Fórmula 1 – Época de 2017

2 em 1

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Hoje, sexta-feira, 18 de Agosto, vamos duas semanas de férias, pelo que fazemos a antevisão das duas próximas provas do calendário da Fórmula 1 (Bélgica e Itália). Como sempre, revelamos um pouco do que se vai passando no Grande Circo, principalmente na época da “Silly Season” (literalmente a “Estação Estúpida”), em que os boatos e as notícias se confundem desde o começo da Fórmula 1 em 1950.

Na ordem do dia, sem dúvida, está o regresso – ou a “ressurreição” – de Robert Kubica. O piloto polaco, considerado um dos futuros campeões na primeira década deste século, está de regresso à Fórmula 1. Olhando um pouco para trás, vemos que Kubica, o primeiro piloto polaco a correr na categoria, era velocíssimo, mas atreito a acidentes, cada um mais terrível e espectacular que o anterior. Tal como Gilles Villeneuve, pensávamos que era inquebrável, mas afinal – também como Gilles – não era.

A 6 de Fevereiro de 2011, num pequeno e desconhecido rali, o “Ronde di Andora”, ao volante de um Skoda Fábia, Kubica teve mais um acidente. Ficou gravemente ferido e só não perdeu o braço, ombro, tórax e a perna direita porque teve a seu cargo uma super-inspirada equipa médica de sete cirurgiões de diferentes especialidades. Depois de algum tempo e muita reabilitação, regressou ao desporto motorizado, mas poucos pensariam voltar a vê-lo ao volante de um Fórmula 1, ainda para mais depois das mudanças drásticas que a FIA impôs nos últimos quatro anos.

No seguimento do Grande Prémio da Hungria, durante o teste da FIA, ainda no Circuito de Hungaroring, Kubica mostrou estar de novo em condições de pilotar um Fórmula 1, mesmo tratando-se de carros da última geração. Pilotou o equivalente a dois Grandes Prémios, tendo estabelecido o quarto melhor tempo dos testes, sem queixas ou quaisquer problemas. “Welcome back gentlemen!”.

Depois de muito pensar e alguns testes inconclusivos, a FIA decidiu que no próximo ano, todos os carros, ou pelo menos os da Fórmula 1, terão que estar equipados com o controverso “Halo”. A razão apresentada pelos responsáveis da FIA prende-se com a protecção da cabeça dos pilotos, a única parte do corpo que ainda se encontra exposta nos carros de “rodas de fora”. As opiniões dividem-se. Há quem apoie, há quem rejeite. Mas será o “Halo” realmente necessário? Alinhamos com os que dizem que não. Um piloto ser atingido na cabeça, a alta ou baixa velocidade, por qualquer tipo de destroço, pneu ou parte de um carro, é algo tão aleatório como acertar no Euromilhões. Se nos perguntarem se já morreram pilotos nessas circunstâncias, diremos que sim. Mas quantos? Um, dois, dez? Mais do que dez? Os poucos que sofreram este tipo de acidente não têm peso estatístico. Quantos pilotos correm, todos os fins de semana, em fórmulas por todo o mundo? Quantos ficaram feridos, já não falando dos que morreram? Pensamos – à semelhança de muitas outras pessoas – que o “Halo”, para além ser mais um peso para o carro (muito ou pouco, é mais peso), é feio e desvirtua o espírito da Fórmula 1.

O Campeonato do Mundo de Pilotos, uma vez mais, está reduzido a apenas três nomes (Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas), sendo que os dois múltiplos campeões do mundo (Vettel com quatro títulos e Hamilton com três) estão a ser confrontados por aquele menino que poucos acreditavam ser o substituto ideal de Rosberg. Valtteri Bottas já veio dizer que não quer ficar na sombra de Hamilton e que fará todos o possíveis para vir a ser aquilo que um dia prometeu a si mesmo: sagrar-se campeão do mundo de Fórmula 1.

Falemos então dos dois Grandes Prémios que se avizinham. No dia 27 de Agosto disputa-se o Grande Prémio da Bélgica, num dos mais antigos circuitos do calendário. É o último dos grandes circuitos naturais. “Beija” as fronteiras da Bélgica, Holanda e Alemanha. No seu tempo áureo, era o mais perigoso dos autódromos da Formula 1. Sabia-se de antemão que haveria mortos, ou pelo menos feridos graves, durante a corrida. Em dois anos (1967 e 1968, se não nos falha a memória) morreram cinco pilotos. Claro está que em 1969 os pilotos boicotaram o evento, uma manifestação de vontade que também viria a ter lugar na África do Sul, em 1985, por reacção ao Apartheid. O circuito foi remodelado, encurtado, enfim, melhorado, até chegar ao traçado dos dias de hoje.

Do pouco que já foi distribuído à Imprensa, sabemos quase todos os pilotos deixaram de lado os pneus duros e optaram por pneus macios (um a três conjuntos), super-macios (dois a cinco conjuntos) e ultra-macios (seis a nove conjuntos), o que demonstra a necessidade de aderência nesta pista de alta velocidade e de muita condução. É um traçado mais para os pilotos do que para os carros, isto é, quem tiver mais “mãozinhas” consegue melhores resultados. A grande maioria dos pilotos diz ser o seu circuito favorito. Se bem que ainda não haja previsão meteorológica, deverá chover com insistência em somente uma parte do circuito.

Quanto ao Grande Prémio de Itália, pouco se sabe, por enquanto. O Autodromo Nazionale Monza, construído em 1922, é igualmente um dos mais antigos do calendário e o terceiro permanente a ser edificado, depois do Circuito de Brooklands, no Reino Unido, e Indianápolis, nos Estados Unidos. Todos estes autódromos continuam a ser palco de corridas do desporto motorizado, embora com diferentes especificações em relação ao passado de modo acomodarem carros e motos cada vez mais rápidos, e cumprirem as cada vez mais exigentes normas de segurança impostas pela FIA.

Monza viveu muitos momentos de glória, e grandes tragédias, que ficarão para sempre nos anais do história.

Manuel dos Santos

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