Filosofia, uma dentada de cada vez (28)

A Morte está relacionada com a Mudança Substancial

A Morte está relacionada com a Mudança Substancial

Da última vez examinámos os dois tipos de mudança: a mudança acidental e a mudança substancial.

Vimos que na mudança acidental há um aspecto que permanece (a substância) e um aspecto que vem ou vai (o acidente ou, como também é chamado, a forma acidental). Quando uma manga (substância) amadurece, a sua cor (um acidente) muda de verde para amarelo, e o sabor (outro acidente) passa de amargo para doce. Continua a ser a mesma substância, com formas acidentais diferentes.

Quando a mudança substancial se altera, o aspecto que se mantém é chamado de matéria-prima, e o aspecto que muda é chamado de forma (ou mais correctamente, forma substancial). É importante não pensarmos na matéria-prima como uma “coisa” que está combinada (misturada) com a forma substancial (vista como outra “coisa”). Tanto a matéria-prima como a forma substancial são aspectos ou os princípios de um ser material e nunca são encontrados separados. Cada ser material que vemos à nossa volta é sempre composto por matéria-prima e forma substancial.

Para entendermos o papel da forma substancial, deixem-nos apresentar um exemplo de mudança substancial: a morte. Quando um ser humano morre o que podemos ver é um corpo morto ou cadáver. O cadáver começa a decompor-se e a desintegrar-se com a separação dos seus componentes e ou elementos. Em termos de massa corporal, o corpo humano é composto de 62 por cento de água, 16 por cento de proteína, 16 por cento de gordura, 6 por cento de minerais e 1por cento de carboidratos. Em termos de elementos químicos, 99 por cento do corpo é composto por oxigénio, carvão, hidrogénio, nitrogénio, cálcio e fósforo, e por 0,85 por cento de potássio, enxofre, sódio, cloreto e magnésio. Estes componentes e elementos constituem as mais de 30,000,000,000,000 de células do corpo humano. Quando morremos cada uma destas células decompor-se-ão nesses componentes e elementos.

UNIDADE E HARMONIA. Mas, antes da morte, todos estes elementos e componentes trabalharam em maravilhosa harmonia, do mesmo modo que numa orquestra os naipes de madeira, metais, percussão, cordas, teclas e os instrumentos electrónicos são capazes de trabalhar em conjunto para produzir uma sinfonia. Mas só podem efectuar essa tarefa se seguirem todos a mesma partitura e maestro.

O corpo também possui a sua “partitura” e “maestro”: a forma substancial. Esta forma substancial também é chamada de Alma. A Alma fornece a unidade e harmonia para todo o corpo.

VIDA: Nem todas as coisas têm vida. Assim sendo, é óbvio que a vida não provém da matéria. Se assim fosse, todos os materiais, tais como as rochas, a água, o fogo, etc., estariam vivos. Então a vida vem de um outro princípio. Chamamos a este princípio de Alma. Para além proporcionar unidade e harmonia, a Alma também dá a animação ou vida ao corpo: é o princípio de vida do corpo.

HUMANIDADE. Para além disso, a alma humana faz do corpo um corpo humano. Ela “especifica” isso, produzindo este tipo de corpo. Como (no seu desempenho) forma substancial, a Alma faz com que este ser seja um ser humano. Sem a Alma (a forma substancial do ser humano) o corpo é apenas um cadáver, um simples conjunto de componentes e elementos químicos. Quando uma pessoa morre a sua parte material (a matéria-prima) e a sua forma substancial (a Alma) é substituída por muitas formas substanciais: as formas substanciais dos diferentes componentes e elementos do corpo humano. Assim que a forma substancial desaparece a (1) unidade, a (2) vida e a (3) humanidade também desaparecem.

José Mario Mandía

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