também por rumar a Le Mans e vencer a prova das 24 Horas. Tarefa fácil de dizer, mas muito difícil de conseguir. Mesmo tendo em conta que, obrigatoriamente, há três pilotos por cada carro, cada um deles terá de conduzir oito horas, sendo que nenhum pode estar ao volante mais do que dez horas. Esta regra poderá aliviar Alonso, mas mesmo assim não será tarefa fácil para um piloto acostumado a um máximo de duas horas de condução nos limites.

A intenção de Alonso é suceder a Sir Graham Hill, o único piloto a vencer a chamada “Tripla Coroa” – vitória em Le Mans, título do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 e a conquista da Indy 500. Hoje fala-se em vencer “apenas” o Grande Prémio do Mónaco, Le Mans e Indianápolis, o que é um pouco mais fácil. Muitos já tentaram, mas Graham Hill continua senhor absoluto desta façanha. Hill venceu no Mónaco por cinco ocasiões (1963, 1964, 1965, 1968 e 1969), o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 por duas vezes (1962 e 1968), a Indy 500 em 1966, e Le Mans em 1972. Veremos como Alonso se vai sair neste novo desafio. Irá conseguir vencer ou não passará de mais um D. Quixote face ao impossível?

Este fim de semana o Grande Circo regressa ao autódromo de Sochi (um circuito citadino, em redor do Parque Olímpico de Sochi, na Rússia), para uma corrida de 53 voltas. Nos tempos modernos, o Grande Prémio da Rússia foi disputado pela primeira vez em 2014, sob grande polémica e controvérsia devido ao abate de um avião de passageiros durante a disputa territorial entre russos e ucranianos, que culminou com a anexação da Crimeia pelas tropas russas. Em 1913 e 1914 disputaram-se dois Grandes Prémios em São Petersburgo, mas a Primeira Guerra Mundial e a implantação da União Soviética ditaram o fim do evento, que foi recuperado por Bernie Ecclestone, ex-patrão da Fórmula 1. Hamilton venceu em 2014 e 2015, e Nico Rosberg em 2016, revelando a Mercedes um domínio absoluto neste circuito. Veremos quem leva a melhor!

A agenda para o fim de semana está assim escalonada:

Treinos livres 1, hoje, 11horas – 12 horas e 30; treinos livres 2, hoje, 15 horas – 16 horas e 30; treinos livres 3, sábado, 12 horas – 13 horas. Provas de qualificação: sábado, 15 horas – 16 horas. Corrida: Domingo, 15 horas – 17 horas.

A diferença horária de Sochi para Macau é de cinco horas. A amplitude térmica (temperaturas altas durante o dia e negativas durante a noite) poderá dificultar a afinação dos carros.

Manuel dos Santos

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